27/01/2026

Safra injeta R$ 1,42 trilhão no campo, alta real de 51% em dez anos

Safra injeta R$ 1,42 trilhão no campo, alta real de 51% em dez anos

Agronegocio - Imagem Freepik

·         Valor da produção da lavoura é de R$ 930 bi em 2025; o da pecuária, de R$ 489 bi

·         Receitas de café e de cacau disparam devido aos recentes aumentos de preços

 

Por Mauro Zafalon

Nunca entrou tanto dinheiro no campo como em 2025. Foi R$ 1,42 trilhão, uma evolução real de 51% nos últimos dez anos. O setor agrícola ficou com R$ 930 bilhões, e o pecuário, com R$ 489 bilhões. Na soma dos últimos cinco anos, foram R$ 6,4 trilhões.

Os dados são do VBP (Valor Bruto de Produção) do Ministério da Agricultura. Os números não englobam toda a atividade agropecuária, mas 17 setores das lavouras e 5 da pecuária. Os cálculos da pasta indicam o montante financeiro com base no volume produzido e nos preços praticados dentro da porteira. As informações não levam em consideração custos de produção, apenas estimativas de receitas com as vendas.

Os números mostram que os produtos básicos perdem participação, enquanto os exportáveis ganham. Os valores de produção de feijão, batata e banana recuaram, em termos reais. Já os de soja e de milho vêm com aumentos constantes. Arroz e trigo têm evolução real de apenas 15% nos últimos dez anos. O país diversifica e aumenta a oferta de produtos antes pouco desenvolvidos, como gergelim, cevada, centeio e amendoim. Este último acumula evolução real de 176% na última década.

O aumento acelerado do volume financeiro no campo ocorreu devido a eventos climáticos, guerras, demanda externa maior e redução de estoques mundiais. Os preços externos dispararam, e o Brasil conseguiu manter bom ritmo de produção e de fornecimento mundial nos anos recentes.

A pecuária também deu boa contribuição para o aumento das receitas no campo. Há dez anos, a produção das carnes de frango, bovina e suína somava 26,4 milhões de toneladas. No ano passado, atingiu 32,5 milhões, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A safra de grãos passou de 200 milhões de toneladas para 352 milhões no mesmo período. Assim como nos grãos, a produção na pecuária evoluiu graças ao aumento da demanda externa. O VBP real da pecuária subiu 56% em dez anos, e o das lavouras, 48%.

A soja é a grande fonte de receita. No ano passado, foram R$ 329 bilhões, 58% a mais do que há dez anos. O forte crescimento das exportações brasileiras levou a safra nacional para 172 milhões de toneladas, 79% a mais do que há uma década. O milho tem o segundo maior valor entre as lavouras, atingindo R$ 166 bilhões, uma alta real de 55% no período.

Enquanto algumas das grandes produções, como a de cana-de-açúcar e de laranja, têm receitas estáveis, culturas com volume menores de produção, como amendoim, uva, cacau e café, estão entre as mais valorizadas. Cacau e café mostraram evoluções de 238% e de 158%, respectivamente, na comparação do valor de produção de 2025 com o de há dez anos. Considerando a média dos últimos cinco anos, em relação aos cinco imediatamente anteriores, o cacau tem ganho real de 102%, e o café, de 75%.

No setor cafeeiro, o principal aumento é o do café conilon. A alta foi de 423% no valor de produção em uma década. O Brasil aumentou a área de cultivo e elevou a produção de 10 milhões de sacas, há dez anos, para 21 milhões no ano passado, segundo a Conab.

No setor de carnes, a bovina lidera, com valor de produção de R$ 211 bilhões, mas a suína é a que mais cresceu na década, com desempenho real de 142% no período. O setor de leite aumenta 48%, e o de frango, 34%. O valor de produção do setor de frango, no entanto, ao atingir R$ 112 bilhões, supera em 53% o do leite (Folha, 27/1/26)