Os quatro novos trunfos de Flávio que assombram Lula – Por Eliane Catanhêde
Senador Flávio Bolsonaro na convenção do PL que oficializou sua candidatura à Presidência. Foto Taba Benedicto Estadão
Além da abertura de investigação da PF sobre Lulinha, o presidenciável do PL pode ganhar dois importantes troféus: a senadora Tereza Cristina e o senador Cleitinho
Se confirmados, esses troféus vão jogar uma lufada de ânimo na campanha de Flávio e minar a percepção de que o presidente Lula, em vantagem em Estados decisivos, tem tudo para vencer. Bom para Flávio, péssimo para Lula.
Quais são os troféus? Eles têm cara, nome, mandato e votos em bolsões eleitorais de grande relevância, especialmente numa eleição tão nervosa e incerta. Um é a senadora Tereza Cristina e o outro é o também senador Cleitinho. O problema: ambos são ótimos para Flávio, mas Flávio pode não ser tão bom assim para ambos.
O sonho de Flávio, ainda mais após a crise com Michelle Bolsonaro, é ter uma mulher como vice e nenhuma das cogitadas chega aos pés de Tereza Cristina. Ela é, inclusive, considerada no agronegócio, em meios militares e entre eleitores independentes (nem Lula nem Flávio), até melhor do que o próprio Flávio como cabeça de chapa.
Sondada insistentemente para vice, a senadora sempre disse não, alegando que seu projeto é ser a primeira mulher a presidir o Senado. Porém, o não está virando sim e tende a se tornar o melhor movimento político da tumultuada e errática campanha de Flávio, dando densidade à chapa, sem dúvida.
Tereza Cristina é líder do agro, foi ministra da Agricultura e uma das raras exceções de quem entrou e saiu do governo Jair Bolsonaro sem ser chamuscada pelo desastre na pandemia, a tentativa de golpe e as crises externas. Enquanto presidente, governo, ministros e generais aprontavam das suas, ela trabalhava – e bem.
O outro trunfo, senador Cleitinho, tem uma trajetória muito diferente da de Tereza Cristina. Começou a vida com um megafone na mão, anunciando o armazém de secos & molhados de um irmão e conquistando a fama de engraçado, simpático. Daí para um mandato de vereador, foi um pulo.
Bom de internet, obviedades e trivialidades, ele aproveitou bem o esfarelamento do PT e do PSDB em Minas e virou campeão de votos no Estado que é a segunda maior economia e o segundo maior colégio eleitoral do País, com uma rica história política e uma mística confirmada pela realidade: só sobe a rampa do Planalto quem vence em Minas.
De Affonso Pena, Juscelino e Tancredo até Cleitinho. É ele, hoje, o cortejado dia e noite para ser candidato de Flávio ao governo de Minas, onde Lula escolheu o ex-ministro Patrus Ananias ao governo por eliminação. Se Cleitinho, apesar dos pesares, aponta para o futuro, Patrus, belo quadro político, remete ao passado.
Como Tereza Cristina, Cleitinho também jurava que não aceitaria. A diferença é que ela ainda é favorita para vice de Flávio, enquanto o Republicanos cansou nas negativas dele e a história se inverteu: Cleitinho quer ir para o governo, mas, agora, seu partido é que não quer.
Os dois senadores têm força para sacudir a campanha de Flávio, mas o que ganham com isso? Ganham a responsabilidade de responder sobre “Dark Horse”, os tarifaços de Donald Trump contra o Brasil (e o agronegócio), os imóveis mal explicados e as ligações dos Bolsonaro com as milícias no Rio.
Lula, porém, também vai ficar na defensiva, explicando as peripécias do filho levado e do ex-líder do governo e velho amigo Jaques Wagner. Tanto a abertura do inquérito de Lulinha quanto a quebra do sigilo de Wagner foram determinadas por André Mendonça, indicado por Bolsonaro ao Supremo.
Mas… a pedido da PF de Lula (Estadão, 31/7/26)

