Lula protege o PCC pela “soberania” e condena o povo? – Por Paula Sousa
Se você acha que o Brasil é uma democracia vibrante, parabéns: sua capacidade de viver em uma realidade paralela é digna de um Oscar de efeitos visuais. A verdade nua, crua e banhada a cinismo é que o Palácio do Planalto adora subir em palanques para discursar sobre a tal "soberania nacional".
Criam uma narrativa épica, onde o governo se veste de salvador da pátria para nos proteger de supostos vilões externos, as tarifas estrangeiras malvadas e gigantes da tecnologia. Mas basta dar dois passos para fora do tapete vermelho de Brasília para perceber que essa soberania é uma piada de mau gosto. O Estado brasileiro simplesmente abandonou o país.
Enquanto os engravatados fingem que mandam em alguma coisa, o Jornal da USP joga um balde de água fria na nossa cara: “50 milhões de brasileiros vivem em áreas dominadas por facções criminosas”. Não existe soberania onde o poder público precisa pedir licença para entrar. Na propaganda oficial do governo, o morador da periferia é só uma estatística bonita na hora de pedir votos.
Na vida real, o cidadão comum, aquele que racha o bico de trabalhar, precisa pagar R$ 300 por mês para a facção local só para continuar morando no próprio apartamento do programa Minha Casa Minha Vida — que é dele no papel, mas do crime organizado na prática.
Enquanto a elite política em Brasília se recusa a chamar facção pelo nome correto, com medo de magoar os sentimentos dos chefões do crime, o Tribunal do Crime executa sentenças bárbaras nas praças das comunidades, mostrando quem é que realmente dita as leis por aqui.
E se você acha que o absurdo para por aí, o G1 mostrou o resultado prático desse abandono: “Vilarejo do Ceará vira ‘território-fantasma’ após expulsão de moradores por facções”. O Brasil entregou seus territórios de bandeja por décadas e agora só consegue pisar neles à base de operações de guerra cinematográficas que não resolvem nada. O trabalhador virou refém definitivo daqueles que mandam na vida e na morte nas ruas, tudo isso enquanto paga um imposto absurdo para sustentar uma máquina pública bilionária que já o abandonou faz tempo.
Mas o verdadeiro espetáculo do cinismo aconteceu recentemente, cruzando fronteiras e deixando o mundo inteiro de queixo caído. Os Estados Unidos, cansados de ver o dinheiro do narcotráfico rodar o globo, resolveram fazer o trabalho que o Brasil finge que faz. Depois de classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os americanos decidiram aplicar as primeiras sanções econômicas contra pessoas e empresas em solo brasileiro, apontando-as como engrenagens fundamentais dessas facções.
Como destacou a Forbes Money: “Tesouro dos EUA chama PCC de maior facção do hemisfério”. O G1 também carimbou a notícia que fez a Esplanada dos Ministérios tremer: “EUA anunciam sanções contra duas pessoas e três empresas brasileiras por suposta ligação com o PCC”.
Agora, tente adivinhar qual foi a reação do governo brasileiro diante dessa ajuda internacional para sufocar o crime? Eles comemoraram? Agradeceram? Claro que não. Vejam vocês que não demorou muito e o chefe da Polícia Federal do presidente Lula saiu correndo em defesa dessas pessoas que foram colocadas no alvo de Washington, alegando de pés juntos que elas não tinham participação nenhuma com o crime.
A GloboNews registrou o momento com precisão cirúrgica: “Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, negou que os dois sancionados pelos EUA, Victor Rodrigues de Oliveira Shimada e Stella Stephanie Nunes Henrique, tenham ligações com o PCC”.
Convenhamos, é extremamente estranho o chefe da Polícia Federal brasileira gastar saliva para defender pessoas que estão sendo investigadas por outra superpotência e que foram classificadas com provas robustas como membros de uma organização criminosa internacional. Já começa a cheirar muito mal por aí.
Mas o roteiro desse teatro fica ainda mais bizarro quando lembramos que o próprio presidente Lula e o seu governo moveram céus e terras para defender que o PCC e o Comando Vermelho não fossem tratados como organizações terroristas pelos Estados Unidos. O portal UOL explicou o malabarismo diplomático na manchete: “Por que o governo Lula é contra PCC e CV classificados como terroristas”. O amor deles pelo diálogo com "suspeitos" parece não ter limites.
Aí você se pergunta: de onde vem tanto carinho e preocupação com essa gente? A resposta, como sempre, está no rastro do dinheiro. Uma dessas empresas brasileiras que tomou um gancho dos americanos teve suas entranhas expostas por uma investigação jornalística avassaladora.
O Metrópoles revelou que a firma sancionada nos EUA recebeu R$ 514 milhões da rede de lavagem do Careca do INSS — um esquema gigantesco focado no roubo do dinheiro dos aposentados brasileiros. A Revista Oeste deu o tamanho exato do buraco: “Empresa sob sanção dos EUA recebeu R$ 514 milhões da rede ligada ao Careca do INSS”. E completou dizendo que o “relatório final da CPMI descreveu a rede como responsável por movimentar mais de R$ 39 bilhões”.
O tal "Careca do INSS", para quem não se lembra, era uma figura carimbada que batia cartão no Senado Federal. E adivinhe qual era o gabinete que ele mais visitava? O do senador Weverton, lá do Maranhão, ninguém menos que o vice-líder do governo Lula. O desespero para abafar o caso foi tamanho que o Metrópoles publicou: “Senado põe sigilo de 100 anos sobre entradas do Careca do INSS na Casa”. Para coroar o absurdo, a CNN confirmou as suspeitas: “Vice-Líder do governo sustentava atividades do careca do INSS, diz PF”.
Olhem as conexões maravilhosas que o dinheiro dos nossos aposentados financiava. O mesmo Careca do INSS era o homem que bancava a empresária Roberta Luxinger. De acordo com as investigações que o Brasil acompanhou na CPMI, Roberta funcionava como uma espécie de laranja para "Lulinha", o filho do presidente da República.
O jornalista Claudio Dantas jogou a bomba no ventilador com a seguinte frase: “Careca do INSS: R$ 300 mil para consultoria de Roberta era para ‘filho do rapaz’”.
E o dinheiro rendeu ótimos frutos, incluindo uma viagem inesquecível de Lulinha e toda a sua família para a Lapônia, a terra do Papai Noel. O Metrópoles não deixou o luxo passar batido: “Lulinha foi à Finlândia bancada por lobista em hotel com diária de R$ 37 mil”. Tudo do bom e do melhor, pago na primeira classe com o suor de quem trabalhou a vida inteira.
As conexões dessa teia de aranha política e criminosa continuam avançando. Essa empresa bloqueada pelos Estados Unidos já tinha sido pega no radar brasileiro, constando no relatório final feito pelo deputado Alfredo Gaspar e outros membros da CPMI, que tentaram de tudo para aprovar o indiciamento e a investigação profunda dela. Mas o partido de Lula e toda a base governista votaram contra o relatório.
A Gazeta do Povo resumiu a ópera: “Como o governo derrubou o relatório da CPMI do INSS que pedia a prisão de Lulinha?”. Em suma: blindaram a empresa que agora os americanos provaram que lavava rios de dinheiro para o PCC. Claudio Dantas reforçou: “Empresa sancionada pelos EUA foi citada em relatório final da CPMI do INSS”.
Há outras conexões tão claras que parecem desenhadas para criança entender. Na semana passada, um vereador do PT foi preso em São Paulo por suspeita de trabalhar diretamente para a facção. O G1 noticiou na época: “Preso por suspeita de ligação com PCC, vereador Senival Moura pede afastamento do PT”. Isso sem falar na famosa influenciadora Deolane Bezerra, que virou ré por lavar dinheiro para a mesma organização e que nunca escondeu sua proximidade e apoio fervoroso ao presidente e à primeira-dama. A CNN detalhou o caso: “Veja crimes que fizeram Deolane virar ré por ligação com o PCC”.
Enquanto os americanos ativam a engrenagem pesada de punição financeira através da lista do OFAC, bloqueando contas e asfixiando os negócios de Victor Shimada e suas empresas — como a Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos e Wave Construções Inteligentes —, o governo brasileiro prefere chorar as pitangas na imprensa internacional.
O jornal O Tempo Política manchetou a reação oficialista: “Governo Lula defende soberania do Brasil após sanção dos Estados Unidos contra supostos operadores do PCC”. É a nossa soberania sendo usada para proteger quem destrói o país de dentro para fora.
O caso de Shimada é emblemático. O Metrópoles publicou uma conversa interceptada PELA PF que mostra que ele sabia exatamente no que estava metido: “Esse papo vai dar FBI, mano”, diz alvo dos EUA por elo com o PCC. No diálogo, ele confessava preocupação com as transações em dólar e com o rastreamento de suas contas. Ele já havia sido condenado por lavagem de dinheiro em um golpe de R$ 35 milhões contra o Banco Votorantim e chegou a ser preso por envolvimento em fraudes de patrocínio em um clube de futebol.
O homem é um especialista em lavar dinheiro. E quem faz isso para o crime organizado, faz para qualquer um que pague bem: para o PCC, para o futebol e para esquemas que abastecem a engrenagem política de Brasília. Como Andrei Rodrigues diz que ele não tem relação com o PCC?
O pânico que corre nos corredores do Palácio do Planalto não é por causa da pátria. É medo do efeito dominó. O governo sabe que, se esses operadores financeiros começarem a falar para a justiça americana, o castelo de cartas cai. É a reprise da Lava-Jato, que começou pequena com um doleiro num posto de gasolina e terminou derrubando a cúpula do poder.
Diante disso, a desculpa da soberania serve apenas para esconder uma triste realidade: o Brasil virou um território refém, onde os poderosos cagam para o povo que paga impostos e usam a máquina do Estado para blindar seus parceiros de negócios. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 3/7/2026)

