O fim do encanto:O desespero de Lula e o fenômeno Flávio – Por Paula Sousa
Imagem reprodução Blog Disparadacombrr
O cenário político brasileiro em 2026 desenha uma situação que os marqueteiros do Planalto tentam, a todo custo, camuflar com slogans requentados. Enquanto o governo atual se perde em um labirinto de promessas recicladas, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas disparou um sinal de alerta nos porões da esquerda. O que vemos hoje não é apenas uma disputa eleitoral antecipada, mas o retrato de um sistema que envelheceu mal, lutando contra uma realidade que ele já não consegue mais manipular.
A fábrica de conexões etéreas e o "jogo sujo"
A estratégia para tentar frear a ascensão de Flávio Bolsonaro beira o ridículo. Como não existem provas diretas ou malas de dinheiro para exibir, a tática agora é a "engenharia de vínculos". É quase uma ciência criativa: pegam o irmão de um contador, que talvez conheça um advogado, que uma vez tomou café perto de alguém investigado, e tentam colar isso no senador. É a política dos "seis graus de separação" levada ao limite do absurdo.
Enquanto tentam fabricar um escândalo por associação para Flávio, o silêncio sobre casos com evidências físicas e mensagens diretas envolvendo o entorno de Lula é ensurdecedor. O objetivo é claro: criar manchetes. Não importa se a acusação vai parar no lixo na semana seguinte; o que vale é a foto de capa, o comentário no telejornal e a tentativa de jogar lama para ver se algo gruda. O desespero de 2026 já começou, e ele tem o cheiro de mofo de quem não tem nada de concreto para apresentar.
O malabarismo da mídia e a "direita rachada"
A grande mídia, que atua como uma extensão do departamento de comunicação do governo, faz um esforço enorme para convencer o público de que a direita está em frangalhos. É fascinante observar o malabarismo retórico: qualquer discordância natural entre aliados é tratada como uma "guerra civil", enquanto o apoio sólido da base bolsonarista é convenientemente ignorado.
Dizem que o sobrenome Bolsonaro é um peso, uma "herança maldita". No entanto, as pesquisas insistem em desmentir essa narrativa. Quando os números mostram Flávio em empate técnico com o atual ocupante do Planalto, a imprensa se apressa em explicar que a liderança — mesmo que dentro da margem de erro — é "isolada" para um lado e "surpreendente" para o outro.
Eles tentam inflar candidatos de centro, os chamados "moderados", na esperança de dividir o voto conservador. Mas o eleitor já percebeu o truque. O apoio de Jair Bolsonaro a Flávio não é apenas uma questão de nome; é o selo de quem o povo identifica como o verdadeiro contraponto ao sistema. A tentativa de vender uma direita desunida cai por terra quando se percebe que, no final do dia, a massa sabe exatamente para onde olhar.
Lula: O maestro de uma orquestra desafinada
Do outro lado, temos um presidente que parece ter ficado preso em uma cápsula do tempo de 30 anos atrás. O discurso é sempre o mesmo: "estávamos reconstruindo", "agora é a colheita", "agora é a entrega". Mudam o rótulo, mas o conteúdo da garrafa continua sendo chorume.
É cansativo observar a repetição de fórmulas que já não encontram eco na sociedade moderna. Lula tornou-se um personagem analógico em um mundo digital. Ele acredita que pode controlar a percepção popular através de marqueteiros caros e discursos em ambientes controlados, ignorando que a internet não perdoa contradições.
A entrega de boletos e a velhice ideológica
Em 2024 prometeram colheita. Em 2025, de novo. Agora, para 2026, a promessa é a "entrega". O problema é que a única coisa que o brasileiro está recebendo em casa com pontualidade são novos impostos, taxas de importação e um custo de vida que faz o salário evaporar no supermercado. A equipe econômica parece ter uma criatividade infinita para inventar tributos e uma incapacidade absoluta de gerar empregos reais que não dependam de bicos ou aplicativos.
O desgaste não é apenas físico; é um esgotamento de ideias. O governo atual é o retrato da "velhice de espírito". Tenta-se governar com práticas de assistência desenhadas para a compra de apoio em regiões mais pobres, como o programa gás para todos, que ignora a dignidade do cidadão em favor da dependência estatal. É a política do "toma lá, dá cá" disfarçada de justiça social.
O descolamento da realidade
O grande erro da esquerda e de seus satélites midiáticos é acreditar que o povo ainda é aquele do início do milênio. Eles não percebem que o eleitor "do meio", aquele que decide eleições, está vendo a inflação na gôndola enquanto ouve na TV que a economia vai bem. Estão vendo a insegurança nas ruas enquanto o governo discute democracia em salas com ar-condicionado.
O crescimento de Flávio Bolsonaro é o resultado direto desse vácuo. Ele fala com um tom que atrai quem está cansado da gritaria, mas mantém a firmeza de quem não se curva ao sistema que o persegue. Ele é a prova de que a tentativa de destruir o bolsonarismo apenas o fortaleceu como o único refúgio contra o avanço de uma agenda que o brasileiro médio rejeita.
A briga com o Congresso e o destino de 2026
Enquanto isso, o Planalto vive em pé de guerra com o Legislativo. Promete-se diálogo, mas entrega-se veto e manobras judiciais para forçar a manutenção de impostos. O governo trata parlamentares como subalternos e depois se surpreende quando as derrotas se acumulam. A relação com o Judiciário também é uma corda bamba: se o presidente defende cegamente certas figuras, afunda junto com a rejeição delas; se se afasta, perde o escudo que o protege.
A verdade é que a tal "frente ampla" nunca existiu. Foi apenas uma maquiagem para um governo de extremos que não sabe lidar com a oposição. O resultado é um isolamento cada vez maior, mascarado por viagens internacionais e discursos vazios.
O futuro já começou
O desespero que vemos hoje — o jogo sujo das acusações indiretas, o malabarismo estatístico da mídia e a repetição enfadonha de promessas de "entrega" — é o sintoma de um fim de ciclo. 2026 não será uma eleição sobre o passado, mas sobre quem consegue entender o presente.
A direita não está rachada; ela está se consolidando em torno da única alternativa que o sistema não consegue digerir. Flávio Bolsonaro não é apenas um candidato; ele é o lembrete diário de que o projeto atual de poder falhou em convencer o Brasil produtivo. O tempo de Lula passou, e não há marqueteiro ou manchete de jornal que consiga esconder o fato de que o rei, além de velho e repetitivo, está cada vez mais nu. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 3/2/2026)

