30/10/2025

PF mira MAPA por propinas na exportação de alimentos para a Venezuela

PF mira MAPA por propinas na exportação de alimentos para a Venezuela

Operação mira servidores da Superintendência do Ministério da Agricultura e Pecuária em Roraima. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

Operação Imperium Messis, nesta quarta, 29, investiga indícios de recebimento de vantagens indevidas por funcionários do MAPA para favorecer empresas em esquema que se prolonga desde 2020, em Roraima; Estadão pediu manifestação do Ministério

 

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quarta, 29, a Operação Imperium Messis, para desarticular suposto esquema de corrupção envolvendo servidores públicos e empresários do setor de exportação de alimentos, na fronteira do Brasil com a Venezuela.

 

As investigações, iniciadas a partir de uma denúncia anônima, identificaram indícios de irregularidades nas atividades da Superintendência do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Roraima, relacionadas à fiscalização de mercadorias destinadas à exportação para a Venezuela.

 

A reportagem do Estadão pediu manifestação do Ministério da Agricultura. O espaço está aberto. 

 

Segundo a Controladoria, essa atividade, originalmente realizada nas instalações da Receita Federal na cidade de Paracaima, passaram a ser executadas, a partir de 2020, nas dependências de uma empresa privada localizada em Boa Vista. O local funcionava como ‘entreposto aduaneiro’.

 

A PF e a Controladoria identificaram ‘diversos indícios de que agentes públicos estariam recebendo recursos da empresa beneficiada pelo esquema criminoso, por meio de intermediários (pessoas físicas e jurídicas)’.

 

Os envolvidos no esquema são investigados pela prática de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

 

Nesta quarta, 29, um grupo de 43 agentes federais e quatro auditores da CGU executa onze mandados de busca e apreensão nos municípios de Boa Vista e Cantá, em Roraima, e em Cuiabá, Mato Grosso.

 

A Justiça decretou o bloqueio e sequestro de valores até o montante de R$1.8 milhão.

 

A Controladoria destaca que ‘o combate a esse tipo de fraude é essencial para restaurar a integridade e a eficiência na prestação de serviços públicos’.

 

“O esquema criminoso não apenas feria o princípio da impessoalidade administrativa, mas também minava a confiança da sociedade nas instituições”, diz a Controladoria.

 

Ainda segundo a CGU, ao favorecer empresas mediante suborno, ‘os agentes públicos prejudicavam a livre concorrência, potencialmente elevando os custos e reduzindo a qualidade dos serviços ofertados ao cidadão’.

 

“A desarticulação do grupo visa garantir um ambiente de negócios justo e assegurar que a administração pública atue em prol do interesse coletivo, e não de interesses privados.”

 

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA

A reportagem do Estadão pediu manifestação do Ministério. O espaço está aberto (fausto.macedo@estadao.comrayssa.motta@estadao.com)