01/04/2026

Março termina com volume recorde de exportação de soja e milho

Março termina com volume recorde de exportação de soja e milho

Milho e Trigo - Imagem IA Copilot

  • Venda externa acumulada no 1º trimestre aponta para bom desempenho da oleaginosa
  • DDGS, subproduto do milho, e sorgo entram na lista de acompanhamento da Anec

 

As exportações de produtos agrícolas em março bateram recordes. Pelos dados estimados pela Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), saíram do país 17,1 milhões de toneladas de grãos, incluídas as vendas externas de sojamilho e trigo. Os dados foram coletados com base no calendário de saída de navios.

 

As exportações de soja estão estimadas em 15,9 milhões de toneladas, superando o recorde de 15,7 milhões de março do ano passado. É o maior volume para este mês em todos os anos. O farelo de soja também esteve em patamar recorde para os meses de março, segundo a Anec. Saíram do país 2,24 milhões de toneladas no mês passado, 50 mil a mais do que no mesmo período do ano anterior.

 

O volume das exportações de soja do primeiro trimestre atingiu 27,2 milhões de toneladas, acima dos 26,6 milhões de janeiro a março de 2025, nos números da Anec. Esse avanço mostra que as expectativas de mais um ano com exportações recordes devem se confirmar.

 

A estimativa é de uma venda externa de 111,5 milhões de toneladas de soja neste ano e de 24,6 milhões de toneladas de farelo de soja, segundo a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

 

A exportação de milho, ao atingir 888 mil toneladas, superou até mesmo o volume de março de 2023, ano em que o país atingiu 56 milhões de toneladas exportadas. Naquele ano, o Brasil se tornou o maior exportador mundial de milho, superando os Estados Unidos.

 

As vendas externas de trigo, ao atingirem 398 mil toneladas, superam as de igual período de 2025, mas ficam abaixo dos volumes dos meses de março de 2022, 2023 e 2024, quando o país teve boa participação no mercado externo.

 

Com o avanço da utilização do milho na produção de etanol, a Anec acompanha também as exportações de DDGS (um subproduto do milho rico em proteínas). As vendas de janeiro a março deste ano somaram 292 mil toneladas, 15% a mais do que em 2025.

 

O sorgo, com potencial de crescimento muito grande na produção deste ano, também entra na lista de produtos acompanhados pela Anec. No mês passado, as exportações atingiram 35 mil toneladas.

 

As vendas externas de carnes, comparadas a média diária de março deste ano com a de igual mês do ano passado, não apresentam evolução em volume, mas ganham na valorização dos preços. Nos dias úteis de março, o Brasil exportou 11,1 mil toneladas de carne bovina diariamente, 22 mil de aves e 5.952 de carne suína. Os preços médios subiram para todas no mês passado ante 2025: a carne bovina teve alta de 18%; a de aves, de 2%, e a suína, de 10%.

 

LEITE VOLTA A SUBIR NO CAMPO

 

Após um longo período de queda, o preço do leite pago ao produtor voltou a subir. Foi a segunda alta seguida. Conforme acompanhamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o valor médio praticado no país foi de R$ 2,1464 por litro em fevereiro, alta de 5,4% em relação a janeiro. Mesmo com a elevação, o produto ainda acumula queda de 25,4%, em termos reais, em relação a fevereiro de 2025.

 

A redução de oferta neste início de ano provocou uma concorrência maior entre os laticínios, elevando os preços. Pesquisadores do Cepea constataram que, em fevereiro, a captação de leite foi 3,6% inferior à de janeiro. Sazonalidade e investimentos são responsáveis por essa queda.

 

O clima nesse período do ano influencia a pastagem, elevando os custos, e a contínua queda dos preços no ano passado fez o produtor reduzir investimentos no setor (Folha, 1/4/26)