01/04/2026

Setor de bioinsumos alcançou R$ 6,2 bilhões em valor de mercado em 2025

Setor de bioinsumos alcançou R$ 6,2 bilhões em valor de mercado em 2025

Área tratada subiu 28%, alcançando 194 milhões de hectares no país — Foto CropLife Divulgação

 

Levantamento foi divulgado nesta terça-feira pela CropLife Brasil.

 

O setor de bioinsumos alcançou um valor de mercado de R$ 6,2 bilhões em 2025 no Brasil, segundo levantamento do CropData, portal de dados da CropLife Brasil, divulgado nesta terça-feira (31/3). Trata-se do maior patamar da série histórica. O desempenho representa um crescimento de 15% em relação ao ano anterior.

 

Já a área tratada subiu 28%, alcançando 194 milhões de hectares no país. O cálculo leva em conta a área "empilhada", ou seja, uma mesma área pode ter sido tratada mais de uma vez.

 

Segundo a CropLife Brasil, entidade que reúne empresas do setor de tecnologia agrícola, o crescimento está atrelado principalmente a quatro fatores: profissionalização e expansão da indústria; necessidade de combate a pragas resistentes pelo manejo integrado; busca por soluções sustentáveis para a lavoura e maior adoção dos produtos.

 

"O produto químico, normalmente, tem um efeito de choque relevante, e o produto biológico tem um efeito residual. Isso traz, conforme ele (agricultor) for combinando produtos químicos e biológicos, uma proteção maior ao longo da lavoura, o que traz ganhos de produtividade", analisa o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides.

 

Sobre o impacto ambiental, a entidade citou dados da Embrapa Soja para dizer que o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio na soja brasileira evita emissões na ordem de 180 a 200 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano. Isso equivale a retirar da estrada mais de 100 milhões de carros a combustão.

 

Em meio a um cenário geopolítico instável, marcado por crises como a pandemia e a guerra na Ucrânia, os bioinsumos ganham relevância por terem uma cadeia de produção majoritariamente nacional.

 

"A produção de bioinsumos ocorre aqui no Brasil, esse é o ponto de grande vantagem para o setor. Mais de 90% da matéria-prima da indústria de biológicos é proveniente do Brasil", resumiu Amália Borsari, diretora de Biológicos da CropLife Brasil.

 

Dentro do setor de bioinsumos, o segmento de biofungicidas avançou 41% no ano passado, somando R$ 1,4 bilhão. Os inoculantes estiveram presentes em 77 milhões de hectares em 2025, e respondem por 40% da área tratada com bioinsumos no país. Bioinseticidas representam 24%, e bionematicidas, 23%.

 

O Estado do Mato Grosso conta com a maior área tratada com a tecnologia, representando 24% da utilização dos bioinsumos no país, impulsionado pelas culturas da soja e do milho, principalmente. São Paulo, com 16%, e Goiás, com 14%, completam as três primeiras posições.

 

Segundo Gomides, a região conhecida como Matopiba representou no ano passado 11% do valor de mercado. "É uma fronteira agrícola que já está com um percentual bem significativo em relação ao todo."

 

A cultura com maior uso de bioinsumos é a soja, principal produto agropecuário do Brasil, que representa 60% do mercado. Em seguida vêm o milho (20%), cana-de-açúcar (10%) e outras culturas.

 

Os inoculantes estão presentes em mais de 90% da área da soja, segundo a CropLife. "O produtor enxergou o benefício de usar inoculantes para reduzir o uso de nitrogenados sintéticos. É uma tecnologia já consolidada", observa Gomides.

 

A CropLife não divulgou projeções para o ano de 2026, mas, segundo Gomides, a disposição das empresas em lançar novos produtos indica que o cenário é promissor (Globo Rural, 31/3/26)