STF precisa se respeitar e ser respeitado – Editorial Folha de S.Paulo
- Na esteira do escândalo Master, avaliação do Supremo tem piora mais aguda que a de Lula e a do Congresso
- Urge investigar ministros, adotar código de ética e pôr fim a inquéritos dos superpoderes, não raro usados para censura e autoproteção
Há neste ano piora expressiva da avaliação do Supremo Tribunal Federal por parte dos brasileiros. De dezembro de 2025 para cá, a parcela que considera o trabalho dos ministros da corte ruim ou péssimo aumentou de 35% para 40%, conforme a nova pesquisa Datafolha. No período, o índice de bom ou ótimo desabou de 32% para 22%.
Vale dizer: de um saldo negativo de meros 3 pontos percentuais, a rigor na margem de erro do levantamento, chegou-se a um de 18 pontos.
Parece intuitivo, dada a coincidência temporal, associar esse movimento à revelação das ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o escândalo do Banco Master. É fato que o Datafolha capta uma piora geral de humores do eleitorado, mas a deterioração da imagem do STF é mais aguda que a do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a do Congresso Nacional.
Há uma divisão política na avaliação do tribunal. Entre os que se declaram mais alinhados ao petismo, as menções positivas superam as negativas (39% a 17%), enquanto do lado bolsonarista há amplo predomínio das segundas (9% a 65%). No contingente que não se declara de um lado nem de outro, o saldo é pior que no conjunto do país (12% a 43%).
Pesquisas de opinião, como se deve repetir, são fotografias de momento. Mas o Supremo assumirá um risco grave se permanecer inerte diante da crise de credibilidade por que passa —como parece querer a ala de magistrados que resiste às propostas saneadoras do presidente da corte, ministro Edson Fachin.
Desde a eclosão do caso Master, Fachin intensificou a defesa pública de um código de ética para si e seus colegas de toga, capaz de disciplinar práticas hoje nebulosas, como a participação em eventos suntuosos e a contratação de escritórios de advocacia de seus parentes por interessados em causas no tribunal.
Nada disso substitui o imperativo de investigar com rigor a extensão do envolvimento de Moraes e Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas seria uma demonstração básica de respeito republicano à instituição.
Igualmente inadiável é pôr fim aos inquéritos anômalos, sem transparência nem limite de propósitos, que concedem superpoderes a ministros, não raro usados para censura e autoproteção.
O Supremo também precisa ser respeitado pelos demais Poderes. A nomeação de seus juízes não pode ser um embate entre interesses menores do presidente da República e do Senado Federal, como se viu na recente e histórica rejeição da indicação de Jorge Messias. Pior, segundo se noticia, é que Lula está disposto a insistir no nome do aliado fiel.
A maior parte dos eleitores —59%, segundo o Datafolha— não tomou conhecimento do fiasco, infelizmente. Mas é alentador que, consultados sobre as características muito importantes para um novo ministro, 64% deles apontem a independência ante políticos e partidos (Folha, 20/5/26)

