12/02/2026

São Martinho aposta em recuperação da produtividade da cana

São Martinho aposta em recuperação da produtividade da cana

Companhia deve iniciar as operações da próxima safra com uma produção totalmente voltada à fabricação de etanol A São Martinho avalia que as chuvas que estão ocorrendo neste verão vão ajudar a recuperar a produtividade dos canaviais na próxima safra (2026/27). Esta melhora deve colaborar para a diluição dos custos de produção, o que é fundamental em um ambiente em que os preços do açúcar continuam sem uma perspectiva de recuperação.

 

“Até o momento, as chuvas de verão foram boas nas regiões onde estamos. Temos bastante reserva hídrica. A qualidade da cana está boa, bem tratada”, afirmou Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, em teleconferência com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre da safra atual (2025/26).

 

Segundo ele, a perspectiva é de que a próxima safra tenha um volume de cana maior para processar, reduzindo os custos fixos “para enfrentar um cenário de preços de açúcar fora do razoável”, avaliou.

 

Nesta terça-feira (10/2), os contratos do açúcar para entrega em março (período ainda de entressafra no Centro-Sul do Brasil) fecharam a 14,12 centavos de dólar a libra-peso, e os contratos para outubro (no fim do período de moagem da próxima safra) fecharam a 14,04 centavos de dólar a libra-peso.

 

O custo de produção de açúcar da São Martinho nesta safra até dezembro está em R$ 1.887 a tonelada, o que ainda lhe garantiu uma margem operacional de 19,1%, considerando um preço executado de R$ 2.331 a tonelada.

 

Esse custo médio de produção de açúcar na São Martinho teve pouca variação nesta safra e ficou apenas 1,3% abaixo dos nove primeiros meses da safra passada. Segundo Vicchiato, muitas usinas no país têm custo acima de R$ 2.000 a tonelada e já há quem esteja com margens negativas.

 

O plano da companhia é ajustar os custos com ganhos de produtividade, o que indica ser um cenário mais provável para 2026/27.

 

Em seus cálculos, a São Martinho conseguiria reduzir seu custo médio entre 10% a 15% se a produtividade agrícola de seus canaviais subirem das atuais 77 toneladas por hectare para 85 toneladas por hectare na próxima safra — nível que já foi obtido pela empresa no passado —, e se a concentração de sacarose se recuperar, dos atuais 139 quilos por tonelada de cana para 142 quilos por tonelada de cana.

 

Ainda segundo Vicchiato, a São Martinho deve iniciar as operações da próxima safra com uma produção totalmente voltada à fabricação de etanol. A aposta da empresa é de que, com o passar do tempo, essa maximização do biocombustível comece a enxugar a oferta de açúcar e, em algum momento, influencie a formação dos preços na bolsa de Nova York.

 

Até o momento, a companhia acertou o preço de exportação de 301 mil toneladas de açúcar para 2026/27. Em um cenário de maximização da produção de etanol, esse volume representaria cerca de 30% do total disponível para hedge (Globo Rural, 10//26)