23/01/2025

Midas ao contrário – Por Antonio Cabrera

Midas ao contrário – Por Antonio Cabrera

FIAGROS Foto Reprodução - Youtube

 

É conhecida a lenda do Rei Midas.  Ela versa sobre o fato de que esse rei da Frígia transformava em ouro tudo o que tocava.

Lembrei-me desse mito grego quando li ontem os vetos do presidente na Reforma Tributária que altera o regime tributário dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros).

 

ANTONIO CABRERA- FOTOTO REPRODUÇÃO INTERNET

Mas é um “Midas ao contrário”, pois tem o poder de transformar a riqueza em pobreza.   É converter a prosperidade em privação.

 

O veto presidencial atingiu em cheio os FIIs, com quase 3 milhões de investidores e patrimônio superior a R$ 300 bilhões, e que têm um terço de seus recursos destinados a crédito.

 

Além do mais, abarcou também os Fiagros, um instrumento que majoritariamente financia o campo e beneficia mais de 600.000 investidores, principalmente pequenos poupadores.

 

É isso mesmo.

 

O governo que taxar esses fundos, o que afetará profundamente o Agro nacional.

 

Será que ninguém no governo federal sabe que o crédito privado se apresenta como uma alternativa ao crédito público, que muitas vezes é insuficiente para atender a toda a demanda do setor agrícola?

 

Para piorar, também atinge os alicerces da construção civil, que utiliza esses recursos para levar moradias a milhares de brasileiros.

 

Ninguém fez a conta de quanto isso vai afetar na geração de empregos?

 

Ou como isso vai aumentar os juros e diminuir a oferta de crédito?

 

O “Midas ao contrário” alvejou os dois setores mais importantes da nossa economia: o Agro e a construção civil.

 

O crédito privado, hoje mais de 60% dos recursos que circulam no campo, desempenha um papel crucial na agricultura, sendo essencial para o financiamento da produção, investimento em tecnologia e modernização do setor.

 

Além do mais, é um tipo de crédito que tende a ser menos burocrático e mais ágil do que o crédito público, o que é vital para o setor agrícola, onde os prazos são apertados e as decisões precisam ser tomadas rapidamente.

 

Esse veto presidencial é um ato de arrogância.

 

Essa arrogância surge quando esses iluminados de Brasília pensam que o Agro é um lugar simples que seria fácil de consertar se tivéssemos a vontade política de colocar as pessoas certas no poder ou de fazer as políticas certas.

 

Esses vulgos especialistas vão sim abrir as portas para uma imensa crise financeira, elevando juros, restringindo a oferta de crédito e desacelerando os poucos setores econômicos que ainda avançam nesse momento de nossa história econômica.

 

É ou não é um “Midas ao contrário”? (Antonio Cabrera foi Ministro da Agricultura e Reforma Agrária)