STF: O balcão de Lula - Por Paula Sousa

Imagem Reprodução Instagram
O Brasil amanhece à beira de um abismo institucional. Enquanto você toma seu café, um tabuleiro de xadrez sombrio é montado em Brasília para selar o destino da nossa Suprema Corte pelas próximas décadas. A indicação de Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF), não é apenas uma escolha técnica; é o xeque-mate de uma estratégia de poder que visa o controle absoluto das leis e o silenciamento definitivo da oposição.
O dinheiro público virou moeda de troca e princípios morais são sacrificados, sem pudor, no altar da conveniência política.
O retorno do "Bessias": Blindagem como projeto de Estado
Para entender Jorge Messias, é preciso voltar ao grampo que parou o Brasil. Como bem recorda o deputado Nikolas Ferreira, Messias saltou das sombras para o cenário nacional na Operação Lava-Jato. Naquela gravação histórica, Dilma Rousseff avisava Lula que enviaria o "Bessias" com um termo de posse — uma manobra desesperada para garantir foro privilegiado ao atual presidente e evitar sua prisão.
Hoje, o mesmo "Bessias" é o escolhido para julgar aqueles que o indicaram. O conflito de interesses é gritante. Como um homem que citou o nome de Lula 54 vezes em sua tese de doutorado pode prometer imparcialidade? O guardião da Constituição está sendo substituído por um "puxadinho" do Executivo, transformando o tribunal em um reduto de amigos íntimos.
O pilar ideológico: Um lobo em pele de cordeiro
A propaganda oficial vende Jorge Messias como um cristão moderado. Mas o papel aceita tudo; a realidade, não. As ações na AGU contam uma história de contradições profundas entre o que Messias prega e o que ele assina.
A questão da vida e o aborto

Imagem Reprodução Instagram
Embora se declare evangélico, Messias mostrou sua verdadeira face ao se manifestar sobre a assistolia fetal no STF. Trata-se de um procedimento brutal em bebês com mais de 22 semanas de gestação — seres humanos com chances reais de sobrevivência fora do útero. Messias assinou um parecer alegando que proibir essa prática era "inconstitucional". Na prática, ele validou um método que choca até nações que aplicam a pena de morte.
O "Ministério da Verdade" e a censura digital
Talvez o maior perigo resida na criação da Procuradoria Nacional da Defesa da Democracia. Batizada ironicamente como "Ministério da Verdade", essa estrutura dá ao governo o poder de rotular o que é "desinformação". Sob Messias, o órgão ignorou mentiras de aliados, mas agiu como um braço armado contra jornalistas e parlamentares da oposição. O homem que defende a remoção de conteúdos sem ordem judicial quer agora sentar na cadeira de quem julga se essa mesma censura é legal.
O pilar econômico: R$ 12 bilhões pelo seu silêncio
Se o perfil ideológico causa medo, o preço da aprovação causa náuseas. Segundo a coluna de Lauro Jardim, o governo Lula montou uma operação de guerra financeira para garantir os 41 votos necessários no Senado.
A cifra é obscena: R$ 12 bilhões de reais em emendas empenhados às vésperas da sabatina. Não é investimento em saúde ou educação; é "corrupção aberta". É o uso do seu imposto para comprar o voto de senadores que deveriam avaliar a ética, mas preferem contar o dinheiro.
A sombra de Flávio Dino
O Senado vive sob desconfiança. Muitos parlamentares sentem o "gosto de sangue" deixado por Flávio Dino, que prometeu diálogo e, após vestir a toga, passou a perseguir interesses do Congresso. O único "fio de esperança" é o revanchismo: senadores que podem pegar o dinheiro de Lula e, no sigilo do voto secreto, dar o troco em Messias para punir a traição de Dino.
A gestão de Messias na AGU é marcada por sombras. O Portal da Transparência "apagou" por oito meses o pagamento de R$ 2,5 bilhões em honorários. A desculpa? "Incompatibilidade técnica". Os dados só voltaram ao ar após pressão da imprensa.
Mais grave: um relatório interno listou nove organizações suspeitas de fraudar aposentados. Ao pedir o bloqueio de bens, Messias poupou seis delas. Entre as protegidas? O sindicato ligado a Frei Chico, irmão de Lula. Coincidência? Não. É o uso do Estado para proteger a "família real" do petismo.
O veredito: Liberdade ou submissão?
A votação no Senado define o futuro da nossa liberdade. Se Jorge Messias for aprovado, o Brasil terá no STF um magistrado que:
- Validou a manutenção das "saidinhas" de presos, ignorando as vítimas;
- Atua contra a anistia do 8 de janeiro, tratando mães de família como terroristas enquanto ignora falhas processuais;
- Defende a remoção de posts sem juiz ou processo;
- Assinou um parecer pró-aborto "sem ler". É este o rigor técnico que queremos na nossa Suprema Corte?
Davi Alcolumbre, presidente da CCJ, é acusado de um jogo duplo perigoso, equilibrando os bilhões do Planalto com a pressão de uma oposição que não aceita mais esse ultraje. Sergio Moro denunciou manobras para ser retirado da comissão — um sinal claro do desespero do governo.
A Constituição diz que todo o poder emana do povo. Mas em Brasília, ele emana das emendas e das amizades de conveniência. Se os senadores venderem essa vaga por 12 bilhões de prata, estarão dizendo "sim" para a censura e "sim" para a morte de bebês. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 29/4/2026)

