XP mantém visão positiva para agro brasileiro apesar de crise no setor
Pedro Freitas, sócio e líder de agro da XP, — Foto: Divulgação
Para a instituição financeira, a grande aposta do produtor rural neste momento de crise, crédito escasso e juros altos é ter o custo mais barato possível.
O agronegócio brasileiro encara um ciclo negativo, com margens dos produtores apertadas, custos de insumos em alta diante da extensão dos conflitos geopolíticos e incertezas climáticas com a ameaça de um El Niño “muito forte”. Ainda assim, Pedro Freitas, sócio e líder de agro da XP, tem uma visão estruturalmente positiva para o setor nos próximos anos.
“O Brasil tem terra, água e clima, custo menor para produzir no mesmo talhão de terra. A demanda vem, o Brasil cresce e vai ganhar mercado no agro. Essa é a visão estrutural da XP, não muda independentemente do momento”, resumiu.
Para Freitas, a grande aposta do produtor rural neste momento de crise, crédito escasso e juros altos é ter o custo mais barato possível, já que o preço das commodities é incontrolável. “É melhor deixar de ganhar do que perder. Quem tiver o custo mais barato, na hora de vacas gordas vai lucrar, mas na hora de vacas magras não vai perder.”
O líder de agro da XP afirma que, para o cliente ter o mínimo de risco possível, o certo é trabalhar com margens e menos especulação. “O produtor já tem muitos riscos dentro da porteira, como pragas e clima, então nós trabalhamos com margens.”
Na ponta da cadeia, o aperto financeiro do produtor muda a dinâmica de comercialização dos grãos. Cristiano Cortez, diretor da Portal Agrícola, empresa comercializadora de grãos de Sinop (MT), afirma que os agricultores estão pressionados a vender a produção e receber o dinheiro rapidamente.
“A gente compra à vista e vende no prazo para multinacionais. Pegamos a operação na fazenda e entregamos no porto para as grandes empresas, e tomamos os riscos de tombamento, roubo”.
Segundo Cortez, é entre a compra do grão do produtor e o pagamento da multinacional que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) tem ganhado espaço. O fundo antecipa o recebimento para a empresa, desde que a operação apresente baixo risco. “O crédito está aí no mercado, só mudou de mão e está mais seletivo. Todo mundo quer ter mais segurança”.
Para Guilherme Cadelca, diretor financeiro da Grão Direto, a maior seletividade ocorre em um momento em que o produtor enfrenta uma combinação de fatores negativos como queda dos preços das commodities, custo financeiro elevado, juros, riscos climáticos e baixa cobertura de seguros (Globo Rural, 6/10/26)

