O grande plano do "Pato Manco" – Por Paula Sousa
Lula. Imagem Reprodução Youtube
Dizem que Brasília não é para amadores, mas o que estamos vendo ultimamente parece roteiro de comédia pastelão com toques de drama mexicano. O governo, que antes navegava em águas supostamente calmas, agora se encontra em um redemoinho onde a bússola quebrou e o capitão resolveu que a melhor estratégia para não afundar é tacar fogo no próprio navio. A derrota de Jorge Messias (o eterno "Bessias") para o STF não foi apenas um tropeço; foi o gatilho para uma reação em cadeia que envolve viagens internacionais de emergência, divórcios políticos litigiosos e uma guerra declarada contra o Congresso e o Judiciário.
O "Bessias" como Cordeiro Pascal
Para entender o presente, precisamos olhar para o cadáver político que ficou estirado no tapete do Senado na semana passada. Jorge Messias, o homem da confiança absoluta, foi rejeitado. A mídia tradicional, como o Estadão, logo apontou que o governo "bate cabeça" para entender o tamanho do vexame. Mas será que foi erro de cálculo? Ou será que Lula, mestre na arte de sobreviver, usou o próprio aliado como um sacrifício ritual?
A tese que ganha força nos bastidores é a de que Lula precisava de um motivo para romper com Alexandre de Moraes. O ministro, que antes era o "xerife" necessário para segurar a oposição, virou um fardo pesado demais. Com a popularidade do STF ladeira abaixo, manter-se grudado no "Xandão" é como abraçar uma âncora enquanto se tenta nadar. Assim, a derrota de Messias foi a desculpa perfeita: "Olha só, o Alexandre não me ajudou, ele me traiu!", diz a narrativa que o Planalto tenta emplacar na imprensa.
É o famoso "abandonar o Alexandre de Moraes" como estratégia de redução de danos, conforme sugeriu o jornalista Fabiano Lana. Se o Messias perdeu, a culpa tem que ser de alguém que não seja o Lula. E quem melhor para culpar do que o homem que todo mundo adora odiar?
Washington: O seguro de vida do Planalto
Enquanto o circo pega fogo em Brasília, Lula pega o avião. A viagem para se encontrar com Donald Trump em Washington, confirmada pelo jornal O Globo, tem todo o cheiro de um pedido de socorro disfarçado de visita de Estado. O cenário é de "Pato Manco".
O que Lula vai fazer lá? Além de tentar tirar uma foto para mostrar que ainda tem "prestígio internacional", há um cheiro de negociação pesada no ar. O boato nos corredores é que Lula foi oferecer a "cabeça" de Moraes em uma bandeja de prata para o republicano. Trump, que nunca escondeu seu desprezo pelas ações do STF contra a direita brasileira, estaria disposto a aliviar o "tarifaço" e as sanções da Lei Magnitsky se o Brasil " resolvesse" seu problema com o Judiciário.
Lula, então, faz o papel do negociador desesperado: promete fritar seu antigo aliado em troca de uma trégua econômica que salve o seu governo de um colapso antes de 2026. É a diplomacia da sobrevivência, onde o amigo de ontem é a moeda de troca de amanhã.
A guerra de todos contra todos
Mas não é só contra o STF que a corda está esticada. Davi Alcolumbre, o todo-poderoso do Senado, também entrou na mira. Segundo a coluna de Lauro Jardim, Lula decidiu que "vai ter volta". A estratégia agora é o confronto direto: tirar cargos de indicados de Alcolumbre e, soltar os cães da Polícia Federal sobre o escândalo do Banco Master.
O governo parece estar operando no modo "se eu cair, levo todo mundo junto". Ao incentivar investigações que podem respingar em Alcolumbre e até em ministros do próprio STF (como Toffoli e o próprio Moraes), Lula tenta em vão se desvincular do lamaçal. É o que Thomas Traumann descreveu como "Lula no modo sobrevivência". Ele diz "azar o deles" para seus próprios ministros e aliados quando forem pegos no rastro do Banco Master, tentando manter a imagem de um presidente que está "limpando a casa", quando na verdade está apenas tentando não ser soterrado pelo seu próprio lixo.
Conclusão: O grande blefe
O que vemos é um governo que perdeu a capacidade de articular e agora só sabe reagir. Lula tenta ser dois ao mesmo tempo: o "fortão" que peita o Congresso e o "fraquinho" vítima do sistema. Mas, na era da internet essa máscara não para mais no rosto.
A pergunta que fica é: até onde essa corda aguenta ser esticada? Ao brigar com Alcolumbre e Moraes simultaneamente, Lula pode estar cavando o próprio isolamento. Se o STF resolver revidar e o Congresso fechar de vez a torneira, o "Pato Manco" não vai apenas mancar; ele vai ficar paralisado. Por enquanto, a única coisa certa é que de tédio o brasileiro não morre. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 5/5/2026)

