O abismo entre o discurso e o prato – Por Paula Sousa
Imagem Instagram
O Brasil vive hoje uma espécie de alucinação coletiva induzida. De um lado, temos as telas: gráficos coloridos, colunas celebrando "números recordes" e economistas de gabinete sorrindo para estatísticas oficiais. Do outro lado, temos a vida: o carrinho de supermercado cada vez mais vazio e o boleto da farmácia que vira dívida no cartão. É o fenômeno do "acredite no que eu digo, e não no que seus olhos veem".
Para entender o fracasso econômico do governo Lula 3, não é preciso ser um gênio das finanças. Basta olhar para o elo invisível que une a inadimplência recorde, a desigualdade crescente e a maquiagem dos dados. O governo atual não é o "pai dos pobres"; ele se tornou, na prática, um motor de concentração de riqueza.
A bigorna da realidade: Dívida não é consumo, é sobrevivência
O dado mais assustador deste governo não vem do PIB, mas do bolso das famílias. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), em abril, atingimos um recorde histórico: 80,9% das famílias brasileiras estão endividadas. É o quarto mês seguido de máxima histórica.
Mas aqui entra o primeiro malabarismo: tentar convencer você de que as pessoas estão devendo porque o "consumo aumentou". Uma análise da CNN Brasil e da pesquisa Nexus derruba essa farsa. O endividamento atual é por necessidade básica. O brasileiro não está se endividando para trocar de carro; ele está passando o cartão para comprar arroz, feijão e remédio.
Quando 83,6% das famílias que ganham até três salários mínimos estão atoladas em dívidas, o nome disso não é "aquecimento", é desespero. Conforme destacado pela CNN, o brasileiro enfrenta a escolha trágica entre comer ou pagar o banco. É o "arroz com salsicha" — e isso quando tem a salsicha.
O banquete de Brasília pago com as suas moedas
Enquanto o povo conta moedas, a máquina federal opera em outra galáxia de prioridades. Em 2025, o governo Lula atingiu a marca escandalosa de R$ 2,5 bilhões gastos apenas com viagens, o maior valor em 11 anos, superando os tempos de Dilma Rousseff. Se ampliarmos a categoria para diárias, passagens e locomoção, o portal Poder 360 aponta que a conta chega a R$ 3,88 bilhões.
A contradição é violenta: o mesmo governo que aumenta impostos e dificulta a vida do empreendedor é o que gasta R$ 13 milhões em passagens apenas para Paris em um único ano. O escárnio com o dinheiro público ganha contornos de mistério quando descobrimos que R$ 418 milhões desses gastos estão protegidos por sigilo. O cidadão paga a conta, mas não tem o direito de saber quem viajou, para onde foi ou o que foi fazer.
Vemos casos como os relatados pela Revista Oeste, em que uma única viagem a Singapura custou R$ 260 mil, ou agendas ligadas a "culturas ancestrais" no Benim que consumiram R$ 160 mil. Enquanto a primeira-dama Janja da Silva lidera comitivas gigantescas sob escrutínio público, o Ministério da Justiça registra diárias de hotel que chegam a R$ 128 mil em uma única jornada. Em Brasília, a regra parece ser: austeridade para o povo, primeira classe para os amigos do rei.
A matemática da desigualdade: O rico fica mais rico, o pobre paga a conta
A maior peça de propaganda da esquerda é a "justiça social". No entanto, os jornais trazem o choque de realidade. O jornal O Globo foi direto: “A desigualdade volta a subir em 2025; a renda dos mais ricos cresce o dobro da dos mais pobres”. Enquanto o rendimento dos 10% mais pobres subiu apenas 3,1%, o dos 10% mais ricos saltou 8,7%.
O portal UOL reforçou o paradoxo: “Desigualdade cresce, apesar da renda do brasileiro ser a maior da história”. Como isso é possível? A explicação é técnica, mas simples:
- O "Imposto Invisível": O governo Lula gasta mais do que arrecada. Isso gera inflação. O rico protege seu dinheiro em dólar ou investimentos. O pobre gasta tudo o que ganha em comida. Quando o preço do alimento sobe, o pobre perde tudo; o rico continua rico.
- A Armadilha dos Juros: Para tentar segurar a inflação causada pelos gastos do governo, o Banco Central mantém os juros altos. O rico, que tem dinheiro sobrando, ganha fortunas deixando o dinheiro parado rendendo juros. O pobre, que precisa parcelar uma geladeira ou o próprio mercado, paga juros abusivos. O sistema atual tira dinheiro de quem tem pouco para pagar rendimentos para quem tem muito.
O "pochmanismo" e a farsa dos números oficiais
A mídia e o governo tentam usar o IBGE, agora sob a gestão de Márcio Pochman, para desenhar um país que não existe. A Folha de S. Paulo se pergunta: “Por que o desempenho econômico de Lula 3 não se converte em popularidade?”. A resposta é que o povo não come estatística.
A inflação "oficial" pode parecer baixa nos relatórios, mas o portal Publica.org explica o que o governo esconde: “Inflação de alimentos: entenda por que comer no Brasil ficou tão caro”. O governo usa os juros para segurar o preço de produtos que o rico consome (como eletrônicos e carros), mas os alimentos continuam subindo devido aos impostos e ao custo do combustível. Para o povo, a inflação que importa é a do prato, e essa não para de crescer.
Além disso, a propaganda do "pleno emprego" ignora a qualidade das vagas. Os dados mostram que os empregos criados estão concentrados na faixa de 1 a 1,5 salário mínimo. Ou seja, são subempregos de baixa qualificação e baixa renda, enquanto os bons empregos estão sumindo. O Brasil, como diz o editorial do Estadão, "escolheu o atraso". O jornal afirma que as decisões erradas e a falta de reformas refletem interesses políticos de curto prazo em vez de crescimento real.
O elo de ligação: O Estado como vilão
Unindo os pontos, a conclusão é cristalina: o governo Lula 3 repete os erros da década de 80. O modelo de usar o Estado como motor da economia só gera voo de galinha e queda brusca. A revista Exame traz um alerta sombrio: “Brasil envelheceu sem ficar rico e precisará de muitas reformas”. O INSS é uma bomba-relógio que o governo finge não ver enquanto cria programas eleitoreiros como o "Pé de Meia".
Até mesmo as notícias que parecem positivas escondem uma ironia. A BBC News publicou: “Por que investidores estrangeiros avaliam que Brasil vive ‘momento de ouro’ na economia”. O motivo? Não é o sucesso de Lula, mas a aposta do mercado de que esse modelo vai fracassar e que o governo será substituído por uma gestão mais liberal e austera em breve. Eles estão comprando empresas brasileiras agora porque o preço está "na bacia das almas" devido à desconfiança com o governo atual.
Conclusão: A Realidade não Aceita Desaforo
A "tempestade perfeita" está se formando, como alerta o NDMais. O custo dos alimentos deve continuar sendo um risco até 2027 devido às "lambanças" fiscais.
O resumo do governo Lula 3 é simples: recorde de famílias endividadas por necessidade básica (CNC), aumento da distância entre ricos e pobres (O Globo/UOL) e uma elite intelectual na USP e na UERJ tentando explicar por que você deveria estar feliz enquanto sua conta não fecha.
Não se deixe enganar pelos malabarismos retóricos. Se o seu bolso está mais leve e o mercado está mais caro, essa é a única verdade que importa. A bigorna da realidade está caindo, e ela não perdoa quem tenta governar apenas com propaganda. O "Pai dos Pobres" está, na verdade, deixando os filhos endividados e a mesa vazia. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 12/5/2026)

