Poderes se autocelebram enquanto o país espera – Por William Waack
Brasília ofereceu um espetáculo colorido com soldados enfileirados, tapete vermelho e bandeiras para quem apenas cumpre a obrigação de voltar das férias e ir trabalhar pelo bem do público que os sustenta.
O que não faltou nesta segunda-feira (2) em Brasília foi festa. Na volta das férias do Legislativo e do Judiciário teve muito discurso e papelório. Só a quantidade de documentos que o Executivo entregou com suas prioridades para o Legislativo tem novecentas e quatorze páginas.
Os presidentes dos Três Poderes discursaram e pronunciaram solenes autoelogios, entremeados por recadinhos dirigidos uns aos outros, que podem até parecer picantes, não fossem inócuos diante da situação básica: o desequilíbrio entre os Três Poderes.
Desequilíbrio que se constata no encolhimento do Executivo, na expansão do Legislativo e no supremo poder do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre todo o resto.
É hora de autocorreção, discursou o presidente da Corte, Edson Fachin, embora o presidente Lula (PT), cujo governo tem no STF os votos que faltam no Congresso, tivesse dito ali do lado que o Supremo não extrapolou funções.
O problema para o tanto que foi anunciado é que o tempo é curto, pois a eleição urge.
Tudo o que se disse - e o que não se disse - foi pautado rigorosamente, como escândalos diversos, que afetam os Três Poderes.
Para não falar em coisas chatas, que ficaram para o ano que vem, como a situação das contas públicas. Vai ficar feio para quem quer que vença as eleições.
Nesta segunda-feira (2), Brasília ofereceu um espetáculo colorido com soldados enfileirados, tapete vermelho, bandeiras, hinos e cerimônias solenes para quem apenas cumpre a obrigação de voltar das férias e ir trabalhar pelo bem do público que os sustenta.
Foi, portanto, um dia de pompa e circunstância. Mas me perdoem a rima, e a substância? (CNN Brasil, 2/2/26)

