16/07/2026

O limiar entre a sobrevivência e a dependência do Estado

O limiar entre a sobrevivência e a dependência do Estado

O assistencialismo no Brasil. Imagem Reprodução Dreamstime

 

Por Fabiana Lavanhini

 

A prática do assistencialismo no Brasil historicamente se traduz em ações de socorro imediato, de caráter essencialmente emergencial e caritativo. Cabe aqui um reforço crucial: trata-se de um amparo temporário. Enquanto a política pública de Assistência Social visa garantir direitos fundamentais por meio do Estado, o assistencialismo puramente remediador atua na urgência, sem contudo promover a autonomia estrutural do indivíduo e de sua família. Em suma, deveria ser uma ponte de transição até que o provedor do lar restabeleça sua capacidade de gerar renda.

 

O advento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) representou um inegável avanço na institucionalização dessa rede, buscando assegurar proteção social, inclusão produtiva e o patamar mínimo de dignidade. Trata-se de uma evolução de práticas que, até meados do século XX, eram dominadas pela benevolência e pela caridade informal. Hoje, sob a gestão do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, essa estrutura engloba desde programas de transferência de renda até auxílios emergenciais. Dados de setembro de 2025 apontam um contingente expressivo: cerca de 94 milhões de pessoas recebem algum tipo de benefício governamental no país.

 

O descompasso entre o auxílio e a porta de saída

 

É indiscutível que os recursos destinados a mitigar a fome e a miséria extrema são vitais. Disso não há divergência. O grande impasse reside na perpetuação dessa renda sem critérios rígidos de avaliação periódica e sem mecanismos que estimulem o retorno do cidadão ao mercado de trabalho formal — o único caminho real para o aumento do poder de compra e a conquista da independência financeira.

 

Os programas de transferência de renda deveriam, obrigatoriamente, caminhar lado a lado com políticas eficazes de inserção social. Em termos práticos, o benefício deveria funcionar como um trampolim para o crescimento pessoal, e não como uma âncora de dependência estatal. Uma alternativa pedagógica e justa seria vincular a concessão do auxílio à frequência obrigatória em cursos de qualificação técnica e profissionalizantes.

 

Em contrapartida, a realidade frequentemente expõe distorções graves. Tornaram-se comuns nas redes sociais registros de beneficiários saudáveis e aptos ao trabalho que, ao sacarem seus auxílios, ironizam o trabalhador formal que arca com a pesada carga tributária do país. São indivíduos plenamente capazes de produzir e garantir o sustento de suas famílias por esforço próprio, mas que se orgulham de viver à custa do erário público porque, na soma dos benefícios recebidos, superam o valor de um salário mínimo.

 

Até quando o orçamento público suportará essa conta?

 

Convém pacificar um ponto: não há oposição ao amparo social. Ao contrário, a assistência aos desamparados é uma obrigação moral coletiva. Ninguém, dotado de bom senso, contesta o fornecimento de condições básicas para a sobrevivência humana. Em muitos casos de extrema vulnerabilidade, inclusive, o valor pago poderia ser ainda maior.

 

O problema central reside no desvio de finalidade: a permanência de pessoas perfeitamente aptas ao trabalho que optam pela acomodação nos programas assistenciais, utilizando, muitas vezes, esses recursos para além do consumo de subsistência. Sob essa ótica, reflete-se um traço cultural danoso: a busca constante por vantagens individuais imediatas, a ausência de planejamento e a falta de empatia real para com os milhões de contribuintes que sustentam o sistema.

 

A questão crucial que se impõe é de sustentabilidade fiscal: até quando o governo conseguirá financiar essa engrenagem? Enquanto discursos políticos prometem a ampliação contínua das bases de beneficiários e reajustes generosos nos auxílios, o salário mínimo do trabalhador comum recebeu um reajuste de apenas R$ 103,00.

 

As promessas de outrora — como o livre acesso ao consumo de carne nobre, a transformação de aeroportos em rodoviárias pelo fluxo de novos viajantes e a erradicação definitiva da pobreza — contrastam com a realidade de um contingente cada vez maior de dependentes do assistencialismo. Esse cenário desencoraja a busca pelo emprego formal — já que muitos evitam assinar carteira para não perder o benefício —, mascarando os índices reais de desemprego no país.

 

Enquanto a atenção popular se dispersa em rivalidades esportivas ou debates superficiais, o patrimônio econômico e estrutural do Brasil é gradativamente esvaziado. Para quem compreende o funcionamento da máquina pública, a sensação de incredulidade é devastadora. Assiste-se, com pesar, a parcelas significativas da população serem conduzidas como massa de manobra por quem detém o poder e se beneficia dessa dependência.

 

Existe uma incoerência flagrante entre a retórica do atual governo e a prática de suas ações. Há décadas as mesmas promessas são repetidas, e a única resposta apresentada continua sendo o alargamento do assistencialismo.

 

Mas o que acontecerá quando o dinheiro acabar?

 

Porque, inevitavelmente, ele vai acabar. Nem mesmo as economias mais desenvolvidas do planeta teriam fôlego para sustentar, de forma indefinida, um sistema assistencial dessa magnitude. A equação macroeconômica é simples:

 

Queda no consumo: Sem aumento real de produtividade, o poder de compra despenca e o comércio enfraquece.

Fuga de capitais: Grandes empresas deixam o país em busca de mercados mais competitivos. Vizinhos como Paraguai e Argentina já começam a emitir sinais de atratividade econômica e crescimento.

Êxodo de talentos: Cidadãos qualificados migram para o exterior, restando aos que ficam um cenário de escassez de vagas e maior dependência de redes governamentais, como o seguro-desemprego.

O colapso final: Com a arrecadação de impostos em declínio, o governo será forçado a cortar os próprios benefícios de forma abrupta, resultando em desamparo generalizado.

 

Em uma economia fragilizada e desacreditada pelos investidores internacionais, não haverá postos de trabalho para absorver essa mão de obra. O destino final desse ciclo é a miséria generalizada.

 

Para quem julga tal cenário impossível em uma nação com as riquezas do Brasil, vale lembrar que a Venezuela também detinha uma das maiores reservas de petróleo do mundo antes de entrar em colapso. O tamanho do território não é garantia de imunidade econômica.

 

A alternativa para os rumos da nação

 

Diante desse panorama, a escolha nas urnas torna-se decisiva. Flávio Bolsonaro surge como a liderança capaz de alterar o rumo desse processo. Carregando o legado de seu pai — um homem íntegro, de postura firme e dotado de sabedoria estratégica para enfrentar grandes embates —, Flávio Bolsonaro apresenta-se como a alternativa para enfrentar a grave crise em que o país se encontra.

 

Com trânsito facilitado e bom relacionamento junto a grandes líderes internacionais, sua plataforma já atrai a perspectiva de investimentos estrangeiros significativos após uma eventual eleição. Sob essa ótica, o nome de Flávio Bolsonaro posiciona-se como sinônimo de retomada do crescimento econômico e da credibilidade externa, despontando como a via para reverter o desgaste que a imagem do Brasil sofreu no cenário global nos últimos quatro anos e resgatar a real grandeza da nação.

 

Sobre a autora

 

Fabiana Lavanhini - Administradora de Empresas formada pela UNIP, Fabiana Lavanhini acumula 19 anos de experiência em treinamentos corporativos e desenvolvimento humano, com atuação em grandes grupos empresariais como Porto Seguro, GPA (Grupo Pão de Açúcar), Grupo Carrefour Brasil e Grupo Ultra (Postos Ipiranga).

 

Especialista em capacitação profissional e comunicação estratégica, leva ao portal BrasilAgro uma visão prática sobre liderança, gestão e formação de equipes. Também é palestrante em eventos do Instituto Cultural Voluntários pelo Brasil, onde contribui para a formação de lideranças e o fortalecimento de iniciativas educacionais e culturais; 18/7/2026