27/08/2025

MT: Tecnologia garante três safras por ano e produção recorde no campo

MT: Tecnologia garante três safras por ano e produção recorde no campo

Na Fazenda Primavera, filho do produtor Valter Peruzi controla sistema pelo aparelho celular  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

 

Por José Maria Tomazela

 

O Estadão percorreu mais de 2 mil quilômetros em Mato Grosso, pelo projeto Supersafra — cobertura multimídia que reúne reportagens digitais semanais, cadernos impressos, vídeos, boletins de rádio e conteúdos para redes sociais, destacando a produção em campo, as inovações tecnológicas e os desafios do setor, até o final de outubro.

 

safra brasileira de 2025 deve totalizar 340,5 milhões de toneladas, 47,7 milhões a mais do que em 2024, um avanço de 16,3%. A soja deve subir 14,2%, para o recorde de 165,5 milhões de toneladas, e o milho crescer 19,9%, para 137,6 milhões. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também são previstas altas em arrozfeijãoalgodãosorgo e trigo.

 

Os números recordes refletem os investimentos dos produtores, para o aumento de produtividade, em tecnologia. Na Fazenda Primavera, em Sorriso (MT), o produtor Valter Peruzi controla pelo celular 21 pivôs que irrigam 3,2 mil hectares.

 

No campo, colhedoras — incluindo uma máquina de R$ 8 milhões — operam com piloto automático, enquanto um avião aplica defensivos. A irrigação permite três safras por ano: soja, milho ou algodão e feijão.

 

O arroz também entra na rotação, com 5 mil toneladas estocadas. Alguns pivôs, abastecidos por captação e poços, chegam a 820 metros e cobrem área equivalente a 220 campos de futebol. A fazenda já recebeu visitantes de Israel, referência em irrigação.

 

Plano Safra 2025/26 destinou R$ 2,75 milhões ao Proirriga, alta de 5,8%. A Lindsay, fornecedora da tecnologia da Fazenda Primavera, estima retorno em 3 anos e 4 meses, mesmo com juros entre 10,5% e 12,5%. Segundo o revendedor Rodrigo Borges, a produtividade cresce 30% com irrigação.

 

Tecnologias sustentáveis

 

Com mudanças no clima, tecnologias sustentáveis são inevitáveis, diz Cornélio Zolin, da Embrapa Agrossilvipastoril. “O produtor já percebeu que precisa investir na proteção e recuperação do solo.”

 

Em Santa Carmem (MT), o produtor Invaldo Weiss adota há 12 anos o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Soja e milho são plantados no pasto com braquiária, entre fileiras de eucalipto. “O sombreamento deu mais conforto às matrizes (vacas de cria) e a adubação melhorou a pastagem.”

 

Na safra deste ano, Weiss colheu 160 sacas de milho e 78 de soja por hectare, recorde sem irrigação. Também fez a primeira colheita de eucalipto: uma fileira rendeu 450 m³ de madeira. Fora do sistema com floresta, usa mix de seis capins indicados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que retêm umidade, nutrem o solo e alimentam o gado.

 

Já na Fazenda Esperança, a produção de bezerros é programada com a biotecnologia Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que sincroniza a ovulação das vacas para inseminação simultânea, aumentando a eficiência reprodutiva. Os bois terminam a engorda em confinamento, alimentados também com resíduos de cereais do secador.

 

Aproveitamento total

 

Com Integração Lavoura-Pecuária (ILP), a Fazenda Renascer, em Diamantino (MT), alia tecnologia e sustentabilidade para

produzir sem desmatar. Metade dos 7 mil hectares é mata nativa e, com áreas arrendadas, as lavouras de soja e milho somam 12 mil hectares. “Trabalhamos com três moedas: soja, milho e carne. Agora investimos na quarta: o gergelim”, diz o produtor Gilson Antunes de Melo. A cultura ocupa 5 mil hectares e quase toda a produção vai para exportação à Ásia.

 

Os investimentos incluem sete colheitadeiras de alta tecnologia, armazéns, silos e secadores operados por sensores. O destaque é o sistema ILP: mesmo após 60 dias sem chuva, a braquiária está verde e alimenta 3 mil cabeças de gado. A palhada preserva a umidade, enquanto saliva e esterco do gado enriquecem o solo (Estadão, 27/8/25)