19/08/2026

Lulinha: As perguntas que devem ser feitas, para além da disputa política

Lula e Lulinha: Foto Reprodução Facebook

 

A questão diz respeito à ética pública, às entranhas do nosso baixo patrimonialismo.

 

No comentário desta terça-feira, 18, o colunista Fernando Schüler trata das revelações acerca do caso envolvendo Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a empresária e lobista Roberta Luchsinger.

 

“Atividades de lobby numa grande democracia, desde que sejam feitas de maneira regulamentada, seguindo regras de compliance do setor público, com transparência, são perfeitamente aceitáveis”, diz ele, fazendo uma ressalva:

 

“Agora, quando você tem uma lobista que faz dezenas de reuniões com órgãos governamentais, sem o registro de agenda, sem atender nenhuma norma de compliance, com uma vinculação direta com um dos maiores escândalos de corrupção acontecidos no País, no caso o escândalo do INSS, recebendo recursos de empresas pertencentes ao Careca do INSS e que faz transferências financeiras diretas ao chefe de gabinete da Presidência da República, inclusive transferências de joias, conforme os registros que vêm aparecendo, e que tem, além de tudo, um relacionamento umbilical com o filho do presidente da República, que vem a ser também uma espécie de lobista no governo comandado pelo seu próprio pai, evidentemente que é um problema”, destaca.

 

Segundo ele, isso não tem relação com o embate entre esquerda e direita.

 

“É uma questão que diz respeito à ética pública, às entranhas do nosso baixo patrimonialismo, ou seja, como funciona essa conexão entre interesses privados e públicos no coração do Estado brasileiro”, diz ele, cobrando seriedade e celeridade na investigação do caso (Estadão, 19/8/26)