09/09/2025

Paulo Hermann lança movimento “O agro que nos une”

Paulo Hermann lança movimento “O agro que nos une”

Paulo Hermann Foto Divulgação

 

Paulo Hermann propõe nova narrativa para superar polarização no Brasil. Comida é paz. E quem faz comida é o agro. Logo, o agro é paz também.

 

Consultor estratégico da Fiergs defende que o agronegócio assuma protagonismo na construção de pontes entre extremos ideológicos e promova uma nova diplomacia ambiental.

 

No atual cenário de polarização política e ideológica que marca o Brasil — e o mundo —, o agronegócio pode ser um elo de reconciliação nacional. Essa é a proposta de Paulo Hermann, CEO da PH Advisory Group e consultor estratégico da Fiergs, que lança a ideia do movimento “O Agro nos Une” — uma articulação para reposicionar o agro como um vetor de união e empatia social.

 

“Comida é paz. E quem faz comida é o agro. Logo, o agro é paz também”, resume Hermann. A declaração foi feita durante o Inter, evento voltado ao debate de soluções para o agronegócio no Sul do país.

 

O agro como construtor de pontes

 

Para Hermann, o agronegócio brasileiro tem uma responsabilidade que vai além da produção de alimentos: pode e deve assumir papel estratégico na construção de um discurso de união e empatia. “O mundo está carente de boas lideranças. E o agro pode ser esse construtor de pontes, porque alimenta mais de um bilhão de pessoas no planeta”, afirma.

 

Segundo ele, o movimento “O Agro nos Une” se propõe a unir o país em torno de uma agenda comum: comida, energia e vestuário — todas cadeias em que o agro tem papel central.

 

Polarização e desinformação

 

Ao abordar a crescente divisão ideológica, Hermann critica a generalização de críticas ao setor. “Dizem que o agro é poluidor, concentrador de renda. Mas são falácias de quem desconhece a tecnologia do campo”, rebate. E acrescenta: “97% dos produtores fazem as coisas certas. Mas é nos 10% de terras não tituladas, na Amazônia, onde ocorrem os crimes ambientais que tanto nos condenam”.

 

O executivo reconhece a existência de extremos e defende o equilíbrio: “Polos são importantes para a democracia. O problema é a radicalização, quando um lado não quer mais ouvir o outro”.

 

Oportunidades em infraestrutura e logística

 

Hermann também apontou gargalos logísticos que comprometem a competitividade do agro gaúcho, especialmente após os impactos das chuvas em 2024. “Privatizamos ferrovias e destruímos todas. Nosso sistema fluvial é subutilizado. Perdemos quase 90 dias de operação industrial por falta de alternativas viáveis”, alertou.

 

Ele defendeu o investimento em portos e retomada do modal ferroviário como políticas estratégicas. “Não é possível que o Sul do Brasil não tenha uma ferrovia eficiente. Isso compromete nossa logística e nossa sustentabilidade”.

 

Marca e narrativa global

 

Apesar do reconhecimento da produtividade brasileira, Hermann lamenta a ausência de uma marca agro nacional forte. “Nós não temos uma narrativa empática. Exportamos alimentos, mas o mundo ainda nos vê com desconfiança. Precisamos de um ‘Made in Brasil’ com orgulho, tecnologia e sustentabilidade”, defende.

 

Ele cita avanços como o uso de drones para pulverização localizada e sistemas de irrigação com sensores de umidade como exemplos de tecnologias mal comunicadas. “Contamos mal a nossa história. Falta empatia. E sobra arrogância”, avalia.

Caminho do otimismo

 

Mesmo diante de desafios, Hermann encerra com otimismo. “A tecnologia nos trouxe até aqui, mas não garante que vamos seguir evoluindo. É preciso formar jovens líderes, qualificar o agro globalmente. E lembrar que somos privilegiados: temos água, solo e clima. Precisamos, apenas, armazenar e usar com inteligência”.

 

Ao refletir sobre o futuro, Hermann compartilhou uma observação pessoal que traduz sua visão de mundo: “Minha dentista uma vez me disse: ‘Paulo, eu nunca vi uma pessoa bem-sucedida que fosse pessimista’. E é verdade. O otimismo é uma escolha estratégica para quem quer transformar.”

 

A proposta do “O Agro nos Une” ainda está em formulação, mas já nasce com um chamado claro: reunir o setor para reconstruir pontes, dentro e fora do Brasil (Agrolink, 5/9/25)