14/08/2026

Lucro da MBRF teve queda de 19,5% no 2º trimestre

Lucro da MBRF teve queda de 19,5% no 2º trimestre

Edifício corporativo da MBRF Divulgação

 

A receita líquida da empresa, resultado da fusão entre Marfrig e BRF, atingiu R$ 40,7 bilhões.

 

MBRF, uma das maiores empresas globais de alimentos, informou nesta quinta-feira (13/8) que registrou um lucro líquido de R$ 69 milhões no segundo trimestre do ano, uma queda de 19,5% em comparação com os R$ 85 milhões de igual período de 2025.

 

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 3,2 bilhões, 5,4% superior ao do intervalo de abril a junho do ano passado, segundo o balanço financeiro. A receita líquida da empresa, resultado da fusão entre Marfrig e BRF, atingiu R$ 40,7 bilhões, alta de 4,9% na mesma base de comparação.

 

“A companhia demonstrou desempenho sólido, transformando receita em lucro, mesmo num ambiente macroeconômico bastante desafiador. Avançamos em nossa plataforma multiproteínas, focados em valor agregado, qualidade, capilaridade”, disse a jornalistas o CEO da MBRF, Miguel Gularte.

 

A queda no lucro no período refletiu principalmente os juros maiores, tendo em vista taxas mais altas do que um ano antes, e os impactos negativos da variação cambial, segundo o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, José Ignacio Scoseria.

 

MBRF encerrou o segundo trimestre com R$ 1,420 bilhão em juros provisionados, 22,7% mais do que em igual período de 2025. Também reportou variação cambial negativa de R$ 111 milhões. Um ano antes, tinha registrado variação cambial positiva de R$ 3 milhões.

 

A dívida líquida consolidada cresceu 19,7% na comparação anual, para R$ 45,008 bilhões, e a alavancagem em reais — relação entre a dívida líquida e o Ebitda de 12 meses encerrado em junho — aumentou para 3,41 vezes, de 2,74 vezes um ano antes.

 

O “consumo relevante” de capital de giro no trimestre dificultou a redução da alavancagem, disse Scoseria. Contribuíram para esse cenário a continuidade do conflito no Oriente Médio e o nível de estoque de produtos da BRF no mar, os preços do boi em níveis elevados e a plena ocupação dos confinamentos da empresa na América do Sul. A formação de estoques para as festas de fim de ano foi outro fator que elevou o uso de capital de giro.

 

“Estamos conseguindo abastecer a região [Oriente Médio], com rentabilidade muito boa, porém com estoque maior. Estamos confiantes de que no segundo semestre traremos o capital de giro de volta para a companhia e começaremos a trajetória de desalavancagem”, afirmou Scoseria.

 

Vendas em alta

 

Apesar do lucro menor, a companhia conseguiu ampliar receitas e Ebitda de todas os negócios. Na operação de carne bovina da América do Norte, a receita líquida foi 14,9% maior, de US$ 3,748 bilhões, e o Ebitda ajustado foi 1,7% superior, de US$ 26 milhões, mesmo com o boi caro no país.

 

O negócio de carne bovina da América do Sul teve receita de R$ 6,389 bilhões, 26,4% superior à do segundo trimestre do ano passado, com Ebitda ajustado de R$ 570 milhões, avanço de 22,1% sobre igual período de 2025.

 

A receita líquida da BRF cresceu 1,1%, para R$ 15,428 bilhões, com Ebitda ajustado de R$ 2,596 bilhões, alta de 3,8% na comparação anual. O volume vendido no Brasil subiu 4,6% e, no exterior, a evolução dos preços em dólar e a conquista de 34 novas habilitações ampliaram o acesso a mercados.

 

A Sadia Halal, de negócios no Oriente Médio, teve receita líquida de US$ 590 milhões, 16,6% maior que no segundo trimestre de 2025, e Ebitda ajustado de US$ 95 milhões, o dobro de um ano antes.

 

A companhia destacou no comunicado sinergias que seguem sendo extraídas da fusão de BRF e Marfrig. Foram R$ 158 milhões no trimestre, obtidos em várias áreas. No Brasil, com a integração comercial, o portfólio de bovinos foi estendido a mais de 20 mil novos pontos de venda (Globo Rural, 13/8/26)