02/10/2025

Tarifaço dos EUA freou vendas de máquinas agrícolas em agosto

Tarifaço dos EUA freou vendas de máquinas agrícolas em agosto

Abimaq estima que as vendas de máquinas agrícolas em 2025 terão um crescimento entre 6% e 10% em relação a 2024 — Foto: Wuiga Rubini/GOVBAault

 

Apesar da queda mensal, previsão para 2025 segue positiva.

 

Agosto foi o primeiro mês de 2025 em que as vendas de máquinas agrícolas recuaram em comparação ao mesmo período do ano passado: foi uma queda de 7,9%, de forma que a receita do setor somou R$ 6,15 bilhões. O movimento era esperado e se deu principalmente pela cautela dos produtores brasileiros após os EUA imporem uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras.

 

Segundo Pedro Estevão Bastos, Presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a ação americana teve três efeitos sobre o setor. O primeiro foi uma queda de 4,1% nas exportações. “Os EUA representam 1,3% do total que o país vende ao exterior”, afirmou.

 

O segundo efeito é mais difícil de medir, mas mostra uma retração nas compras de máquinas pelos produtores de café e dos pecuaristas porque foram os mais atingidos pelas taxas americanas.

 

O último é o efeito psicológico. “Todo empresário adia investimentos em um cenário desse até que tudo fique mais claro.

 

Esperávamos o movimento em julho, mas não aconteceu. O reflexo foi em agosto” afirmou Bastos.

 

No acumulado do ano, a receita do setor aumentou 14% em relação a janeiro-agosto de 2024, ao somar R$ 46,26 bilhões. Em relação a julho, a receita caiu 7,2%.

 

Com o resultado de agosto, a Abimaq estima que as vendas de máquinas agrícolas em 2025 terão um crescimento entre 6% e 10% em relação a 2024, com algo próximo a R$ 66 bilhões. “Num ano normal, o faturamento seria de R$ 75 bilhões, mas prevemos vendas mais mornas no segundo semestre”, afirmou Barbosa.

 

Entretanto, um dado positivo deixa o executivo em dúvida sobre essas projeções, que podem ser revistas. Trata-se do aumento de área de plantio em 2025/26, previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 2,2 milhões de hectares. “É muita área a ser cultivada, então podemos entender que o agronegócio é um mercado saudável”, disse Barbosa.

 

Para ter ideia da pujança do agro, apesar dos indicadores externos como o tarifaço, a previsão é que o setor de máquinas em geral cresça 5%. “Os números só não serão melhores por razão dos juros elevados e do preço das commodities estáveis”, completou.

 

Os números da Abimaq somente de tratores e colheitadeiras, que são as principais máquinas do setor, mostram que houve um aumento de 47,1% no volume comercializado em agosto no mercado interno, enquanto as vendas ao exterior recuaram 16,2%. Foram vendidas 5.917 unidades, sendo 5.437 tratores.

 

No ano, as vendas internas em número absoluto cresceram 22,7%, enquanto as exportações recuaram 10,8%.

 

Nas exportações, divulgou a Abimaq, o destaque de 2025 foram as compras da Argentina, que aumentaram 82,8% no caso de máquinas agrícolas. Os produtores e indústrias agropecuárias do país ampliaram as atividades e as importações, após algumas reformas do presidente Javier Milei, como mostrou reportagem da Globo Rural em julho (Globo Rural, 1/10/25)