11/03/2026

USDA reduz previsão para safra global de soja

USDA reduz previsão para safra global de soja

Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial, as previsões não mudaram — Foto Antônio Neto Embrapa

 

Projeção para a colheita brasileira de milho aumenta; produção mundial de trigo deve aumentar.

 

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe poucas mudanças para o quadro de oferta e demanda mundial de soja em 2025/26. Em seu relatório mensal de oferta e demanda, divulgado nesta terça-feira (10/3), o órgão estimou a safra global em 427,18 milhões de toneladas, redução de 0,2% em relação ao dado divulgado em fevereiro.

 

Também houve redução de 0,2% para a previsão de exportação de soja no mundo, que deve alcançar 187,17 milhões de toneladas.

 

Com a safra 2025/26 nos Estados Unidos já concluída, os números não se alteraram. Assim, a previsão de produção permaneceu em 115,99 milhões de toneladas; as exportações em 42,86 milhões e os estoques de 9,52 milhões.

 

Diante do relatório “morno”, os preços caminham de lado na bolsa de Chicago. Os lotes para maio sobem 0,75%, cotados a US$ 12,05 o bushel.

 

Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial, as previsões também não mudaram, a despeito de problemas com excesso de chuvas que prejudicaram a colheita e ainda seca em excesso em áreas produtoras do Rio Grande do Sul. O USDA manteve a previsão de safra no Brasil em 180 milhões de toneladas, com exportações mantidas em 114 milhões.

 

Em relação à Argentina, onde o clima prejudicou algumas lavouras, o departamento estimou 48 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao mês anterior. A exportação ficou mantida em 8,25 milhões.

 

Sobre o maior importador mundial de soja, a China, a previsão de compras ficou mantida em 112 milhões de toneladas.

 

Milho

 

O USDA manteve a previsão de safra de milho dos EUA e elevou a da produção brasileira do cereal na safra 2025/26. As projeções de safra mundial também tiveram ajustes.

 

“A produção de milho de outros países está maior, com a produção da Ucrânia e do Brasil compensando, em parte, uma queda na projeção para a Argentina”, diz o relatório.

 

Os técnicos do governo americano avaliam que os Estados Unidos devem colher 432,34 milhões de toneladas de milho, consumir 334,53 milhões, exportar 83,82 milhões e encerrar a temporada com 54,02 milhões de toneladas em estoques.

 

Já o Brasil deve colher 132 milhões de toneladas, um milhão a mais que na previsão anterior, de fevereiro, mas abaixo da estimativa para a safra 2024/25 (136 milhões de toneladas). O USDA ajustou de 96,5 milhões para 96 milhões de toneladas a projeção de consumo interno, e manteve a de exportações em 43 milhões de toneladas.

 

“A projeção para o Brasil está maior por causa de um aumento de área na primeira safra”, destaca o USDA, no relatório.

 

O relatório eleva de 3,68 milhões para 5,96 milhões de toneladas a projeção de estoques finais da safra brasileira de milho. Além da produção, os técnicos do USDA revisaram para cima a estimativa de estoques iniciais do atual ciclo agrícola, que passou de 10,58 milhões para 11,36 milhões de toneladas.

 

Para a Argentina, o USDA reduziu o número para a produção de milho, de 53 milhões para 52 milhões de toneladas. Manteve, no entanto, a previsão de consumo interno em 16,7 milhões de toneladas e a de exportações em 37 milhões de toneladas. Os argentinos devem terminar a safra 2025/26 com 5,09 milhões de toneladas de milho em estoque.

 

O relatório de oferta e demanda mantém as projeções para a safra de milho da Rússia. O país deve produzir 14,5 milhões de toneladas, consumir 11,4 milhões, exportar 3 milhões e encerrar a temporada com 1,06 milhão de toneladas em estoque.

 

Para a Ucrânia, o USDA elevou a previsão de colheita de milho de 29 milhões para 30,7 milhões de toneladas. Aumentou também a projeção de consumo interno, de 6,2 milhões para 6,6 milhões de toneladas. Manteve o número para exportação em 22 milhões de toneladas e reajustou o de estoques finais, de 1,65 milhão para 2,95 milhões de toneladas.

 

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revisou a previsão de produção global de milho, de 1,295 bilhão para 1,297 bilhão de toneladas. O consumo doméstico total foi ajustado de 1,301 bilhão para 1,3 bilhão de toneladas. As exportações passaram de 206,55 milhões para 206,85 milhões de toneladas, e os estoques finais, de 288,98 milhões para 292,75 milhões de toneladas.

 

Trigo

 

As perspectivas globais do USDA para produção do trigo na safra 2025/26 foram revisadas para cima. As estimativas apontam aumento na importação, e exportação, e diminuição nos estoques.

 

A oferta global de trigo deve atingir 842,12 milhões de toneladas, 320 mil toneladas acima da projeção anterior. O departamento aumentou a previsão das importações para 218,02 milhões de toneladas, alta de apenas 0,13%.

 

O consumo de trigo também sobe na safra, para 824,80 milhões de toneladas, segundo o Usda, 0,09% acima da projeção de 824,06 milhões de toneladas do último relatório.

 

Já para os estoques finais o departamento reduziu as estimativas para 276,96 milhões de toneladas, 0,20% abaixo da última projeção.

 

As previsões para os EUA, que geralmente trazem um peso maior ao mercado, não se alteraram em relação ao mês anterior. A produção se manteve em 54,01 milhões de toneladas; as exportações previstas em 24,49 milhões, e os estoques finais estimadas em 25,34 milhões.

 

Para o Brasil, o USDA manteve a projeção de produção de trigo em 8 milhões de toneladas; as importações em 7,1 milhões; o consumo total em 12,35 milhões; as exportações caíram para 2,3 milhões; e os estoques ficaram em 3,14 milhões de toneladas.

 

A Ucrânia teve a produção prevista aumentada em 4,25%, para 24 milhões de toneladas, enquanto a exportação caiu de 14 milhões de toneladas para 13,50 milhões de toneladas.

 

O USDA também manteve a projeção de 89,5 milhões de toneladas para a Rússia. O consumo (41,7 milhões de toneladas), as exportações foram diminuídas para 43,50 e os estoques finais devem ficar em 15,19 milhões de toneladas.

 

A Argentina teve a produção prevista mantida em 27,8 milhões de toneladas. As exportações tiveram um incremento de 8,33%, de 18 milhões para 19,50 milhões de toneladas. Já a previsão dos estoques finais do país caíram de 4,31 milhões para 3,31 milhões (Globo Rural, 10/3/26)