Os rumos da Embrapa – Editorial O Estado de S.Paulo
Plano da empresa para a década de 20 reflete os desafios estratégicos do setor agropecuário.
No início do mês, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou seu Plano Diretor para a década de 20. Dada a crescente relevância do agronegócio para a economia brasileira, o Plano é importante não só por definir metas quantificáveis para uma empresa pública que é a principal fonte de pesquisa, desenvolvimento e inovação agrícola no Brasil, mas também por refletir os desafios estratégicos do setor.
A Embrapa vislumbra três grandes grupos de desafios e oportunidades: aumento da qualidade e eficiência produtiva; sustentabilidade ambiental; e aspectos sociais.
Nesta perspectiva, o Plano elenca nove temas prioritários de pesquisa: agricultura digital, rastreabilidade e logística associadas aos sistemas produtivos; agregação de valor aos produtos e serviços agropecuários e agroindustriais; adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas; transformação de biomassa em energia renovável, bioprodutos e bioinsumos; desenvolvimento territorial sustentável; produtividade e sistemas de produção sustentáveis; segurança alimentar e nutricional; uso e conservação de recursos naturais; e sanidade agropecuária.
Para avançar com excelência nestas áreas, a empresa traçou um mapa estratégico composto por 11 objetivos subdivididos em 29 metas.
Em primeiro lugar, há os objetivos finalísticos associados ao ecossistema de inovação. Isso inclui gerar soluções tecnológicas e oportunidades de inovação para promover a sustentabilidade e a competitividade, especialmente reduzindo custos e perdas dos alimentos. Também inclui ampliar e qualificar a base de dados nacional sobre recursos naturais.
Além disso, será preciso explorar novas tendências de consumo, gerando conhecimentos e tecnologias que promovam a agregação de valor a produtos, processos e serviços. Outro objetivo, decisivo para as exportações, é fortalecer a pesquisa para a segurança zoofitossanitária.
Um campo de pesquisa promissor do ponto de vista mercadológico é o da utilização de recursos biológicos para a geração de bioprodutos, bioinsumos e energia renovável. Outro, do ponto de vista social, é o de alternativas tecnológicas sustentáveis voltadas para o desenvolvimento regional e a inclusão produtiva. A meta da Embrapa é possibilitar a geração em cinco anos de 200 mil empregos pela adoção dessas tecnologias.
A empresa também pretende subsidiar os produtores e o poder público com conhecimento e tecnologia para contrapor o enfrentamento das mudanças climáticas, o que inclui aumentar os sistemas integrados de produção e recuperação de pastagens; disponibilizar sistemas de manejo sustentável de florestas naturais; e ampliar as florestas plantadas.
Um objetivo de alta relevância é o aproveitamento dos recursos digitais no campo. A automação dos processos agrícolas é capital para garantir a competitividade do setor. Isso implica promover o compartilhamento de dados entre os atores das cadeias produtivas e o uso de arquiteturas big data, assim como o desenvolvimento de algoritmos para identificar novas tendências e nichos de mercado.
Para prestar esses serviços às partes interessadas da cadeia agrícola, a Embrapa estabeleceu três objetivos de gestão e eficiência organizacional. Primeiro, a racionalização de recursos e a busca de fontes alternativas aos investimentos públicos. Concomitantemente, é necessário fortalecer a excelência na governança e gestão institucional. Finalmente, a própria empresa precisará aproveitar as oportunidades geradas pela revolução digital, estruturando a tecnologia da informação, a governança e a gestão de dados e promovendo a transferência e o uso do conhecimento digital.
A agropecuária brasileira é altamente competitiva. Ela responde por 21% da soma das riquezas nacionais, 1/5 dos empregos e 43,2% das exportações, sendo um dos maiores celeiros de alimentos para o mundo. A Embrapa segue sendo um dos principais protagonistas dessa história. Mas já foi mais. As partes interessadas, no setor público ou privado, não deveriam poupar esforços para revigorar a sua energia (O Estado de S.Paulo, 16/11/20)
China detecta coronavírus em carnes vindas de Brasil e outros países
Imagem: reprodução/ Getty Images
Nome das empresas exportadoras não foi divulgado
A cidade chinesa de Jinan informou neste fim de semana que detectou a presença de coronavírus em bife e tripas bovinas e nas embalagens destes produtos oriundos de Brasil, Bolívia e Nova Zelândia, enquanto duas outras capitais de província detectaram o vírus em embalagens de carne suína vindas da Argentina.
Em Jinan, capital da província de Shandong, no leste da China, os produtos envolvidos foram importados por uma unidade da Guotai International Group e pela Shanghai Zhongli Development Trade, informou a comissão municipal de saúde na noite de sábado (14).
Os produtos entraram pelos portos de Xangai, disse a comissão, sem nomear as empresas que os embarcaram para a China. Mais de 7.500 pessoas que podem ter sido expostas testaram negativo para coronavírus.
A China está aumentando os testes em alimentos congelados após detectar repetidamente o vírus em produtos importados, o que tem levado à suspensão de importações, embora a Organização Mundial da Saúde afirme que o risco de se contrair Covid-19 em alimentos congelados é baixo.
Na sexta-feira (13), a cidade chinesa de Wuhan comunicou que detectou o novo coronavírus em embalagem de um lote de carne bovina de um carregamento de agosto da Marfrig. No mesmo dia a Marfrig informou que não iria comentar o assunto.
Casos de coronavírus em carne de porco congelada foram relatados em Zhengzhou, capital da província de Henan, na região central, e em Xian, capital de Shaanxi. Não ficou imediatamente claro se os dois casos teriam conexão entre si.
As amostras com resultado positivo em Zhengzhou vieram de um lote de 24 toneladas de carne de porco congelada enviada de um depósito em Qingdao, em Shandong, disseram as autoridades (Folha de S.Paulo, 16/11/20)


