28/09/2026

Lula errou em 2023 – Por Elio Gaspari

Lula errou em 2023 – Por Elio Gaspari

Lula e Janja. Foto Ricardo Stuckert/PR

 

Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro por uma margem pequena de votos, Lula leu mal o resultado. O que era uma vitória apertada vinda de um arco democrático, o PT e Lula tomaram como uma consagração.

 

Consagração foi, afinal o sujeito passou quase dois anos na cadeia acusado de corrupção e se elegeu presidente pela terceira vez. É vitória para ninguém botar defeito, mas não é suficiente. Lula 3.0 não cultivou o arco democrático que o elegeu. A diferença entre o arco democrático e a coligação governista pode ser testada pelo lugar onde fica o ex-ministro Pedro Malan. Ele pertence ao arco, mas não pertence ao bloco que poderia ser chamado de governista.

 

O PT desperdiçou a oportunidade de governar com uma coligação mais inteligente e criativa do que a pobre polarização em que se caiu.

 

Faltando dez dias para o primeiro turno, ele acordou. O eleitor também acordou. Se não é ele, é Bolsonaro. O antipetismo que elegeu o ex-capitão em 2018 encolheu em 2026, até porque surgiram fatos que alimentam um antibolsonarismo. No início de outubro de 2018, Bolsonaro tinha 32% das preferências, segundo o Datafolha. O petista Fernando Haddad tinha 21%. Aquele Brasil bolsonarista desmanchou-se, mas não acabou.

 

Lula vive um paradoxo, é o candidato que vai melhor nas pesquisas, mas seu governo é mal avaliado por 40% contra e 34% a favor, segundo o último Datafolha.

 

Lula revelou um certo cansaço com a campanha. Não era fadiga física, era cansaço do modo campanha. Um sinal desse cansaço é o bordão desafiador: "É esse país que vocês querem?". O eleitor sabe que é ele quem manda, não é preciso ser desafiado.

 

De certa maneira, Lula foi capturado pela polarização bolsonarista. Podendo ampliar sua base, estreitou-a ou engordou-a, recorrendo ao centrão.

Faltou criatividade ao petismo, mas ele teve a sorte de ganhar um adversário incapaz de formular uma ideia nova ou de buscar um novo aliado.

 

Tarcísio no 1º turno

 

Uma eventual vitória do governador Tarcísio de Freitas no primeiro turno pode atrapalhar a vida de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Sobretudo se, no dia 25 de outubro, der praia.

 

A carta das apostas

 

As casas de apostas que compraram outorgas ao governo por R$ 2,5 bilhões vão brigar na Justiça para recuperar a franquia ou receber o dinheiro de volta.

Os deuses do jogo maltrataram as casas de apostas. Jogaram no colo da justiça a proteção às casas de tavolagem.

Era tudo o que a magistratura não precisava.

 

Quem cacifava o Carnaval de Kassio era o banqueiro Daniel Vorcaro

O ministro do STF Kassio Nunes Marques - Foto Rosinei Coutinho STF

 

Em 24 de fevereiro de 2024, publicou-se aqui a seguinte nota:

 

"O ministro Kassio Nunes Marques é um folião aplicado. No último Carnaval esteve em Salvador, de onde voou para o Rio e assistiu ao desfile de segunda-feira no camarote Arpoador. Hospedou-se no Fasano e moveu-se naquilo que chamou de 'nosso aviãozinho'.

 

Na segunda-feira desfilou a Mocidade Independente, cujo patrono é o contraventor Rogério Andrade. Em agosto de 2022, Nunes Marques revogou a prisão preventiva de Andrade, em decisão confirmada por seus colegas da segunda turma do STF. O sobrinho do falecido Castor de Andrade não pôde desfilar com sua tornozeleira eletrônica. Contentou-se vendo Fabíola, sua mulher, passar pela Sapucaí como rainha da bateria."

 

Passou o tempo e soube-se mais. Quem cacifava todo o Carnaval do ministro era o banqueiro Daniel Vorcaro.

 

No Carnaval seguinte, Nunes voltou a ser mimado pelo banqueiro. Vorcaro se valia dos serviços de uma senhora chamada Rayanna. No dia 28 de fevereiro ela informou a Vorcaro: "As meninas estão prontas" e ele deu-lhe um endereço. Uma semana depois, uma menina cobrava pelos serviços que prestou a "kassio". Coisa de "10 né".

 

Nunes Marques nega ter recebido esses favores e diz que nunca votou em caso que envolvesse o Banco Master.

 

Além dos favores noturnos, Daniel Vorcaro tinha também um expediente diurno com cifras do andar de cima. O contrato de serviços advocatícios da mulher de um desembargador pagava até R$ 427 milhões. O apartamento para onde deveriam ir as "meninas" pertencia a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o maior doador pessoa física da campanha de Tarcísio de Freitas para o governo de São Paulo em 2022, com R$ 2 milhões, e de Jair Bolsonaro, com R$ 3 milhões. Zettel está preso (Folha, 27/9/26)