24/03/2026

Recuo de Ratinho Jr. ao Planalto reflete foco no Paraná, diz consultoria

Recuo de Ratinho Jr. ao Planalto reflete foco no Paraná, diz consultoria

Governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). Foto Reprodução: CNN Brasil

 

       

desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de avançar em um projeto presidencial reflete a força das dinâmicas regionais na política brasileira, segundo o cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy.

 

Barreto afirma que “toda política é, antes de tudo, local”, destacando que o movimento foi diretamente impactado pela entrada do senador Sergio Moro, líder nas pesquisas de intenção de voto ao governo do Paraná, com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República. Moro vai se filiar ao PL (Partido Liberal) nesta terça-feira (24).

 

Segundo ele, o novo cenário inviabilizou os planos nacionais do atual governador. “O anúncio da candidatura de Sergio Moro com o apoio de Flávio Bolsonaro acabou com os planos presidenciais de Ratinho Jr. porque ele ficaria enfraquecido em casa”, avaliou.

 

Barreto aponta que Ratinho Jr. considerou insuficiente a força política de possíveis sucessores no estado diante de um adversário competitivo como Moro. Entre eles, Guto Silva, atual secretário das Cidades; Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba que saiu do PSD para disputar pelo MDB; e Alexandre Curi, presidente da Alep (Assembleia Legislativa do Paraná). “Nenhum dos três candidatos à sua sucessão [...] conseguiria enfrentar Moro com suas próprias forças”, afirmou.

 

O risco, segundo o cientista político, era perder influência local enquanto se dedicava a uma campanha nacional. “Enquanto ele estivesse dedicado à campanha nacional, estaria correndo o sério risco de perder o controle da política local”, disse.

 

A alternativa de disputar o Senado também foi descartada. De acordo com Barreto, a idade do vice-governador, Darci Piana (PSD), pesou na decisão. “O vice-governador tem 84 anos e não conseguiria se engajar na campanha”, ressaltou.

 

Na avaliação do analista, a melhor estratégia teria sido um acordo político mais amplo. “Fica claro agora que a única saída de que Ratinho Jr. tinha era ter aceitado a oferta de Flávio Bolsonaro”, escreveu, sugerindo que uma candidatura ao Senado com apoio mútuo poderia preservar sua influência no estado.

 

Sem esse arranjo, conclui Barreto, a escolha foi pragmática: preservar o poder regional. “Ele preferiu tentar manter o controle local sacrificando a tentativa de concorrer ao Planalto. Afinal, a política é essencialmente local”, finalizou (CNN, 23/3/26)