13/02/2026

Toffoli negociou com colegas termos de saída do caso Master durante reunião

Toffoli negociou com colegas termos de saída do caso Master durante reunião

Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal.Foto Nelson Jr  SCO STF

Ministro não fazia questão de seguir na relatoria do inquérito, mas foi enfático ao dizer que não sairia do caso por suspeição.

 

Por Teo Cury

 

Ministro não fazia questão de seguir na relatoria do inquérito, mas foi enfático ao dizer que não sairia do caso por suspeição.

 

A nota assinada por todos os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que sela a saída de Dias Toffoli do caso Master foi fruto de um trabalho conjunto.

 

A reunião no STF durou cerca de três horas e foi dividida em duas etapas. A primeira, mais longa, levou duas horas e meia. A segunda foi mais breve e durou menos de 30 minutos.

 

Os termos da saída de Toffoli da condução da investigação que apura fraudes no Banco Master de Daniel Vorcaro foram negociados com os demais ministros.

 

Toffoli afirmou aos colegas que não fazia questão de seguir na relatoria do inquérito, mas foi enfático ao dizer que não sairia do caso por suspeição.

 

O ministro tem insistido ao longo dos últimos meses, e reforçou isso nesta quinta-feira (12) a interlocutores, que não havia motivos para ser declarado suspeito.

 

A declaração da suspeição de Toffoli resultaria na anulação de todas as provas colhidas e atos proferidos pelo ministro desde que o caso chegou ao STF. Na prática, faria a investigação recomeçar do zero sem o aproveitamento das provas.

 

Os ministros também concordaram que não seria possível analisar o pedido de suspeição de Toffoli apresentado pela Polícia Federal. O entendimento compartilhado foi o de que a corporação não tem legitimidade para propor a solicitação.

 

Os ministros também criticaram a Polícia Federal durante o encontro por investigar o ministro sem ter havido autorização expressa do STF.

 

A solução encontrada foi Toffoli abrir mão do caso, cuja relatoria foi sorteada horas depois a André Mendonça. Na declaração final constou que a saída do ministro havia sido “a pedido”.

 

A decisão foi justificada na nota do STF levando em conta “o bom andamento dos processos e considerados os altos interesses institucionais”.

 

A pressão interna e, especialmente, a externa foram determinantes. A despeito de ministros relatarem reservadamente nas últimas semanas incômodo com as decisões de Toffoli, a nota respalda oficial e publicamente sua atuação.

 

Nela, todos os ministros reconhecem “a plena validade dos atos praticados” por Toffoli e expressam “apoio pessoal” ao ministro, “respeitando a dignidade de sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.

 

Durante a reunião, ministros defenderam que o STF desse uma resposta à sociedade. A avaliação dos magistrados é a de que a decisão tomada, com o anúncio da saída de Toffoli, alivia a pressão no tribunal e ajuda a reduzir, por ora, a crise de imagem do STF (CNN Brasil, 12/2/26)