30/04/2026

Tchau, querido! Office boy de Lula foi rejeitado – Por Paula Sousa

Tchau, querido! Office boy de Lula foi rejeitado – Por Paula Sousa

Imagem Reprodução Youtube

O Brasil testemunhou, nesta quarta-feira, um daqueles eventos que não apenas estampam as capas dos jornais, mas que rasgam as páginas da história e as reescrevem com a tinta da realidade política nua e crua. O que aconteceu no Senado Federal não foi apenas uma votação; foi um terremoto institucional que pôs fim a um hiato de 132 anos.

Desde 1894, quando a República ainda engatinhava sob o governo de Floriano Peixoto, o Senado não rejeitava um indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Pois bem, Jorge Messias — eternizado como o "Bessias", o office boy da Dilma — conseguiu essa proeza. Com um placar de 42 votos contra e apenas 34 a favor, o recado foi dado: o governo Lula, como o conhecemos, acabou.

O Mito da Governabilidade de Papel

A derrota é tão monumental que chega a ser pedagógica. Para tentar garantir a cadeira de Messias na Suprema Corte, o Palácio do Planalto não economizou. Foram empenhados R$ 12 bilhões em emendas parlamentares apenas no mês de abril. Na teoria clássica do "presidencialismo de coalizão", esse volume de recursos deveria comprar não apenas votos, mas a alma dos congressistas.

No entanto, o resultado nas urnas eletrônicas do Senado mostrou que a "moeda de troca" perdeu o valor. Os parlamentares pegaram o recurso, mas não entregaram o voto. É a falência completa da articulação política de um governo que parou no tempo, acreditando que as táticas de 2003 ainda funcionariam em um Brasil que despertou.

Como bem destacou o senador Flávio Bolsonaro em entrevista à Revista Oeste e outros veículos, o governo perdeu totalmente a tração. Não há mais esperança, não há mais projeto de País, apenas uma tentativa desesperada de sobrevivência. Flávio, que saiu deste episódio como o grande vencedor moral foi certeiro ao diagnosticar a "fadiga de material" do lulismo. O governo perdeu o fôlego, perdeu o brilho e, principalmente, perdeu o controle sobre o Congresso.

O "Fator Flávio Dino" e a vingança do Senado

Muitos se perguntam: por que Messias, um nome teoricamente "menos pior" que outros, foi o sacrificado? A resposta atende pelo nome de Flávio Dino. O agora ministro do STF parece ter sido o cavalo de Troia do próprio governo. Quando estava no Senado buscando sua aprovação, Dino prometeu mundos e fundos, jurou que respeitaria a autonomia das Casas e que seria um "amigo" do Legislativo. Mas, como é da natureza de certa ideologia, a promessa durou até a posse.

Assim que vestiu a toga, Dino bloqueou as emendas parlamentares, atingindo diretamente o coração financeiro do Senado. O sentimento de traição nos corredores de Brasília foi unânime. Messias pagou o pato pelo comportamento de seu antecessor. O Senado decidiu que não aceitaria mais um "pau mandado" que, uma vez investido de poder vitalício, viraria as costas para quem o colocou lá. É o STF colhendo o que plantou ao longo de anos de ativismo judicial e interferência direta nas prerrogativas dos senadores.

A bolha da esquerda em choque

Enquanto a oposição comemorava e o país assimilava o baque, os setores da imprensa tradicional esquerdista entraram em um estado de negação beirando o cômico. A CNN relatou que Lula "duvidou até o último minuto que a derrota viria". O choque de realidade foi brutal.

A coluna de Miriam Leitão no jornal O Globo foi, talvez, o ápice dessa desconexão com a realidade. Em um texto que beira o absurdo, a jornalista tentou emplacar a tese de que Messias foi rejeitado por não ser mulher. Segundo ela, o STF precisa de "diversidade".

Ora, Miriam, sejamos francos: o povo brasileiro e o Senado não estão preocupados com cotas identitárias para a Suprema Corte; o clamor é por honestidade, competência técnica e imparcialidade — qualidades que o "Bessias do papel da Dilma" nunca demonstrou possuir. A tentativa de rotular a derrota como "machismo" é uma ofensa à inteligência de quem acompanha a política.

Guilherme Boulos também não ficou atrás, classificando a rejeição como "chantagem política" e dizendo que o Senado saiu "menor" do episódio. Ora, Boulos, o Senado saiu gigante! Retomou sua função constitucional de filtro e de freio aos abusos do Executivo. Quem saiu menor, ou melhor, quem evaporou, foi a relevância política do projeto que você defende.

"Nós derrotamos o bolsonarismo"?

É impossível não recordar a frase emblemática de Luís Roberto Barroso: "Nós derrotamos o bolsonarismo". Diante do placar de 42 a 34, a pergunta que fica no ar é: quem derrotou quem? O bolsonarismo não apenas sobreviveu como se mostrou a força motriz capaz de infligir a maior derrota parlamentar de Lula em décadas. Se o objetivo do STF e do governo era enterrar a direita brasileira, o que conseguiram foi criar um gigante sedento por justiça e por um retorno à normalidade democrática.

O senador Sostenes Cavalcante resumiu bem o espírito da coisa no X (antigo Twitter): "O Senado deu um recado ao Brasil. Foi um sinal político. O Congresso começa a reagir". O jogo virou. A correlação de forças mudou de mãos e agora o governo é que está nas cordas, assistindo passivamente ao esfacelamento de sua base.

O tabuleiro de Davi Alcolumbre

Não podemos ignorar a figura de Davi Alcolumbre. O senador, que controla a CCJ e o ritmo das indicações, jogou xadrez. Ele queria Rodrigo Pacheco na vaga, Lula recusou. O resultado? Alcolumbre deixou o barco de Messias afundar. Agora, com a vaga aberta e a promessa de que nada mais será votado antes das eleições, o cenário para o governo é tenebroso.

Se o governo insistir em nomes ideológicos, continuará perdendo. Se indicar Pacheco, o governo se curva totalmente ao "centrão" e admite que não manda mais em nada. E o pior pesadelo lulista está logo ali: se essa vaga ficar aberta até o próximo ano, e as projeções de Flávio Bolsonaro para 2026 e 2027 se concretizarem, será a direita quem indicará o próximo ministro. É um xeque-mate em câmera lenta.

O fim do “tesão” político

O Flávio Bolsonaro, em sua fala após a votação, mencionou algo profundo: Lula parece ter perdido o "tesão" de fazer política. O que vemos hoje é um presidente cansado, cercado de ideias mofadas e assessores incompetentes, que não consegue mais empolgar nem mesmo aqueles que comprou com bilhões.

O Brasil está patinando, a violência explode, a carga tributária sufoca o empreendedor e a insegurança jurídica afasta qualquer investimento. Nenhuma empresa quer abrir capital na bolsa brasileira porque ninguém confia nas regras do jogo.

A rejeição de Jorge Messias é o sintoma final de um organismo político em colapso. O "Bessias", o eterno carregador de papéis, o office boy que ficou famoso por uma interceptação telefônica tentando salvar o chefe da prisão, foi finalmente devolvido ao arquivo da história.

"A indicação é do presidente, mas a aprovação é do Senado. Isso é democracia." — Flávio Bolsonaro

Conclusão

Este 42 a 34 não foi sorte. Foi o resultado de uma pressão popular incessante e de uma oposição que aprendeu a usar as ferramentas regimentais para barrar o autoritarismo disfarçado de democracia. O governo Lula acabou no sentido de sua viabilidade política. O que resta agora é um "zumbi administrativo" que ocupa o palácio, mas não governa o país.

A imprensa internacional, através da Bloomberg e de outros portais, já noticia a queda do escolhido de Lula como um sinal de fraqueza terminal. A festa da oposição é legítima, mas a responsabilidade agora é maior. O caminho para 2027 está sendo pavimentado hoje.

O recado foi dado para Moraes, Gilmar Mendes, para o STF e para o Planalto: o Senado não é mais um cartório de homologação. O Brasil não pertence a um partido ou a uma corte. O Brasil pertence aos brasileiros que, através de seus representantes, disseram um sonoro "NÃO" ao retrocesso.

Tchau, Messias. Tchau, projeto de poder absoluto. O office boy foi demitido pelo povo. E o patrão? O patrão está com os dias contados. Grande dia! (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 30/4/2026)