13/08/2026

Lucro da Kepler Weber caiu 55% no segundo trimestre

Lucro da Kepler Weber caiu 55% no segundo trimestre

A categoria fazendas era a mais representativa para o faturamento da Kepler, mas teve redução de 13,2% na receita do segundo trimestre, — Foto- Kepler Weber-Divulgação

 

Margens menores dos produtores afetaram os resultados da empresa.

 

Em um cenário de margens apertadas entre os produtores rurais e restrição nos investimentos feitos nas fazendas, a Kepler Weber, maior companhia de equipamentos para armazenagem da América Latina, obteve lucro líquido de R$ 6,3 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 55% em relação ao mesmo período do ano passado.

 

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) recuou 31,7% no período, para R$ 25,9 milhões. A receita líquida caiu 3,9%, para R$ 299,1 milhões. Pesou também sobre o desempenho o nível de preço dos produtos.

 

“Estamos com um desafio que vem desde o ano de 2024. Tivemos o resultado caindo devido à situação mercadológica e macroeconômica do setor.

 

Temos um único ponto de desafio na companhia que é a questão preço”, disse Renato Arroyo, diretor financeiro e de relações com investidores da Kepler. “Temos conseguido redução em termos de custo, mas a pressão mercadológica vinda das fazendas faz com que a gente perda no lucro bruto”, acrescentou.

 

A categoria fazendas era a mais representativa para o faturamento da empresa, mas teve redução de 13,2% na receita do segundo trimestre, para R$ 83,1 milhões. Com isso, o destaque positivo ficou para a categoria agroindústria, cuja receita cresceu 17,9% para R$ 126,5 milhões.

 

O CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, observa que a demanda dos produtores rurais continua a existir, mas a rentabilidade limita o fechamento de negócios. E considerando o cenário que se desenha para preço das commodities, custos com insumos e taxas de juros, não há perspectiva de mudança para as condições dos agricultores. “Vemos um 2027 tão desafiador quanto 2026”, afirmou.

 

No entanto, à medida em que este ciclo de maior adversidade se encerre, a tendência é que o agricultor volte a investir. Isso porque, segundo Nogueira, somente 14% das estruturas de armazenagem do agro brasileiro estão dentro das fazendas. Em concorrentes com os Estados Unidos e Argentina, este percentual chega a 60% e 40%, respectivamente.

 

“Com o tempo, o agricultor vai investir em coisas que agregam valor e reduzem risco, e, sem dúvida, são armazenagem e irrigação”, argumentou o CEO.

Enquanto isso, a demanda vinda do segmento de agroindústria cresce, para a armazenagem de grãos que serão usados na produção de biocombustíveis, por exemplo.

 

Outro segmento que ajudou a dar fôlego aos resultados da Kepler foi o de reposição e serviços, onde a receita somou R$ R$ 65,6 milhões no segundo trimestre, alta de 5%. “Estamos trabalhando muito em reforma com nossos clientes”, disse Nogueira, citando que a expectativa segue otimista para esta área no decorrer de 2026.

 

O diretor financeiro pontuou que, apesar das adversidades, permanecem os planos de Capex, a geração de caixa livre e a inadimplência segue baixa, próxima de 1%. “A gente não consegue passar imune a esse momento do mercado, mas consegue passar muito melhor do que outras companhias”, disse Arroyo (Globo Rural, 12/8/26)