O Judiciário na semana da Criação – Por Elio Gaspari
Imagem Reprodução X
Se o Judiciário brasileiro estivesse presente na semana da criação, ele obrigaria o padre eterno a:
1º dia: Deus criaria a luz, mas manteria nas trevas os processos envolvendo magistrados;
2º dia: Deus criaria o firmamento, separando uma área para os gabinetes e casas dos magistrados;
3º dia: Deus criaria as plantas e os pomares dos magistrados que teriam safras contínuas;
4º dia: Deus criaria os astros, com prioridade para familiares de magistrados e tribunais superiores e seus familiares;
5º dia: Deus encheria os mares com peixes e as águas dos magistrados com salmões;
6º dia: Deus criaria os animais e o ser humano, com imortalidade e juventude eterna para os magistrados;
7º dia: Deus descansaria, com direito a férias retroativas.
Farofas de Vorcaro com o alto escalão mostra que vícios da velha boemia persistem, com menos talento
Vulgaridade e o nouveaurichisme do ex-banqueiro lembram ópera francesa 'La vie parisienne'. Composição havia uma ária que prenunciava os farofeiros do século 21: chamava-se 'Je suis brésilien'
A vulgaridade e o nouveaurichisme das farofas de Daniel Vorcaro com hierarcas da República mostram que o tempo passa e os vícios persistem, com menos talento.
Na segunda metade da década de 1860, a ópera bufa "La vie parisienne", do compositor francês Jacques Offenbach, fez enorme sucesso na Europa. Nela havia uma ária que prenunciava os farofeiros do século 21, chamava-se "Je suis brésilien".
Ele cantava: "Eu sou brasileiro, tenho ouro; E venho do Rio de Janeiro; Mais rico hoje do que antes; Paris, retorno para você; Duas vezes eu já vim; Tinha ouro na minha mala; Diamantes na minha camisa; Quanto tudo isso durou?; O tempo de ter duzentos amigos; E de amar quatro ou cinco amantes; Seis meses de galantes bebedeiras; E mais nada; ô Paris, Paris!; Em seis meses, você me tirou; Tudo; (...) E venho, para que você me roube; Tudo que roubei lá embaixo".
Em 1867 estava na plateia o boêmio Juca Paranhos, filho do Visconde do Rio Branco e pai do futuro Barão. O "Brasileiro" de Offenbach pode estar na origem do termo "rastaquera".(Folha de São Paulo 4/10/26)

