Minerva tem lucro líquido de R$ 196,9 milhões no 2º trimestre, queda de 57%
Unidade industrial da Minerva Foods. Empresa registrou queda de 57% no lucro — Foto Minerva Foods
Pesaram sobre o balanço a redução do Ebitda, despesas financeiras e uma variação cambial que não tem efeito prático sobre o caixa da companhia.
A Minerva, líder na América do Sul na exportação de carne bovina in natura e derivados, registrou lucro líquido de R$ 196,9 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 57% em relação aos R$ 458,3 milhões de igual período do ano passado, segundo comunicado de resultados divulgado nesta quarta-feira.
A queda decorreu da redução do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), bem como de despesas financeiras, incluindo uma variação cambial negativa em R$ 35,2 milhões, que se compara com uma variação cambial positiva de R$ 128,6 milhões no segundo trimestre de 2025, disse o diretor financeiro, Edison Ticle, em entrevista a jornalistas. A variação cambial tem efeito não-caixa.
O Ebitda da Minerva no segundo trimestre diminuiu 5,5%, para R$ 1,230 bilhão, em comparação a R$ 1,302 bilhão reportados um ano atrás. A receita líquida, em contrapartida, aumentou 1,3%, chegando a R$ 14,1 bilhões, com um abate de 1,434 milhão de cabeças, pouco menor (3,8%) do que no mesmo período de 2025.
Nos 12 meses encerrados em junho, a Minerva registrou receita líquida recorde para o período, de R$ 57,2 bilhões.
A receita bruta com as exportações, de R$ 8,522 bilhões, representou 57% do total, puxada por vendas à China, Estados Unidos, Chile e ao próprio Brasil, destino de cerca de 20% das exportações da Minerva a partir de outros países da América do Sul, em especial do Paraguai. O montante foi 3,5% inferior ao de um ano atrás.
A companhia viu sua alavancagem — relação entre a dívida líquida e o Ebitda de 12 meses encerrados no período — aumentar para 2,9 vezes no segundo trimestre, de 2,7 vezes no primeiro, principalmente por investimentos em capital de giro de cerca de R$ 1,1 bilhão para formar estoques de carne bovina que atenderão especialmente China e Estados Unidos e serão faturados no segundo semestre.
Na conta estão tanto recebíveis de pagamentos maiores, de R$ 600 a R$ 700 milhões, que refletem em boa medida vendas aos chineses e serão quitados quando o produto chegar no destino, quanto estoques, incluindo recursos destinados a confinamentos, segundo Ticle.
“Nunca tivemos tantos estoques, seja na água, nos destinos ou nas origens. Estamos prontos para realizar esses estoques no segundo semestre, exatamente como fizemos no ano passado”, afirmou Ticle.
Minerva manterá exportações para a China
No segundo semestre, mesmo com o preenchimento, pelo Brasil, da cota de exportação de carne bovina para a China sem tarifa adicional de 55%, a Minerva continuará exportando ao país a partir de suas operações na Colômbia, Uruguai e Argentina. A perspectiva é manter em 2026 o volume exportado ao país pela companhia no ano passado, mesmo tendo o Brasil uma cota menor do que o volume exportado em 2025, segundo Ticle.
A Minerva também vê uma demanda “muito forte” de outros mercados importadores da carne bovina brasileira, em especial os Estados Unidos, que atravessam um longo período de escassez de gado e preços da carne em alta, de acordo com o diretor presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz. Menor oferta de gado e aumento dos preços na Austrália também favorecem as exportações da América do Sul.
“Os preços continuam subindo e isso nos dá base para a estratégia de ter construído estoques nos Estados Unidos e na China, e aproveitar esse aumento de preços no segundo semestre, para provavelmente vender melhor e melhorar a rentabilidade”, disse Ticle.
A Minerva também espera manter as exportações para a Europa com produtos de outros países onde atua, como Argentina, Uruguai e Paraguai, a partir do momento que o bloco parar de comprar carne bovina do Brasil — o que é previsto para 3 de setembro —, segundo Queiroz.
Os europeus retiraram o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal àquele mercado, alegando que o país falhou em comprovar o cumprimento de exigências relacionadas a antimicrobianos, como não usá-los como promotores de crescimento nem utilizar medicamentos destinados a humanos.
“Isso deve-se traduzir em preços mais altos dentro da Europa para a carne importada lá. O Brasil, por sua vez, terá outros mercados para redirecionar os produtos que tradicionalmente vão para Europa”, disse.
A favor da empresa também há a perspectiva de queda dos preços do boi gordo, principal custo da produção. Ticle disse que a companhia espera maior oferta de gado de confinamento no segundo semestre, em virtude de uma equação “favorável ao confinador” no primeiro semestre, com grãos mais baratos e preços atrativos de animais para reposição (bois magros).
“Devemos ver mais oferta de boi, redução de abate de alguns frigoríficos que não têm acesso a outros mercados que não China, isso deve contribuir para arrefecer um pouco o preço do boi”, disse (Globo Rural, 12/8/26)

