Master e o DNA do PT:O esquema que encurrala Lula e o STF – Por Paula Sousa
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A liquidação extrajudicial do Banco Master (antigo Banco Máxima) por uma fraude estimada em R$ 12 bilhões abriu a "caixa de Pandora" da República. O que inicialmente parecia uma falha de gestão financeira revelou-se um esquema de corrupção sistêmica que une o Palácio do Planalto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Através de uma análise detalhada dos fatos trazidos pelo Jornal Nacional, Revista Piauí, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo, emerge uma teia onde o DNA do PT aparece em cada etapa, desde a criação do monstro financeiro até as tentativas desesperadas de blindagem jurídica e política.
O nascimento do monstro: A conexão baiana e o decreto de Rui Costa
Para entender o escândalo Master, é preciso voltar ao momento em que um banco pequeno e inabilitado pelo Banco Central por gestão fraudulenta — o antigo Banco Máxima — encontrou o "parceiro ideal". Segundo a Revista Piauí em 2024, o arquiteto dessa transformação foi o baiano Augusto Lima, figura central com trânsito livre no núcleo duro do PT.
Em 2018, Lima adquiriu a EBAL (Empresa Baiana de Alimentos), uma estatal falida dona da rede "Cesta do Povo". O negócio, à primeira vista, era um buraco financeiro, mas o plano já estava traçado. Apenas 16 dias após a compra, o então governador da Bahia e atual Ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), assinou um decreto providencial. Esse ato administrativo transformou o cartão da rede no Credcesta, um programa de crédito consignado com desconto direto na folha de pagamento de todos os servidores públicos, ativos e inativos, do Estado.
O impacto foi imediato: o Banco Master, que operava com apenas 65 funcionários, passou a ter uma garantia bilionária de recebíveis protegida pelo Estado. Esse é o clássico modus operandi da esquerda: usar o aparato público para transformar ativos podres de aliados em minas de ouro, extraindo recursos diretamente do bolso do funcionalismo público.
O esquema criminal: Títulos falsos e a empresa Tirreno
Com a estrutura montada, o banco iniciou uma expansão agressiva para 24 Estados. No entanto, conforme revelado em depoimentos de Daniel Vorcaro (dono do Master) citados na imprensa, o crescimento era inflado por práticas criminosas. Augusto Lima teria introduzido no banco a empresa Tirreno, responsável pela geração de títulos falsos.
Esses ativos inexistentes eram usados para camuflar o rombo e simular uma saúde financeira que permitia ao banco continuar operando e atraindo fundos de investimento. A fraude não era apenas uma negligência; era um projeto estruturado de emissão de crédito sem lastro, que eventualmente levaria ao colapso de R$ 12 bilhões, colocando em risco todo o sistema financeiro nacional.
A blindagem no STF: Toffoli e o Resort Tayayá
Quando o esquema começou a ruir e as investigações da Polícia Federal avançaram, o caso foi "puxado" para o STF. O ministro Dias Toffoli assumiu a relatoria e, imediatamente, impôs sigilo absoluto, dificultando o trabalho dos investigadores. A razão para essa manobra tornou-se clara com as reportagens do Estadão e do Jornal Nacional.
A família de Toffoli mantinha relações comerciais estreitas com as empresas investigadas. Seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, eram sócios do Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Em 2021, por meio da empresa Marid Participações, a família vendeu cotas do resort por R$ 3 milhões para o Fundo Arlin, controlado pela REAG Investimentos — entidade umbilicalmente ligada ao Banco Master e alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro para o PCC.
A suspeita de que a Marid fosse uma empresa de fachada para blindagem patrimonial do próprio ministro ganhou força quando o Estadão localizou a sede da empresa: uma casa humilde onde a moradora alegou desconhecer qualquer negócio milionário do marido. Para completar o cenário de deboche com o dinheiro público, o STF gastou R$ 460 mil em diárias de segurança para escoltar autoridades na região do resort durante feriados e recessos, entre 2022 e 2025.
O histórico de impunidade: De 2019 ao "Amigo do Amigo"
A conduta de Toffoli no caso Master não é um fato isolado, mas a continuação de um padrão de proteção mútua dentro da corte. É preciso lembrar que, em 2019, quando a Operação Lava Jato ameaçava atingir o STF, foi Alexandre de Moraes quem recebeu de Toffoli a missão de blindar o tribunal através do inquérito das fake news.
Foi nesse período que ocorreu a censura à revista Crusoé, que revelou o codinome de Toffoli em planilhas de empreiteiras: "o amigo do amigo do meu pai". Hoje, a opinião pública se choca com o caso Master, mas esquece que o tribunal já opera sob um regime de exceção desde então. Moraes, que hoje conduz o que críticos chamam de "julgamentos show" contra opositores e o ex-presidente Bolsonaro, pavimentou o caminho para que Toffoli pudesse agora tentar enterrar as fraudes do Banco Master sob o manto do sigilo.
Lobby no Planalto: Consultorias de milhões para o PT
Enquanto a blindagem ocorria no Judiciário, o Banco Master garantia sua influência no Executivo. O ex-ministro Guido Mantega foi contratado pelo banco com um salário de R$ 1 milhão por mês. O objetivo era claro: usar o acesso direto de Mantega a Lula para forçar a venda do Master ao BRB (Banco de Brasília), uma tentativa de usar um banco público para absorver o prejuízo privado.
Além de Mantega, o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também prestou serviços de consultoria ao Master antes de assumir a pasta. A rede de influência era vasta, envolvendo ainda Jaques Wagner, líder do governo no Senado, que atuava nos bastidores para sustentar a estrutura de Augusto Lima e Vorcaro no governo federal.
Reuniões secretas e o desespero de Lula
A promiscuidade entre o crime financeiro e o poder político atingiu seu ápice em dezembro de 2024. Reportagens da Folha de S. Paulo e do blog de Lauro Jardim confirmaram que Lula recebeu Daniel Vorcaro e Augusto Lima em seu gabinete no Palácio do Planalto. O encontro, que durou cerca de uma hora e meia e foi omitido da agenda oficial, contou com a presença de Rui Costa, Alexandre Silveira e Gabriel Galípolo.
Naquele momento, o banco já estava em agonia. Lula e seus ministros discutiam como salvar o Master. No entanto, quando a liquidação tornou-se inevitável e o escândalo do INSS (que atinge o coração da esquerda e o filho de Lula) começou a ganhar tração, Lula acionou o plano de contingência: a traição deliberada.
O plano de sobrevivência: Jogando o STF e o centrão no fogo
Para evitar que o "DNA do PT" no caso Master derrube o governo, Lula passou a fritar publicamente seus aliados. O vazamento do encontro secreto entre Lula e Toffoli na Granja do Torto foi, segundo a colunista Vera Magalhães, uma manobra do próprio Planalto para jogar o STF no olho do furacão.
A estratégia de Lula é dividida em frentes:
- Isolamento de Toffoli: Ao expor as ligações do ministro com o resort e o banco, Lula tenta carimbar o escândalo como "um problema do Judiciário", ignorando que o banco foi alimentado por decretos de seus ministros;
- Abertura de vagas: Se a pressão da PF e da opinião pública derrubar Toffoli, Lula ganha mais uma indicação para o STF, podendo colocar nomes como Jorge Messias ou Rodrigo Pacheco, garantindo mais décadas de controle sobre a corte;
- Chantagem contra o Centrão: Partidos como o União Brasil e o PP possuem caciques envolvidos com o Banco Master. Lula utiliza o aparato da PF para manter esses partidos reféns, impedindo que abandonem o governo ou pautem o impeachment de seus ministros;
- Cortina de Fumaça para o INSS: O governo prefere que o país discuta a "crise institucional do STF" do que a corrupção bilionária no INSS, que prova a má gestão e os desvios da atual administração.
O nojo de uma nação refém
O escândalo do Banco Master é o retrato de um Brasil onde as instituições foram sequestradas por uma elite política e jurídica que não possui limites éticos. O que vemos é um ciclo vicioso: o PT cria o mecanismo de desvio através de decretos e estatais; o mercado financeiro opera a fraude através de títulos falsos; o STF garante a impunidade através de sigilos e relações comerciais suspeitas; e o presidente da República coordena tudo em reuniões secretas, pronto para sacrificar qualquer um para manter seu projeto de poder.
É um cenário que causa náusea. Enquanto o cidadão comum luta contra a inflação e a insegurança, os "amigos do amigo" dividem diárias de R$ 460 mil e consultorias de R$ 1 milhão. A briga atual entre o Planalto e o Supremo não é uma busca pela verdade, mas uma luta de foice no escuro para decidir quem será sacrificado para que o sistema continue de pé.
O DNA petista da corrupção, que já havia sido exposto no “Mensalão” e no “Petrolão”, agora se reinventa no "Mastergate", provando que, no Brasil, o crime não apenas compensa, mas governa.
https://piaui.folha.uol.com.br/materia/alta-tensao-banco-master/
https://www.gazetadopovo.com.br/economia/augusto-lima-o-ex-socio-de-banco-master-com-transito-pt/
https://www.metropoles.com/colunas/grande-angular/augusto-lima
(Paula Sousa é historiadora, professora e articulista: 27/1/26)

