26/08/2026

Yara e Coopercitrus firmam parceria para descarbonização no cacau e café

Yara e Coopercitrus firmam parceria para descarbonização no cacau e café

Imagem ChatGPT

A assinatura aconteceu durante o 13º Congresso Brasileiro de Fertiizante.

 

A multinacional Yara e a cooperativa Coopercitrus assinaram nesta terça-feira (25/8) um memorando de entendimento não vinculante para avaliar potenciais parcerias de descarbonização nas cadeias de café e cacau. A assinatura aconteceu durante o 13º Congresso Brasileiro de Fertiizantes, que ocorre em São Paulo.

 

O estudos terão início imediato, segundo a empresa. A Coopercitrus é uma das maiores cooperativas brasileiras no fornecimento de insumos, máquinas, implementos e assistência técnica para produtores rurais. Já a Yara é líder mundial em nutrição de plantas.

 

"Quando o produtor investe na descarbonização de sua produção, ele não apenas cultiva um futuro mais sustentável, mas também cria um diferencial relevante para seus produtos, agregando valor e ampliando o potencial de acesso a novos mercados", afirma Deise DallaNora, diretora de public affairs, comunicação, sustentabilidade e cadeia do alimento da Yara Brasil (Globo Rural, 25/8/26)

 

Agrovale terá financiamento de R$ 200 milhões por Eco Invest para recuperar canaviais

Colheita de Cana - Foto José Roberto Miranda Embrapa

Áreas da Agrovale estão localizadas no semiárido brasileiro 

 

A Agro Indústrias do Vale do São Francisco ou Agrovale, que produz açúcaretanol e energia elétrica em Juazeiro (BA), na divisa com Pernambuco, finalizou a estruturação técnica e financeira de um projeto voltado a recuperar canaviais degradados e implantar sistemas de irrigação por gotejamento, que deve ter financiamento de aproximadamente R$ 200 milhões dentro do programa Eco Invest Brasil.

 

O projeto foi selecionado no segundo leilão do programa, focado em destravar investimentos privados e atrair capital externo para projetos sustentáveis, incluindo a transição à agricultura de baixo carbono no setor agropecuário. O Itaú BBA atuou como instituição estruturadora e financiadora da operação para a Agrovale, a primeira na Caatinga viabilizada pelo leilão, segundo comunicado da instituição financeira.

 

O montante a ser financiado, que terá taxas de juros abaixo das de mercado, deverá ser amortizado em sete anos, de acordo com a nota do Itaú BBA. As áreas da Agrovale estão localizadas no semiárido brasileiro, onde a precipitação média anual é de cerca de 400 milímetros, o que torna a irrigação essencial para a produção agrícola. A iniciativa tem como objetivo elevar a produtividade, promover o uso mais eficiente dos recursos hídricos e fortalecer a sustentabilidade nas lavouras.

 

"É uma satisfação participar da estruturação da primeira operação do Eco Invest II voltada à recuperação produtiva de áreas degradadas no bioma Caatinga. Acreditamos que mecanismos financeiros como este são fundamentais para ampliar o acesso a capital destinado à transição para uma economia de baixo carbono", disse no comunicado o diretor de Agronegócio do Itaú BBA, Pedro Fernandes.

 

Com a iniciativa, espera-se promover a melhoria da qualidade do solo, aumentar a capacidade de retenção de matéria orgânica, fortalecer a sustentabilidade do sistema produtivo e ajudar a reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE). A expectativa, segundo a nota, é de um incremento aproximado de 223% na produção, em comparação a sistemas convencionais de irrigação praticados na região.

 

Além disso, ao longo da execução do projeto, a receita estimada com esses produtos é de cerca de R$ 1,3 bilhão.

 

"A operação reforça nosso compromisso com uma produção cada vez mais eficiente e sustentável. Este projeto permitirá modernizar nossas operações, aumentar a produtividade das áreas cultivadas e otimizar o uso da água, gerando benefícios ambientais e econômicos de longo prazo", afirmou no comunicado a superintendente administrativo financeiro da Agrovale, Juliana Alves (Globo Rural, 25/8/26)

 

 

SÉTIMA CHAMADA – EDITORIA OPINIÃO

Na pecuária brasileira, liderança é só o começo – Por Luiz Josahkian IMAGEM BONITA GADO ZEBU PASTANDO NO CAMPO

 

O protagonismo brasileiro no mercado de carne bovina exige respostas às mudanças regulatórias e às novas demandas dos importadores

Em 2025, o Brasil liderou o mercado mundial de carne bovina, com uma produção de 12,3 milhões de toneladas, colocando 3,5 milhões de toneladas em 177 países. Isso sem comprometer o consumo interno, já que 63,3% da carne abasteceu o mercado doméstico.

 

Para atingir esses patamares de produção, atravessamos um longo caminho. Nos últimos 30 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produtividade cresceu 183% e a área de pastagens diminuiu 18% (ponto para a sustentabilidade).

 

Já o abate de machos com mais de 36 meses passou de 70,3% para 10,7% (ponto para a produtividade). Nosso rebanho está apascentado em 159,8 milhões de hectares, em pastagens de mais de 2,5 milhões de estabelecimentos, e ainda deixa preservados 64% do território com vegetação nativa.

 

Contudo, chegar ao topo é mais fácil do que permanecer lá, e nossos desafios continuam. Ainda temos uma assimetria abismal de produtividade: São Paulo produz 327 quilos de carcaça por hectare, e o Amapá, 0,56 quilo, por exemplo.

 

E, claro, o mercado internacional impõe exigências cada vez maiores. A União Europeia, que desde 2019 vem desenvolvendo sua política “Green Deal” a fim de descarbonizar o bloco, tem estabelecido regras rígidas.

 

A determinação de que a carne não seja oriunda de áreas desmatadas ou ilegais obrigou o Brasil a estabelecer o Plano Nacional de Identificação Bovina (PNIB), uma espécie de boi com CPF, cuja meta, ambiciosa, é atingir 100% do rebanho nacional até 2032.

 

O governo brasileiro está trabalhando na implementação do PNIB, e já ocorreram alguns avanços, resultantes de uma sinergia dos governos federal e estaduais com a iniciativa privada, mas a tarefa é longa.

 

A UE também anunciou que, em setembro deste ano, se o protocolo livre de antimicrobianos não estiver implantado, a carne brasileira não será aceita. Na prática, isso veta o uso de ionóforos, uma prática usual em nossos confinamentos.

 

Não se trata de uma condição imposta recentemente, o que revela uma lentidão de resposta do Brasil, possivelmente derivada de uma leitura equivocada de que as regras, ao final, não iriam se cumprir.

É preciso ter em mente que a União Europeia não impõe regras a ninguém: como compradora, ela simplesmente determina o que quer. Quem quiser aderir, que o faça. Não que o bloco europeu seja expressivo em termos quantitativos, pois representa algo ao redor de 4% das nossas exportações, mas ele funciona como um cartão de visita internacional e sinaliza qualidade para todos os outros mercados – especialmente nosso principal comprador, a China, destino de 47,8% do nosso produto em 2025.

 

E por falar em China, temos novidades. Nosso maior comprador estabeleceu cotas com tarifas viáveis para seus principais parceiros, e, embora o Brasil tenha uma participação generosa, agora esse mercado tem limites.

 

Em 2026, até agosto, já deveremos atingir a cota com 12% de tarifa; acima disso, a taxa salta para 55%, o que já está se refletindo sobre o valor interno da arroba. É preciso ficar atento a esses movimentos do mercado e antecipar soluções para um cenário em que Europa e China não estejam plenamente incluídas.

 

(Luiz Josahkian é zootecnista, professor de melhoramento genético e superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); Globo Rural, 23/8/26)