21/08/2026

“PT quebra o País ao tentar impor projeto de perpetuação no poder”

“PT quebra o País ao tentar impor projeto de perpetuação no poder”

Tiago Jacinto, presidente do Sindicato Rural de Presidente Prudente, se revela como importante líder dos produtores rurais e credita ao governo federal todas as mazelas que afundaram o agro em sua pior crise histórica. Foto Divulgação

 

O presidente do Sindicato Rural de Presidente Prudente, Tiago Jacinto, comenta a declaração feita pelo ministro André de Paula, da Agricultura e Pecuária, de que o Brasil só deve voltar a exportar carne bovina aos países que formam a União Europeia a partir de 2028. Ele lembra que “nós pecuaristas estamos vivendo uma “tempestade perfeita”, pois além do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e as cotas impostas pela China, todas com o DNA do governo Lula, trazem impacto relevante aos produtores”.

 

No caso específico das medidas impostas pela Comissão Europeia justificadas pela omissão e inação do governo federal, Tiago Jacinto explica que “os volumes exportados não são tão expressivos quanto aos Estados Unidos e China. Mas são cortes “premium”, ou seja, de ótima qualidade e bons preços. Além disto, vale lembrar que o mundo passa por um ciclo de diminuição de rebanhos bovinos. Os preços baixos tem incrementado o abate de vacas o que significa diminuição expressiva da oferta.”

 

“A postura adotada pelo governo federal em relação à crise que provocou com a Comissão Europeia bem como o tarifaço com os Estados Unidos e a imposição unilateral das cotas chinesas, demonstram que o Brasil está afastado das boas práticas e relações internacionais. Infelizmente o que se vê é que nossos governantes se atém apenas ao projeto de perpetuação do poder às custas da quebradeira generalizada dos meios de produção, notadamente do agronegócio”, afirma.

 

E acrescenta o alerta: “Querem nos transformar em dependentes dos serviços sociais que já beneficiam cerca de 94 milhões de pessoas registradas no Cadastro Único (CadÚnico) do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e que não produzem absolutamente nada. Empresários e produtores rurais estão deixando o Brasil e migrando para outros países, como a Lupo de Araraquara que se transferiu para o Paraguai.”

 

Ele explica que “nossa família, além de produzir nos Estados de São Paulo e Mato Grosso, também produz no Paraguai. “Segundo depoimento de um produtor rural nas redes sociais, ele comprou recentemente peças agrícolas numa revenda John Deere aqui no Brasil e pagou R$ 180 mil. As mesmas peças cotadas em revenda John Deere no Paraguai custariam R$ 90 mil. Um pneu que custa R$ 1 mil aqui custa a metade, ou seja, R$ 500,00 no Paraguai. A diferença nos nossos custos são os impostos que nos obrigam a pagar”.

 

“Além de aumento nos impostos tradicionais o governo criou outros 27 novos tributos. E o que temos em troca? Absolutamente nada, nenhuma melhor nas estradas, nos serviços de saúde, previdência, educação e segurança. Eles aumentam a gastança irrefreada e jogam para a nós a conta que deve ser paga através dos impostos sem nenhuma contrapartida”, questiona.

 

Soja

 

Sobre a estimativa da consultoria Hedgepoint que estima na safra de soja  2026/27 o menor crescimento na produção dos últimos 30 anos, Tiago Jacinto lembra que descende de imigrantes portugueses que aportaram no interior Brasil há 400 anos. “Meu avô iniciou a produção de gado em 1942 na região de Presidente Prudente. Em 1971, ele que foi um dos egressos da “Velha Guarda da Esalq”, procurou seus mestres na escola da USP em Piracicaba buscando orientação para a correção de solo de pastagens que já estava se exaurindo”.

 

“Lembrando que a correção de um solo exaurido exige a reposição de nutrientes perdidos e o reequilíbrio químico e físico da terra, a sugestão que recebeu foi para plantar soja. Foi o que ele fez de forma totalmente artesanal pois não haviam máquinas e implementos agrícolas para a produção e colheita, operações totalmente manuais. Hoje o Brasil é o maior exportador mundial de soja graças aos produtores rurais que não recebem nenhum tipo de ajuda ou incentivo do governo federal”, acrescenta.

 

Tiago Jacinto repete o que vem afirmando há meses ao lembrar que “com juros reais de 20% a 22% ninguém vai plantar soja que não paga uma margem de 20% de lucratividade. A conta não fecha e temos que conviver com a alta dos custos de manejo e custeio. É, infelizmente, um caminho sem volta. Nossa única alternativa para mudar este quadro é nos empenharmos para a mudança daqueles que estão há 17 anos no poder e nada fizeram para implementar as mudanças que se fazem necessárias”.

 

E conclui: “Não tenho bandeira política. Mas já é hora da população urbana se sensibilizar com a crise imposta por este governo e nos ajudar a trocar os governantes que aí estão. Vejo esta situação toda com muita tristeza e, para piorar, quando vejo que eles (governo) não assumem seus erros ou dizem que não sabiam e nos mandam a conta para pagar através do aumento e criação de novos impostos. É puro deboche!” (Da Redação, 21/8/26)