O Teatro da inelegibilidade: O “plano perfeito” de Lula? – Por Paula Sousa
Sabe aquele sujeito que está perdendo no xadrez e “sem querer” derruba a mesa inteira para não ter que assumir o xeque-mate? Pois bem. A política brasileira transformou o cinismo em obra de arte, e o artista principal atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva. O capitão do circo percebeu que o espetáculo está afundando e achou o roteiro ideal para um grandioso ato final: cavar a própria inelegibilidade e se fazer de vítima eterna.
O gatilho dessa comédia dramática veio direto do Tribunal Superior Eleitoral. Conforme noticiou o jornalista Claudio Dantas, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, admitiu uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pelo Partido Novo. A acusação? A chapa Lula-Alckmin teria cometido abuso de poder econômico ao transformar a Marquês de Sapucaí em palanque pré-eleitoral escancarado.
Para quem não se lembra, a escola de samba Acadêmicos de Niterói desfilou em fevereiro de 2026 com o singelo enredo "Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". Detalhe sutil: foram R$ 9,65 milhões de dinheiro público irrigando a agremiação. A Gazeta do Povo e O Globo reportaram na época que, enquanto o povão pagava a conta, a transmissão ao vivo exibia ministros, presidentes de estatais e o próprio Lula invadindo a pista para dar tchauzinho. Só faltou o santinho cair junto com a chuva de confete.
Aí a pergunta que não quer calar: Lula e sua equipe são ingênuos? Claro que não. Eles sabiam perfeitamente do risco. O próprio ministro André Mendonça e a ministra Cármen Lúcia já tinham sinalizado que palanque carnavalesco bancado pelo pagador de impostos cheirava a crime eleitoral. Afinal, o histórico não mente: em 2022, o mesmo TSE condenou Jair Bolsonaro por desvio de finalidade durante os atos do 7 de Setembro.
Naquela ocasião, o ex-presidente participou do desfile cívico oficial e, em seguida, se deslocou para outro ponto para discursar a apoiadores — em um ato sem o uso de dinheiro público. O episódio e o desfecho judicial foram amplamente registrados em cobertura do Poder360. Lula, no entanto, fez muito pior. Escancarou a panfletagem eleitoral ao vivo, em rede nacional e com transmissão no horário nobre da TV aberta, transformando milhões em verba pública no mais caro e ostensivo palanque pré-eleitoral da história.
Mas a vergonha alheia não para por aí. Sabendo que o cerco judicial aperta e que as pesquisas eleitorais mostram uma queda vertiginosa da sua popularidade, a estratégia salta aos olhos. Enrolado em desgaste econômico e exposto até o pescoço em escândalos recentes como o do INSS, o ex-presidiário sabe que perder sua última eleição nas urnas para a oposição seria o golpe fatal no seu ego megalomaníaco.
A solução? A boa e velha covardia disfarçada de martírio. Se o TSE cassar o registro, Lula ganha a narrativa perfeita: dirá que foi vítima de um "golpe" do sistema e que os ministros indicados pela oposição o impediram de concorrer. Ele não perdeu; foi "perseguido". Em vez de assumir a derrota nas urnas, ele coloca um "poste" qualquer para disputar o pleito, do mesmo jeito que tentou ensaiar no passado, e chora as dores da democracia arranhada.
E caso a tese da perseguição política falhe em comover o eleitorado, a última carta na manga é a comoção humana. Como destacou a Gazeta do Povo, Lula admitiu publicamente o tratamento contra o câncer, posando de chapéu para as fotos oficiais. A doença vira escudo e justificativa para um eventual recuo: "eu lutaria contra a direita, mas a saúde não deixou".
Manipulador até o último suspiro, Lula prefere entregar uma desistência forçada ou um veto judicial a encarar a rejeição do povo nas urnas. É o teatro perfeito de um líder que prefere o papel de vítima injustiçada ao de derrotado político. O espetáculo é patético, a conta é milionária, e o público, como de costume, assiste pagando o ingresso mais caro do mundo.
Sobre a autora:
Paula Sousa é historiadora, professora com 8 anos de docência nas áreas de Humanas e pós-graduada em Gestão Pública. Com especializações que vão do Processo Legislativo e Finanças à Inteligência Artificial Generativa, é articulista e roteirista focada em geopolítica, história e socioeconomia — com produções para veículos como o Visão Libertária. É também palestrante e membro do Instituto Cultural Voluntários pelo Brasil (18/8/2026)

