25/06/2026

Volume de exportação de café recua frente à safra anterior, diz Cepea

Volume de exportação de café recua frente à safra anterior, diz Cepea

 

Brasil é maior produtor de café do mundo. Foto Pexels

Na parcial da safra 2025/26, embarques somam 35,4 milhões de sacas de 60kg, 18% a menos em comparação à última safra; receita acumulada se manteve no mesmo patamar.

O volume de café exportado na safra 2025/26 recuou 18% em comparação à última safra e somou 35,4 milhões de sacas de 60 kg na parcial do ciclo, segundo levantamento do Cepea (Centro de Pesquisa em Economia Aplicada) divulgado nesta quarta-feira (24).

Na safra anterior, o volume foi de 43 milhões de sacas. Já o faturamento totalizou US$ 13,7 bilhões, um recuo marginal (US$ 0,1 bilhões) nesta comparação.

 

“O resultado reflete o efeito dos preços elevados do grão ao longo da safra 2025/26, que compensaram, em grande medida, a queda no volume exportado”, destacou o Cepea.

Na avaliação do Centro de Pesquisa, a redução de embarques foi resultado da menor produção somada à baixa nos estoques, que apresentaram volumes historicamente baixos.

 

No decorrer do ciclo, os produtores adotaram uma postura conservadora, sem urgência para liquidar os estoques, motivados pelos altos preços obtidos ao longo do ciclo.

 

Próxima safra  

 

A partir de maio, com a colheita da safra 2026/27 se intensificando, as negociações ganharam mais fôlego. No entanto, segundo os pesquisadores, esse movimento não se traduziu em mais embarques.

 

“Esse movimento dificilmente se traduz em embarques imediatos, uma vez que o café recém-colhido ainda requer tempo de preparo e beneficiamento antes de estar apto para exportação em volumes expressivos”, destacaram.

 

Há uma expectativa de que, a partir de junho, o ritmo de exportações podem aumentar de forma gradual.

 

A RaboResearch estima que, para o próximo ciclo, a produção deve chegar a 73,3 milhões de sacas de 60 kg, sendo 46,7 milhões de arábica e 26,6 milhões de robusta (CNN, 24/6/26)

El Niño pode afetar próximas safras de café em países produtores

Segundo consultoria, produção brasileira de café pode enfrentar desafios climáticos na próxima safra — Foto CNC

No Brasil, impactos devem ser limitados, mas riscos são maiores na América Central e Ásia.

A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 volta a colocar o clima entre os principais fatores de atenção para o mercado global de café. Embora os impactos variem conforme a região produtora e o momento do ciclo agrícola em que o fenômeno ocorre, a expectativa é de que os participantes do mercado acompanhem com atenção os possíveis efeitos sobre a oferta global nos próximos anos.

Segundo análise da consultoria Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño sobre a produção de café variam de acordo com a intensidade do fenômeno, sua duração e o período em que se manifesta, além das condições climáticas específicas de cada origem produtora. Dessa forma, os impactos podem ser distintos entre regiões e safras.

Brasil

No Brasil, principal produtor e exportador mundial de café, a expectativa atual da Hedgepoint é de que a safra 2026/27 não seja diretamente afetada pelo fenômeno climático. Essa perspectiva reduz os riscos imediatos para a produção brasileira. Porém, um outono e inverno mais chuvoso ainda podem atrasar a colheita e trazer alguma volatilidade ao mercado.

Apesar da expectativa de impactos limitados para a safra atual, a análise da consultoria aponta que podem surgir desafios para a próxima safra. “No Brasil, a produção da safra 2026/27 não deve ser impactada, mas podem surgir desafios para o andamento da colheita e devemos ter atenção à fase de flora”, explica Laleska Moda, analista de inteligência de mercado na Hedgepoint.

América Central e Ásia

Fora do Brasil, os riscos associados ao El Niño tendem a ser mais relevantes. De acordo com a análise da Hedgepoint, importantes origens produtoras da América Central e da Ásia podem enfrentar efeitos negativos tanto para a safra 2026/27 quanto para a 2027/28.

Com a probabilidade crescente de um evento forte de El Niño entre o final de 2026 e o início de 2027, o impacto potencial decorre das alterações nos padrões climáticos normalmente associadas ao fenômeno, que podem afetar etapas importantes do desenvolvimento das lavouras (Globo Rural, 24/6/26)