Novas regras para soja favorecem tradings
Perdas nas lavouras devido ao excesso de chuvas. Foto Reprodução Blog CNN
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Por Fernanda Pressinott
Mudanças na inspeção ocorreram na última semana. Antes, certificados sanitários eram emitidos quando navios já estavam no mar, gerando riscos e custos.
O Ministério da Agricultura modificou os procedimentos de fiscalização aplicados às cargas de soja destinadas à exportação para a China. A decisão foi tomada após solicitações de empresas tradings do setor e as mudanças foram oficializadas na última sexta-feira (13) pelo Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional.
Pelas novas regras, as amostras de soja que serão submetidas à inspeção passarão a ser coletadas pelas empresas supervisoras contratadas pelas tradings, enquanto o Ministério da Agricultura continuará analisando 10% de todo o carregamento. A medida visa agilizar o processo de emissão dos certificados sanitários, que antes eram emitidos quando os navios já estavam em alto-mar.
O mercado reagiu fortemente quando a Cargill anunciou a suspensão temporária das exportações de soja brasileira para a China. A situação pegou o governo de surpresa, especialmente porque outras empresas como Bunge e COFCO também haviam paralisado as exportações, mas não tinham feito anúncios públicos sobre isso.
Impacto no comércio de soja
O impasse nas negociações resultou em uma queda significativa no volume comercializado. Na semana passada, o país negociou apenas 1,5 milhão de toneladas de soja, volume quatro vezes menor do que o normal para esta época do ano, que costuma ficar entre 4 e 5 milhões de toneladas.
A exigência chinesa de tolerância zero para ervas daninhas nos carregamentos de soja brasileira motivou o aumento da fiscalização. No fim do ano passado, 17 navios chegaram à China com ervas daninhas no carregamento, o que levou o país asiático a reforçar as medidas para evitar qualquer tipo de contaminação (CNN, 16/3/54)

