12/08/2026

Pague a luz do bilionário: o novo assalto de Lula – Por Paula Sousa

Pague a luz do bilionário: o novo assalto de Lula – Por Paula Sousa

O brasileiro acorda cedo, toma um café requentado e descobre que a conta de luz explodiu. A reação imediata? Olhar feio para o coitado do carteiro ou xingar o funcionário que lê o relógio na calçada. Respire e guarde a sua raiva para quem realmente merece. A culpa não é da sua geladeira nem da televisão que fica ligada no fundo. A responsabilidade é das reuniões de gabinete em Brasília, onde o governo distribui bondades e a conta vai para o seu bolso.

 

Como já venho denunciando há tempos, a matemática do populismo é simples: o Estado finge que dá, você paga o triplo e um bilionário do governo sai dando risada. Não existe almoço grátis, e a iluminação da sua sala também não é de graça.

 

Em junho de 2024, a Petrobras vendeu 13 termoelétricas para a Âmbar Energia, o braço do grupo J&F controlado pelos irmãos Wesley e Joesley Batista. Apenas três dias depois dessa transação, o governo federal editou a Medida Provisória 1232. A medida trouxe flexibilizações regulatórias para a compra da falida Amazonas Energia, uma distribuidora enterrada em uma dívida de mais de R$ 10 bilhões. A imprensa especializada, como os portais G1 e Gazeta do Povo, destacou a jogada: usinas que eram abacaxis deficitários viraram ouro da noite para o dia. Os aportes e subsídios liberados chegam à marca de R$ 12 a R$ 16 bilhões, diluídos diretamente na tarifa de luz do resto do Brasil.

 

O circo continuou com a MP 1300, a medida provisória que ampliou a gratuidade da tarifa social e do programa Luz para Todos para 17 milhões de famílias cadastradas no CADÚnico. No papel, a iniciativa é apresentada como compaixão; na prática, custa R$ 3,4 bilhões por ano. Mas quem custeia essa generosidade? Você. Para garantir que os novos donos da Amazonas Energia recebessem cada centavo sem sofrer com calotes ou furto de energia, o governo usou a caneta: transferiu o custo da gratuidade para a conta do trabalhador que acorda às cinco da manhã. É a lógica do Robin Hood ao contrário: tira de quem trabalha para pagar a conta do vizinho e garantir o dividendo do empresário companheiro.

 

Achou ruim? O espetáculo fica pior em 2026. O mesmo grupo Âmbar comprou a UTE Norte Fluminense, uma usina avaliada em R$ 400 milhões, pagando R$ 1,8 bilhão. Quem investe quase R$ 2 bilhões em algo que vale quatro vezes menos? Alguém que já sabia o que vinha a seguir. Pouco depois, o governo realizou um leilão de reserva de capacidade para contratar energia de emergência. A maior parte dos contratos ficou com o BTG Pactual e com a própria Âmbar. O arranjo prevê o pagamento de R$ 500 bilhões para manter um parque de termoelétricas paradas e desligadas. Se essas usinas precisarem ser acionadas, a conta salta para R$ 1 trilhão até 2050.

 

Enquanto a militância discursa sobre transição energética e preservação da Amazônia, o governo contratou energia fóssil e poluente. O discurso ambiental morreu no momento em que os contratos foram assinados. Para completar o quadro, o jornalismo econômico, em matérias como a de O Globo, aponta que as tarifas residenciais vão subir quase 8% em 2026 — ficando quatro pontos percentuais acima da inflação projetada em 3,95% pelo Boletim Focus do Banco Central. E quando a imprensa tenta culpar o clima seco ou a falta de chuva, esconde o fato de que a consultoria PSR e a própria ANEEL atestam que o verdadeiro vilão são os subsídios.

 

O absurdo ganha contornos internacionais. O Brasil voltou a comprar energia da Venezuela para abastecer Roraima, em matérias registradas pelo Brasil de Fato e analisadas pela Revista Piauí. O detalhe é que a operação é intermediada pela mesma Âmbar Energia. Em 2019, o Megawatt-hora dessa energia custava R$ 137. Na nova proposta chancelada pelo governo, o valor saltou para R$ 1.080 por MWh. O aumento de quase sete vezes transforma o recurso venezuelano em energia de luxo custeada pelo pagador de impostos brasileiro.

 

A conta dessa festa é precisa. Se pegarmos esse R$ 1 trilhão da dívida contratada até 2050 e dividirmos pelos 212 milhões de habitantes do país, cada homem, mulher, idoso e recém-nascido já deve R$ 4.714. Se aplicarmos a divisão aos 79 milhões de lares brasileiros, a dívida por residência ultrapassa R$ 12.000. Isso significa um custo extra mínimo de R$ 44 por mês no boleto de luz de cada casa, somado ao reajuste anual progressivo que vai até o meio deste século. Seu filho já nasceu devendo a luz do barco dos amigos do rei.

 

O resultado dessa política é sentido no bolso todos os dias. O brasileiro trabalha, paga impostos para ter serviços públicos e precisa contratar plano de saúde, vigilância particular e escola privada. O aumento na tarifa de energia não afeta apenas a lâmpada da sala; ele encarece o arroz no mercado, a internet, o abastecimento do carro elétrico, o remédio e a taxa da padaria. Tudo o que depende de eletricidade fica mais caro. E o que a esquerda sugere? Que muitos comemoram a esmola de um auxílio estatal de R$ 600 que evapora antes mesmo de sair do caixa do supermercado.

 

A esquerda tem pavor de quem aprende a somar. Quando o cidadão entende que o Estado não produz nada e apenas retira recursos da sociedade para irrigar os cofres dos seus aliados, a narrativa do populismo desmorona. O projeto de poder depende da manutenção da dependência. Para se vender como salvador dos necessitados, o governo precisa garantir que eles continuem dependendo de auxílios e programas sociais.

 

O brasileiro foi transformado no fiador oficial de decisões tomadas em gabinetes fechados. Pagamos a luz do vizinho, o contrato da energia venezuelana e a garantia de lucro de usinas termoelétricas desligadas. A conta de luz que chega ao seu correio não é uma fatalidade da natureza; é o boleto da hipocrisia política de um sistema que extrai o suor de quem produz para sustentar o banquete dos detentores do poder. Você pode continuar pagando e sorrindo, ou pode finalmente abrir os olhos e ver quem está acendendo a luz às custas do seu trabalho.

 

Sobre a autora:

Paula Sousa é historiadora, professora com 8 anos de docência nas áreas de Humanas e pós-graduada em Gestão Pública. Com especializações que vão do Processo Legislativo e Finanças à Inteligência Artificial Generativa, é articulista e roteirista focada em geopolítica, história e socioeconomia — com produções para veículos como o Visão Libertária. É também palestrante e membro do Instituto Cultural Voluntários pelo Brasil (12/8/2026)