21/07/2025

‘O maior prejudicado será o agricultor brasileiro’, diz executivo da Mosaic

‘O maior prejudicado será o agricultor brasileiro’, diz executivo da Mosaic

Eduardo Monteiro, Country Manager da Mosaic no Brasil. Foto Divulgação

 

Por Gustavo R. Silva

 

Mosaic, uma das líderes do mercado global de fertilizantes, acredita que o impasse tarifário entre os Estados Unidos e outros países como Brasil e Rússia, pode ser solucionado com negociações consensuais.

 

De acordo com Eduardo Monteiro, country manager da empresa, a companhia “não emite nenhuma opinião específica, mas espera que prevaleça o bom senso entre ambas as partes”. Na ausência de soluções, o maior prejudicado será o agricultor brasileiro.

 

Na última quarta-feira (16), a Mosaic inaugurou uma nova fábrica no Tocantins. O Money Times esteve presente na unidade de mistura a convite da empresa e questionou como o cenário global pode afetar o produtor rural.

 

Monteiro destacou que as questões geopolíticas interferem diretamente na vida do agricultor brasileiro, já que o país importa mais de 80% do fertilizante que consome. Além do impasse tarifário, o executivo citou as guerras entre Rússia e Ucrânia, e Israel e Irã.

 

“Dentro desse contexto, sempre falamos para o agricultor administrar o seu negócio olhando a perspectiva de gestão de risco, olhando sua matriz de fornecimento, trabalhando com fornecedores confiáveis, antecipando-se a movimentos”, disse.

 

Segundo Monteiro, o produtor não deve deixar a compra de fertilizantes para a última hora, pensando na proximidade da safra de verão. Já para a safra de inverno, o tempo maior abre espaço para que o produtor elabore seu planejamento com mais calma.

 

“Observamos no Brasil uma janela de plantio ideal, com o regime de chuvas vindo no momento adequado, diferente do ano passado, quando houve atraso. Então, é fundamental que aquele que ainda não comprou tome sua posição para a safra de verão”, afirmou Monteiro.

 

A Mosaic investiu R$ 400 milhões na construção da nova fábrica, com o objetivo de fortalecer a presença na região do Matopiba — que abrange PiauíMaranhãoTocantins e Bahia. Com a instalação, a empresa amplia o atendimento até o Vale do Araguaia e norte de Goiás.

 

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), participou da cerimônia de abertura e afirmou que a planta fortalece a economia e a produção agrícola do estado, impulsionando a geração de empregos e o desenvolvimento de infraestrutura.

 

Segundo o country manager da Mosaic no Brasil, a região do Matopiba já é responsável por cerca de 20% do consumo de fertilizantes no país. Enquanto a média de crescimento nacional é de 2%, a região cresce cerca de 4% ao ano no consumo do produto.

 

desenvolvimento. Isso significa aportar novas tecnologias e apostamos muito nas tecnologias dos bioinsumos e agricultura regenerativa”, disse Monteiro.

 

Localizada no Terminal Integrador de Palmeirante (TIPA), a fábrica conta com infraestrutura integrada a linhas ferroviárias da empresa de logística VLI, fazendo uma conexão direta ao porto de Itaqui, no Maranhão.

 

Em relação à infraestrutura, Fábio Marchiori, CEO da VLI, afirmou que a ideia é investir no crescimento de um complexo industrial que deve impulsionar o agronegócio. Além disso, destacou os benefícios das ferrovias para o agricultor.

 

“Dentro do que chamamos de eficiência de transporte, um vagão de trem substitui três caminhões. Você reduz a emissão de carbono, que na ferrovia representa cerca de 16% da emissão de caminhões. Esses elementos trazem eficiência e se refletem em custo para o produtor”, afirmou Marchiori (Money Times, 18/7/25)