Voto eletrônico, Pix, agro, SUS, Embraer
Por que rotas de sucesso como essas não se multiplicaram? Imagem BrasilAgro IA Copilot
Por José Roberto Mendonça de Barros
Os países que avançam têm sempre políticas que visam persistentemente ao longo prazo, e não a uma marca para o governo de plantão.
Recentemente, o Brazil Journal publicou um artigo notável, escrito por Hugo Rodrigues, cujo título abre uma análise fundamental para entender o Brasil dos últimos tempos. O Brasil é talento sem método. E talento só não basta.
No texto, dizia que “em 2002, quando o Brasil ganhou o penta havia uma sensação difusa de que o País, finalmente, encontrava seu local no mundo”.
Afinal, o Real dera certo, a eleição de Lula e uma transição de governo tranquila mostravam uma democracia a pleno vapor e tínhamos um time que jogava bola de verdade.
Nem o hexa, nem o crescimento vieram. E assim continuará até que aprendamos a construir um jogo de longo prazo. “O que nos faltou foi aceitar que talento sem processo produz lampejo, não legado”.
E isso muitos atletas e países já sabem há um bocado de tempo. Só avança e ganha quem cultiva os fundamentos, alavancando os talentos e as vantagens comparativas, muitas vezes construídas a partir de uma base mais limitada.
A medalha de ouro foi para Rebeca Andrade, mas não a Copa para Neymar.
Os países que avançam têm sempre políticas que visam persistentemente ao longo prazo, e não a uma marca para o governo de plantão. E isso, antes de tudo, significa construir as condições para o crescimento sustentado da produção por trabalhador.
O Brasil há muitos anos cresce muito menos do que a média global. Nossa produtividade agregada não avança e, olhado de hoje, isso deverá continuar a ocorrer.
Entretanto, um olhar mais acurado revela muitas áreas/setores/empreendimentos nos quais houve a construção de avanços notáveis, comparáveis às melhores práticas globais.
Considere-se a seguinte lista: Sistema eletrônico de votação; Tecnologia bancária digital, anterior e base do Pix; Sistema Universal de Saúde (SUS); Bolsa Família; Tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas — Petrobras; Décadas de crescimento persistente da produtividade agrícola; Certas empresas como Embraer e Weg.
Esta pequena lista mostra casos de sucesso, frutos de projetos de longo prazo cuidadosamente desenvolvidos, muitos dos quais (mas não todos, como o Bolsa Família) mantidos atualizados pelo constante enfrentamento de novos desafios que sempre surgem ao longo do tempo.
A pergunta que se coloca é por que rotas bem-sucedidas como essas não se multiplicaram a ponto de transformar em sucesso o crescimento agregado do País, como já mencionado.
Mais ainda, e mais relevante: se não avançamos, podemos retroceder? Essas questões serão endereçadas na nossa próxima coluna (José Roberto Mendonça de Barros é economista e sócio da MB Associados; Estadão, 12/7/26)

