Usinas de etanol ‘barganham’ com novo ICMS e açúcar ‘paga a conta’
ABASTECENDO ETANOL (Imagem- REUTERS-Adriano Machado)
Segundo analista, os preços mais vantajosos do açúcar faz com que as indústrias produzam etanol apenas para atender a demanda
Entrou em vigor nesta quinta-feira (1) a alíquota única e fixa do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na gasolina. Com a mudança, foi aplicada à cobrança de R$ 1,22 por litro em todo o país.
A princípio, o valor seria de R$ 1,45 e entraria em vigor apenas em julho. No entanto, a alíquota do ICMS foi reduzida para R$ 1,22 e adiantada em um mês.
Sobre o “sobe e desce da bomba”, o Agro Times conversou com Marcelo Di Bonifácio Filho, analista de açúcar e etanol da StoneX, para entender como fica o cenário dos combustíveis, assim como o trabalho das usinas.
O que mexe no mercado?
De acordo com Bonifácio, com o novo ICMS, a tributação na gasolina deve subir em 24 das 27 unidades federativas, assim como os preços.
Na visão do analista, as usinas já esperavam essa alta na gasolina, que eleva a demanda pelo etanol. Com isso, as indústrias moageiras anteciparam esse aumento, que resultou em alta nos preços do hidratado.
“Com a gasolina mais cara, as usinas tem segurado os volumes, esperando preços maiores, para ter um maior poder de barganha na hora de vender. A paridade estava acima de 70% na semana passada, mas olhando para as últimas semana, há um cenário mais vantajoso”, discorre.
Por outro lado, a safra 2023/2024 de cana-de-açúcar está em patamares elevados, com a moagem elevada e as usinas voltando o mix para o açúcar.
“Em termos de oferta, ainda está desfavorável ao etanol, elas estão produzindo o mínimo para atender a demanda, com o açúcar pagando muito mais do que o etanol, pagando a conta das indústrias. Fica claro que o biocombustível depende muito do lado tributário, do incentivo ao consumidor final”, finaliza.
Assim, a expectativa para o setor de etanol fica para a retomada na cobrança integral de tributos federais sobre a gasolina e o etanol, cenário que favorece o biocombustível.
Confira como deve ficar o ICMS da gasolina em cada Estado:
Dados da Fecombustíveis apontam que o ICMS varia de R$ 0,92 a R$ 1,34 por litro. Com isso, apenas o Amazonas, Alagoas e o Piauí apresentam queda nos preços.
|
Estado |
ICMS atual |
Diferença no preço do litro após alíquota de R$ 1,22 |
|||
|
Piauí |
R$ 1,34 |
– R$ 0,12 |
|||
|
Amazonas |
R$ 1,33 |
– R$ 0,11 |
|||
|
Alagoas |
R$ 1,25 |
– R$ 0,03 |
|||
|
Rio Grande do Norte |
R$ 1,20 |
+ R$ 0,22 |
|||
|
Acre |
R$ 1,18 |
+ R$ 0,04 |
|||
|
Tocantins |
R$ 1,16 |
+ R$ 0,06 |
|||
|
Ceará |
R$ 1,15 |
+ R$ 0,07 |
|||
|
Bahia |
R$ 1,14 |
+ R$ 0,08 |
|||
|
Maranhão |
R$ 1,10 |
+ R$ 0,12 |
|||
|
Pará |
R$ 1,08 |
+ R$ 0,14 |
|||
|
Sergipe |
R$ 1,05 |
+ R$ 0,17 |
|||
|
Rondônia |
R$ 1,05 |
+ R$ 0,17 |
|||
|
Roraima |
R$ 1,05 |
+ R$ 0,17 |
|||
|
Distrito Federal |
R$ 1,02 |
+ R$ 0,20 |
|||
|
Rio de Janeiro |
R$ 1,01 |
+ R$ 0,21 |
|||
|
Paraná |
R$ 1,00 |
+ R$ 0,22 |
|||
|
Minas Gerais |
R$ 0,98 |
+ R$ 0,24 |
|||
|
Espírito Santo |
R$ 0,97 |
+ R$ 0,25 |
|||
|
Paraíba |
R$ 0,96 |
+ R$ 0,26 |
|||
|
Pernambuco |
R$ 0,96 |
+ R$ 0,26 |
|||
|
São Paulo |
R$ 0,96 |
+ R$ 0,26 |
|||
|
Amapá |
R$ 0,95 |
+ R$ 0,27 |
|||
|
Mato Grosso |
R$ 0,95 |
+ R$ 0,27 |
|||
|
Santa Catarina |
R$ 0,95 |
+ R$ 0,27 |
|||
|
Goiás |
R$ 0,93 |
+ R$ 0,29 |
|||
|
Rio Grande do Sul |
R$ 0,93 |
+ R$ 0,29 |
|||
|
Mato Grosso do Sul |
R$ 0,92 |
+ R$ 0,30 |
(Money Times, 2/6/23)

