03/02/2026

Poderes se autocelebram enquanto o país espera – Por William Waack

Poderes se autocelebram enquanto o país espera – Por William Waack

Brasília ofereceu um espetáculo colorido com soldados enfileirados, tapete vermelho e bandeiras para quem apenas cumpre a obrigação de voltar das férias e ir trabalhar pelo bem do público que os sustenta.

 

O que não faltou nesta segunda-feira (2) em Brasília foi festa. Na volta das férias do Legislativo e do Judiciário teve muito discurso e papelório. Só a quantidade de documentos que o Executivo entregou com suas prioridades para o Legislativo tem novecentas e quatorze páginas.  

 

Os presidentes dos Três Poderes discursaram e pronunciaram solenes autoelogios, entremeados por recadinhos dirigidos uns aos outros, que podem até parecer picantes, não fossem inócuos diante da situação básica: o desequilíbrio entre os Três Poderes. 

 

Desequilíbrio que se constata no encolhimento do Executivo, na expansão do Legislativo e no supremo poder do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre todo o resto.  

 

É hora de autocorreção, discursou o presidente da Corte, Edson Fachin, embora o presidente Lula (PT), cujo governo tem no STF os votos que faltam no Congresso, tivesse dito ali do lado que o Supremo não extrapolou funções. 

 

O problema para o tanto que foi anunciado é que o tempo é curto, pois a eleição urge.

 

Tudo o que se disse - e o que não se disse - foi pautado rigorosamente, como escândalos diversos, que afetam os Três Poderes.

Para não falar em coisas chatas, que ficaram para o ano que vem, como a situação das contas públicas. Vai ficar feio para quem quer que vença as eleições. 

 

Nesta segunda-feira (2), Brasília ofereceu um espetáculo colorido com soldados enfileirados, tapete vermelho, bandeiras, hinos e cerimônias solenes para quem apenas cumpre a obrigação de voltar das férias e ir trabalhar pelo bem do público que os sustenta. 

 

Foi, portanto, um dia de pompa e circunstância. Mas me perdoem a rima, e a substância?  (CNN Brasil, 2/2/26)