24/03/2026

Três fatores levaram Ratinho Jr. a desistir da disputa ao Planalto

Três fatores levaram Ratinho Jr. a desistir da disputa ao Planalto

Foto CNN Brasil

Por Caio Junqueira

 

Pressão familiar, cenário adverso no Paraná e risco político pesaram na decisão.

 

A decisão do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), de desistir da disputa ao Palácio do Planalto foi influenciada por três fatores principais, segundo interlocutores.

 

O primeiro deles foi de ordem pessoal. Ratinho enfrentou pressão dos filhos — de 22, 17 e 13 anos — contrários à candidatura. O governador atribuiu peso decisivo à posição da família, acima até da avaliação da esposa e do pai, o apresentador Ratinho.

 

Entre os motivos, está a preocupação com segurança, intensificada após episódios recentes de violência política, como os atentados contra Jair Bolsonaro, em 2018, Donald Trump, em 2024, e o pré-candidato colombiano Miguel Uribe, em 2025.

 

O segundo fator envolve o cenário político no Paraná. O senador Sergio Moro lidera as pesquisas para o governo estadual e articulou filiação ao PL, com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL).

 

Com a saída da disputa nacional, Ratinho busca conter esse avanço. Aliados afirmam que o objetivo agora é impedir a candidatura de Moro pelo PL e construir uma coalizão que fortaleça seu grupo político no Estado.

 

Para isso, conta com o respaldo do presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, que já demonstrou resistência à filiação de Moro no Paraná.

 

O terceiro motivo está diretamente ligado ao segundo: o risco político de uma eventual vitória de Moro. Integrantes do entorno do governador avaliam que isso poderia abrir espaço para uma revisão de decisões tomadas ao longo dos oito anos de gestão.

 

A preocupação aumentou após o caso Master, que levantou questionamentos sobre a privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), realizada em 2020.

 

A empresa foi adquirida pelo empresário Nelson Tanure, alvo de investigação da Polícia Federal em janeiro, sob suspeita de ligação com o grupo.

 

O episódio já vem sendo explorado por adversários políticos no Estado, especialmente pelo PT, como forma de desgaste da atual gestão.

 

Além disso, pesou o risco eleitoral. Com menos de 5% das intenções de voto para a Presidência, segundo pesquisas internas, Ratinho poderia perder controle sobre sua base política ao se afastar do governo, abrindo espaço para uma migração de aliados em direção à candidatura de Moro.

 

Ao recuar da disputa nacional, o governador tenta preservar sua influência no Estado e reorganizar seu grupo político diante do novo cenário (CNN, 23/3/26)