02/06/2026

O narcoestado brasileiro:Lula, bancos e mídia unificados – Por Paula Sousa

O narcoestado brasileiro:Lula, bancos e mídia unificados – Por Paula Sousa

Olha, é preciso confessar que até os observadores mais céticos estão ficando genuinamente assustados com os rumos da nossa chamada "democracia". Há tempos vínhamos apontando anomalias no tecido institucional brasileiro, mas o que testemunhamos agora ultrapassa qualquer limite do razoável.

 

Quando uma manchete do Valor Econômico estampa, com a frieza típica das páginas financeiras, que "bancos não descartam se unir ao governo para tentar convencer os EUA a reverterem medida sobre facções", o cidadão comum é obrigado a esfregar os olhos para garantir que não está lendo uma ficção distópica. Caramba, os bancos brasileiros estão metidos com o tráfico de drogas a esse ponto? É o tipo de revelação que choca até quem achava que já tinha visto de tudo nesta terra de transações escusas.

 

O cenário que se descortina aponta para uma realidade incômoda e aterradora: o Brasil caminha a passos largos — ou talvez já tenha chegado ao destino — para se consolidar como uma autêntica narco-nação. No final das contas, toda essa fachada legítima de exportação de carne, soja, minério e commodities parece apenas um verniz cosmético, um negocinho secundário para inglês ver.

 

O motor real, o sangue que irriga os bastidores do poder e a alta finança, dá a nítida impressão de ser a engrenagem bilionária do pó e do crime organizado. Afinal, por que outra razão o sistema financeiro nacional e o Palácio do Planalto estariam compartilhando o mesmo lençol e o mesmo desespero?

 

A raiz de todo esse pânico generalizado foi a decisão inédita e avassaladora do governo de Donald Trump em Washington a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): classificar oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais. Para quem trabalha honestamente, tem seu pequeno comércio ou rala no dia a dia, essa medida é uma excelente notícia.

 

Significa que os criminosos que sitiam nossas cidades terão suas linhas de suprimento asfixiadas pelo poder de monitoramento global da NSA e da CIA. Mas, curiosamente, nos salões acarpetados de Brasília e nas torres de vidro da Avenida Faria Lima, o clima é de funeral e histeria.

 

Veículos da grande imprensa imediatamente se apressaram em desenhar cenários apocalípticos para assustar a população, alegando falsamente que a sanção americana poderia "destruir o PIX" ou "fechar o sistema bancário nacional". Será que o preço da cocaína subiu tanto assim nas redações que a abstinência gerou esse delírio coletivo? Não há lógica econômica legítima nessa narrativa de pânico.

 

Como bem esclareceu a jornalista Malu Gaspar em sua análise sobre o tema, essa cortina de fumaça caiu por terra com o mínimo de rigor técnico. Quem tem o poder exclusivo de fechar uma instituição financeira no Brasil é o Banco Central, e as sanções da OFAC não miram o cidadão comum ou as transações domésticas como o PIX. O impacto real das sanções americanas atinge os contratos internacionais, serviços de big data de servidores americanos utilizados pelas instituições financeiras e o acesso ao sistema SWIFT.

 

Portanto, os bancos só sofrerão sanções severas se insistirem em manter abertas as contas bancárias e as linhas de lavagem de dinheiro dessas facções. A pergunta de um milhão de dólares — literalmente — é: por que os bancos brasileiros teriam qualquer resistência em simplesmente encerrar as contas dessas organizações assim que identificadas?

 

A relutância em cooperar com o corte financeiro do crime levanta a suspeita mais espantosa de todas. Quais bancos operam hoje como linhas auxiliares de traficantes?

 

O alinhamento do governo Lula nessa trincheira de defesa é o ápice do cinismo político. O portal Brasil 247 apressou-se em blindar o presidente, anunciando que "Lula reage à sabotagem bolsonarista e deve abrir nova negociação com Trump". A ironia aqui é fina e cortante: o governo brasileiro se esforça com uma gana inacreditável para proteger "os criminosos do Lula" — utilizando uma retórica que evoca quase um sentimento de soberania nacional para defender facções que matam milhares de brasileiros anualmente.

 

O Planalto mobilizou uma comitiva de deputados da sua base governista para ir correndo aos Estados Unidos tentar reverter a classificação terrorista, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo, logo após uma visita estratégica de Flávio Bolsonaro a Trump. O que Lula vai oferecer agora na mesa de negociações da Casa Branca para garantir a proteção dessas facções? Já se entregaram terras raras, já se relativizou a diplomacia; o que falta entregar?

 

Essa inversão completa de valores cria um paralelo inevitável com o colapso institucional da Venezuela, há muito dominada pelo Cartel dos Soles. No Brasil atual, quem combate de verdade o crime organizado acaba atrás das grades, enquanto os arquitetos da leniência ditam as regras. A provocação certeira feita pelo jornalista Paulo Figueiredo sintetiza perfeitamente o modus operandi desse ecossistema institucional corrupto: quem comandou a intervenção militar federal no Rio de Janeiro que sufocou o crime foi o General Braga Netto — hoje perseguido e preso.

 

O ministro da Justiça que bateu recordes históricos de apreensão de drogas foi Anderson Torres — preso. O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal que transformou a instituição na maior barreira contra o escoamento de entorpecentes foi Silvinei Vasques — também preso. O presidente que acabou com os diálogos cabulosos foi Jair Boslonaro – Preso.

 

Enquanto isso, as operações policiais em favelas controladas pelo Comando Vermelho foram engessadas por ordens superiores do Supremo Tribunal Federal (STF). O padrão é claro e pedagógico: sob a atual administração, combater o narcotráfico com eficácia tornou-se um crime de lesa-majestade.

 

É dentro desse contexto de apodrecimento do Foro de São Paulo e de colapso da esquerda latino-americana que Donald Trump jogou sua peça de mestre no tabuleiro diplomático. O Brasil passou meses sem um embaixador americano oficial desde que Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden, deixou o posto.

 

A embaixada vinha sendo gerida interinamente pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar — um diplomata de carreira firmemente alinhado às diretrizes de Washington. Esse vácuo proposital mantido por Trump era, por si só, um forte recado diplomático sobre o que a Casa Branca pensava da atual liderança brasileira: total irrelevância e desconfiança.

 

Contudo, a indicação estratégica do deputado estadual da Flórida, Daniel Perez, como o novo embaixador dos EUA no Brasil muda completamente o jogo, e o Palácio do Planalto tem motivos de sobra para perder o sono. Perez, um advogado brilhante de primeira geração cubano-americana nascido em Miami e presidente da Câmara dos Representantes da Flórida, é amplamente conhecido nos bastidores de Washington como o "pequeno Marco Rubio", tamanha sua proximidade com o atual Secretário de Estado americano e seu alinhamento visceral com o movimento MAGA.

 

Como filho de exilados cubanos que fugiram da opressão violenta do regime de Fidel Castro, Perez carrega em seu DNA político uma repulsa histórica ao socialismo latino-americana e suas ramificações criminosas. Por que Trump decidiu indicar um perfil tão combativo justamente agora? A resposta reside na paranoia eleitoral que se avizinha.

 

Com a proximidade do fim do mandato de Lula e a forte projeção da oposição para os próximos pleitos, a Casa Branca posiciona um comando firme e inabalável no coração do Brasil para atuar como um farol de vigilância.

 

Daniel Perez não vem para participar de jantares diplomáticos protocolares com a esquerda; ele vem para garantir que as agências de inteligência americanas rastreiem cada centavo que circula entre o crime organizado e a estrutura estatal, blindando o processo eleitoral contra interferências espúrias e tentativas de golpes institucionais — tática que a esquerda adora projetar nos adversários, mas que executa com maestria nos bastidores, como vemos com Gustavo Petro na Colômbia.

 

A teia de conexões que une o colapso econômico, as investigações que cercam figuras da mídia e da internet — como os desdobramentos e laços suspeitos envolvendo figuras públicas como Deolane Bezerra e o PCC — mostra que o cerco está se fechando. Para os cidadãos de bem, para o dono de um posto de combustível honesto que sofre com a concorrência desleal dos postos controlados pelas facções, a limpeza promovida pela pressão internacional será um alívio. Para a engrenagem que comanda o país, resta o desespero.

 

O antigo "papo cabuloso" que outrora era sussurrado nos bastidores parece ter retornado exponenciado ao nível dez, institucionalizado e defendido publicamente sob o pretexto de "salvar o sistema financeiro". A vida do governo não será fácil até o encerramento do calendário eleitoral.

 

O desespero unificado de bancos, grande imprensa e Planalto em melindrar o status de terroristas do PCC e do CV é a prova definitiva da infiltração. Resta-nos torcer para que, quando essa cortina de fumaça finalmente cair, ainda sobre ao menos uma instituição financeira legítima e limpa neste País para podermos operar sem carregar o estigma de financiar uma narco-nação (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista: 2/6/2026)