20/03/2026

Lucro da MBRF caiu 92% no 4º trimestre de 2025

Lucro da MBRF caiu 92% no 4º trimestre de 2025

Lucro líquido da MBRF foi de R$ 91 milhões no intervalo de outubro a dezembro de 2025 — Foto: Divulgação

 

Amento de despesas e custos associados ao processo de fusão entre Marfrig e BRF, que originou a companhia, pesaram no balanço do ano passado.

 

A MBRF registrou lucro líquido de R$ 91 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 91,9% em comparação a igual período do ano anterior. Em seu comunicado de resultados, a empresa atribuiu o recuo ao aumento das despesas financeiras e aos custos associados à reestruturação e ao processo de fusão.

 

Segundo a companhia, as despesas financeiras aumentaram no quarto trimestre, assim como no consolidado de 2025, em razão principalmente do crescimento da dívida média em 2025 comparada à de 2024, dada a alta da taxa básica de juros - 14,43% em 2025 versus 10,93% em 2024 - o que elevou o custo da dívida. Também houve maior participação da dívida denominada em reais, contribuindo para o aumento da despesa financeira no período, conforme o comunicado.

 

A receita líquida no quarto trimestre somou R$ 43,915 bilhões, alta de 4,8% em relação a igual trimestre do ano anterior.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado no intervalo de outubro a dezembro do ano passado caiu 9,1%, para R$ 3,410 bilhões. Do total, 77% foi resultado da BRF, 18% da Operação América do Sul e 4% da América do Norte, disse a companhia no comunicado.

 

No consolidado de 2025, a MBRF registrou receita líquida recorde de R$ 163,963 bilhões, crescimento de 11,9% em relação a 2024, com volume vendido de 8,2 milhões de toneladas de alimentos, 3,9% maior do que no ano anterior, segundo informações divulgadas no comunicado de resultados.

Assim como no quarto trimestre, o lucro líquido da companhia diminuiu no ano de 2025, 77,9%, para R$ 358 milhões.

O Ebitda ajustado também recuou, 3,2% na comparação anual, para R$ 13,151 bilhões. Com isso, a margem Ebitda ajustada caiu para 8%, de 9,3% em 2024.

 

O diretor Vice-Presidente de Finanças, Relações com Investidores, Gestão e Tecnologia da companhia, José Ignácio Scoseria Rey, disse em entrevista que a distribuição de dividendos atrelada à fusão entre Marfrig e BRF também teve reflexo na maior despesa financeira.

 

Além disso, também pesaram sobre o resultado os impactos da gripe aviária em uma granja comercial no Brasil - que manteve parte dos mercados consumidores, incluindo a China, fechados para a carne de frango brasileira por meses - e a menor rentabilidade na operação dos Estados Unidos, em razão do ciclo de baixa oferta de gado no país, segundo o executivo (Globo Rural, 19/3/26)