Moagem de cana caiu em junho no Centro-Sul e reduziu oferta de açúcar
Usinas estão priorizando a produção de etanol em detrimento do açúcar — Foto: Wenderson Araujo/CNA
A produção de etanol, por sua vez, teve crescimento no período.
O ritmo de processamento de cana-de-açúcar no Centro-Sul recuou no fim de junho e ajudou na redução da produção de açúcar do mês. Com isso, desde o início da safra 2026/27 na região até o fim de junho, a produção da commodity já está 1,5 milhão de toneladas menor do que no mesmo período da safra passada, de acordo com dados da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) divulgados nesta quinta-feira (6/8).
A associação informou que, em junho, o volume de moagem de cana-de-açúcar foi de 69,791 milhões de toneladas, uma redução de 14,5% na comparação com junho do ano passado. A Unica divulgou dados agregados por mês, e não mais por quinzena, como historicamente fez. Na primeira quinzena, o Centro-Sul processou 38,78 milhões de toneladas, caindo para 31 milhões de toneladas na segunda quinzena.
No acumulado dos três primeiros meses da safra, o volume de cana processado ficou em 214,470 milhões de toneladas, uma alta de 3,82%.
Como as usinas estão priorizando a produção de etanol em detrimento do açúcar, por causa dos baixos preços internacionais da commodity, a redução da moagem fez com que a fabricação do adoçante recuasse ainda mais em junho. O volume produzido no mês foi 26,33% menor do que um ano antes e ficou em 3,903 milhões de toneladas. No acumulado da safra, a produção de açúcar somava 10,754 milhões de toneladas, uma queda de 12,38% (ou 1,5 milhão de toneladas) na comparação anual.
A produção de etanol, por sua vez, teve crescimento em junho. O volume total produzido (anidro e hidratado) cresceu 2,47%, para 3,796 bilhões de litros. As usinas priorizaram a produção de etanol anidro, que aumentou 8,06%, para 1,536 bilhão de litros, enquanto a produção do hidratado recuou 1%, para 2,260 bilhões de litros.
Do total de etanol obtido em junho, 20,98% foram fabricados a partir do milho, soando 796,13 milhões de litros.
No acumulado da safra, a produção dos dois tipos de etanol tem crescimento na casa dos dois dígitos. Enquanto a fabricação de etanol anidro de abril a junho já aumentou 24,59%, para 4,120 bilhões de litros, a de hidratado subiu 18,20%, para 7,245 bilhões de litros.
Vendas de etanol
As usinas do Centro-Sul aumentaram suas vendas de etanol em junho tanto do anidro (aditivo da gasolina) quanto do hidratado (que compete com o derivado fóssil nas bombas), com destaque para o crescimento do renovável utilizado na mistura da gasolina.
De acordo com a Unica, o volume de vendas de etanol anidro no mercado interno em junho cresceu 26,4% em relação ao mesmo mês do ano passado e alcançou 1,243 bilhão de litros.
No caso do etanol hidratado, houve aumento de 4,2% no volume de vendas em junho, para 1,777 bilhão de litros. Mesmo com as vendas aquecidas, os estoques continuam a se acumular, já que a produção está maior nesta safra.
No total, incluindo as vendas ao mercado externo, as usinas comercializaram 3,120 bilhões de litros de etanol em junho, um incremento de 11,5% na comparação anual.
Apesar das vendas em alta, os estoques registrados junto ao governo continuam crescendo também. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, o volume de etanol hidratado nos estoques físicos do Centro-Sul em 15 de julho deste ano era de 3,473 bilhões de litros, um volume 45% maior do que o registrado na mesma data do ano passado. No caso do etanol anidro, os estoques físicos em 15 de julho somavam 1,933 bilhão de litros, 17% acima do nível registrado um ano antes.
Os estoques de hidratado estão particularmente mais elevados em Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, onde os volumes estavam 76%, 90% e 96% maiores em 15 de julho deste ano do que na mesma data do ano passado.
Desde o início da safra 2026/27 no Centro-Sul, as usinas já destinaram 57,48% da cana-de-açúcar processada para a produção de etanol, uma fatia bem maior do que no mesmo acumulado da safra passada, quando o etanol foi o destino de 48,96% da cana.
Além disso, a produção de etanol de milho também está maior. Segundo a Unica, a produção de etanol a partir do cereal no acumulado da safra até o fim de junho cresceu 9,96% na comparação com igual período do ano passado e somava 2,39 bilhões de litros (Globo Rural, 6/8/26)

