O Carnaval da hipocrisia nacional – Por Rodrigo Simões
Entramos na semana do Carnaval, tempo de alegria, criatividade e crítica social. Mas, no Brasil real, a folia política insiste em desfilar fora do compasso. Entre sambas-enredo improvisados, fantasias repetidas e baterias desafinadas, alguns temas retornam à avenida com ironia involuntária. Nesta edição, organizamos os fatos como pílulas — com humor responsável quando o absurdo pede — sem perder a seriedade que o momento exige.
Unidos do Banco Master
Se há uma escola que chamou atenção neste pré-Carnaval, foi a que desfila cifras altas e perguntas sem resposta. O caso Banco Master expõe relações, visitas e contratos que pedem luz total. Transparência não é adereço: é regra. E, quando falta, o desfile perde legitimidade.
Acadêmicos do INSS
Entre alas e comissões, o silêncio sobre a CPMI do INSS ecoa na arquibancada. O povo quer explicações, não coreografias evasivas. Quando representantes evitam o debate, a plateia percebe: não é prudência — é omissão.
Estação Primeira do Triplex
O enredo é antigo, mas insiste em voltar à avenida. Histórias mal explicadas, versões que se alternam e a tentativa de tratar o passado como fantasia. O problema é que fatos não se dissolvem ao som do samba.
Grêmio Escola de Samba Lula nunca sabe de nada
A alegoria da ignorância recorrente tenta convencer que ninguém viu, ninguém assinou, ninguém participou. A ironia é inevitável: quando tudo acontece ao redor, a alegação de desconhecimento soa como refrão repetido.
Mocidade Unida do Sítio de Atibaia
Outro clássico que retorna à Sapucaí política. O público conhece o roteiro e espera respostas à altura. Carnaval passa; a cobrança permanece.
TCU não é Palco
Ao atacar o TCU por barrar o uso de verba pública para homenagens políticas em ano eleitoral, Gleisi Hoffmann ultrapassa o razoável. Classificar o cumprimento da lei como “preconceito” não sustenta o argumento. Elegância institucional pede respeito às regras — sobretudo quando o dinheiro é público.
Dinheiro Público Não é Confete
Sou totalmente contrário à destinação de recursos públicos para escolas de samba — em ano eleitoral ou não. O que deveria ser popular e espontâneo vira instrumento para confundir a população. Cultura se fortalece com autonomia; propaganda não se disfarça de festa.
Um Histórico Que Pesa
O acúmulo de escândalos e episódios de corrupção envolvendo o PT e aliados não é detalhe de fantasia. É histórico documentado. Ignorar isso não melhora o desfile — apenas aprofunda a descrença.
O Desfile Que Estourou o Tempo
Causa espanto saber que o banqueiro Daniel Vorcaro esteve 17 vezes no Banco Central em 2025, em quatro áreas distintas, chegando a oito horas em um único dia. Na Sapucaí, estouraria o tempo regulamentar. Na vida pública, o mínimo esperado é explicação clara e transparente.
Lealdade Fora do Compasso da Conveniência
Para fechar, um contraponto necessário. A lealdade do empresário do agro Paulo Junqueira ao presidente Jair Bolsonaro se mostrou em gesto, não em discurso. Autorizado a visitá-lo na Papudinha, levará carinho, força e solidariedade. Atitude de caráter, amizade verdadeira e lealdade — representando milhões de brasileiros indignados com o que veem.
(Rodrigo Simões, Jornalista • Administrador de Empresas, Pós-graduado em Gerente de Cidades – FAAP, 2× Vereador por Ribeirão Preto • Presidente da Câmara (2017), Ex-Presidente da FUNTEC, Colunista – Brasil Agro e Apresentador do Podcast Clube do Povo; 9/2/26)

