05/06/2023

Usinas de etanol ‘barganham’ com novo ICMS e açúcar ‘paga a conta’

Segundo analista, os preços mais vantajosos do açúcar faz com que as indústrias produzam etanol apenas para atender a demanda (Imagem: REUTERS/Adriano Machado)

ABASTECENDO ETANOL (Imagem- REUTERS-Adriano Machado)

Segundo analista, os preços mais vantajosos do açúcar faz com que as indústrias produzam etanol apenas para atender a demanda 

Entrou em vigor nesta quinta-feira (1) a alíquota única e fixa do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na gasolinaCom a mudança, foi aplicada à cobrança de R$ 1,22 por litro em todo o país.

A princípio, o valor seria de R$ 1,45 e entraria em vigor apenas em julho. No entanto, a alíquota do ICMS foi reduzida para R$ 1,22 e adiantada em um mês.

Sobre o “sobe e desce da bomba”, o Agro Times conversou com Marcelo Di Bonifácio Filho, analista de açúcar e etanol da StoneX, para entender como fica o cenário dos combustíveis, assim como o trabalho das usinas.

O que mexe no mercado?

De acordo com Bonifácio, com o novo ICMS, a tributação na gasolina deve subir em 24 das 27 unidades federativas, assim como os preços.

Na visão do analista, as usinas já esperavam essa alta na gasolina, que eleva a demanda pelo etanol. Com isso, as indústrias moageiras anteciparam esse aumento, que resultou em alta nos preços do hidratado.

“Com a gasolina mais cara, as usinas tem segurado os volumes, esperando preços maiores, para ter um maior poder de barganha na hora de vender. A paridade estava acima de 70% na semana passada, mas olhando para as últimas semana, há um cenário mais vantajoso”, discorre.

Por outro lado, a safra 2023/2024 de cana-de-açúcar está em patamares elevados, com a moagem elevada e as usinas voltando o mix para o açúcar.

“Em termos de oferta, ainda está desfavorável ao etanol, elas estão produzindo o mínimo para atender a demanda, com o açúcar pagando muito mais do que o etanol, pagando a conta das indústrias. Fica claro que o biocombustível depende muito do lado tributário, do incentivo ao consumidor final”, finaliza.

Assim, a expectativa para o setor de etanol fica para a retomada na cobrança integral de tributos federais sobre a gasolina e o etanol, cenário que favorece o biocombustível.

Confira como deve ficar o ICMS da gasolina em cada Estado:

Dados da Fecombustíveis apontam que o ICMS varia de R$ 0,92 a R$ 1,34 por litro. Com isso, apenas o Amazonas, Alagoas e o Piauí apresentam queda nos preços.

Estado

 

ICMS atual

 

Diferença no preço do litro após alíquota de R$ 1,22

 

Piauí

 

R$ 1,34

 

– R$ 0,12

 

Amazonas

 

R$ 1,33

 

– R$ 0,11

 

Alagoas

 

R$ 1,25

 

– R$ 0,03

 

Rio Grande do Norte

 

R$ 1,20

 

+ R$ 0,22

 

Acre

 

R$ 1,18

 

+ R$ 0,04

 

Tocantins

 

R$ 1,16

 

+ R$ 0,06

 

Ceará

 

R$ 1,15

 

+ R$ 0,07

 

Bahia

 

R$ 1,14

 

+ R$ 0,08

 

Maranhão

 

R$ 1,10

 

+ R$ 0,12

 

Pará

 

R$ 1,08

 

+ R$ 0,14

 

Sergipe

 

R$ 1,05

 

+ R$ 0,17

 

Rondônia

 

R$ 1,05

 

+ R$ 0,17

 

Roraima

 

R$ 1,05

 

+ R$ 0,17

 

Distrito Federal

 

R$ 1,02

 

+ R$ 0,20

 

Rio de Janeiro

 

R$ 1,01

 

+ R$ 0,21

 

Paraná

 

R$ 1,00

 

+ R$ 0,22

 

Minas Gerais

 

R$ 0,98

 

+ R$ 0,24

 

Espírito Santo

 

R$ 0,97

 

+ R$ 0,25

 

Paraíba

 

R$ 0,96

 

+ R$ 0,26

 

Pernambuco

 

R$ 0,96

 

+ R$ 0,26

 

São Paulo

 

R$ 0,96

 

+ R$ 0,26

 

Amapá

 

R$ 0,95

 

+ R$ 0,27

 

Mato Grosso

 

R$ 0,95

 

+ R$ 0,27

 

Santa Catarina

 

R$ 0,95

 

+ R$ 0,27

 

Goiás

 

R$ 0,93

 

+ R$ 0,29

 

Rio Grande do Sul

 

R$ 0,93

 

+ R$ 0,29

 

Mato Grosso do Sul

 

R$ 0,92

 

+ R$ 0,30

 

(Money Times, 2/6/23)