11/03/2026

Moraes autoriza visita de assessor de Trump a Bolsonaro na prisão

Moraes autoriza visita de assessor de Trump a Bolsonaro na prisão

 

Foto Darren Beattie/U.S. Department of State

 

Encontro deverá ocorrer em 18 de março, dentro do horário regular de visitas da Papuda.

 

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou nesta terça-feira (10) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) receba na prisão a visita de Darren Beattie, assessor do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

 

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e está detido no Complexo da Papuda, em Brasília.

 

Na decisão, Moraes rejeitou o pedido da defesa para que a visita ocorresse de forma excepcional nos dias 16 ou 17 de março, fora do calendário regular de visitas do presídio.

 

Segundo o ministro, não há previsão legal para alterar datas específicas de visitação, que devem seguir as regras administrativas do estabelecimento prisional.

 

“Os visitantes devem se adequar ao regime legal do estabelecimento prisional e não o contrário”, afirmou Moraes.

 

Com isso, o ministro autorizou que o encontro ocorra na quarta-feira, 18 de março, das 8h às 10h, dentro do horário regular de visitas permitido na unidade prisional (CNN, 10/3/26)

 



Assessor de Trump que Bolsonaro quer ver atacou Moraes

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom Agência Brasil

 

Por Jussara Soares

 

Próximo de Eduardo, Darren Beattie é apontado como responsável por articular aplicação da Lei Magnitsky contra ministro que vai decidir sobre visita a ex-presidente.

 

       

O assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o ex-presidente Jair Bolsonaro quer receber na prisão já fez ataques públicos ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e é apontado como um dos responsáveis pela aplicação de sanções contra o magistrado com base na Lei Magnitsky.

 

Como mostrou a CNN, a defesa de Bolsonaro pediu a Moraes nesta terça-feira (10) autorização para que o americano Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado americano, visite o ex-presidente, que cumpre pena na Papudinha após condenação por tentativa de golpe de Estado.

 

Beattie é considerado um aliado próximo da família Bolsonaro, especialmente do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No governo Trump, ele passou a atuar em cargos de alto escalão no Departamento de Estado e foi designado para acompanhar temas relacionados ao Brasil.

 

O assessor já protagonizou críticas diretas ao ministro do Supremo. Em publicações nas redes sociais em agosto do ano passado, classificou Moraes como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores”.

 

Na mesma linha, afirmou que os “flagrantes abusos de direitos humanos” atribuídos ao ministro justificariam sanções impostas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky.

 

Ao compartilhar uma nota do Departamento de Estado (equivalente ao Itamaraty) criticando a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), ele alertou outros magistrados a não apoiarem o ministro Alexandre de Moraes.

 

"Os aliados de Moraes na Suprema Corte e em outros lugares são fortemente aconselhados a não auxiliar ou encorajar o comportamento sancionado de Moraes", escreveu o funcionário de alto escalão dos EUA.

 

A aplicação da Lei Magnitsky no fim de julho provocou forte reação no Brasil e abriu uma crise diplomática entre os dois países. A sanção só foi retirada em dezembro, após aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o americano Donald Trump.

 

Interlocutores do governo brasileiro e do STF passaram a atribuir a Beattie papel relevante na articulação política das sanções dentro da administração Trump.

 

A aproximação de Beattie com o bolsonarismo se intensificou nos últimos anos. O americano se reuniu com Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e tem sido um dos principais defensores da tese de que decisões do STF no Brasil representam restrições à liberdade de expressão (CNN, 10/3/26)