ZÓRIA: O Brasil já viu esse filme antes – Por Rodrigo Simões
Na política brasileira, apelidos quase sempre nascem de comportamentos.
E nos bastidores de Brasília, um nome passou a circular com força nos últimos dias: “ZÓRIA”.
A mistura entre Romeu Zema e João Doria não surgiu por acaso. Ela nasce exatamente da comparação que muitos passaram a fazer entre dois movimentos políticos muito parecidos: usar a força política do bolsonarismo em determinado momento e, depois, tentar construir distância justamente de quem ajudou a impulsionar suas trajetórias.
A crítica feita por Romeu Zema ao senador Flávio Bolsonaro repercutiu mal em setores importantes da direita — especialmente porque muitos enxergaram no gesto mais oportunismo político do que estratégia inteligente.
O dito popular que Zema esqueceu
Mineiro costuma ensinar uma coisa simples sobre sabedoria:
“Tudo no seu tempo, como quem não quer nada.”
A frase representa prudência, equilíbrio e inteligência política silenciosa — características historicamente associadas ao povo mineiro.
Mas, dessa vez, Romeu Zema parece ter escolhido outro caminho.
Tiro no próprio pé
Ao elevar o tom contra Flávio Bolsonaro, Zema acabou criando um desgaste desnecessário dentro do próprio campo ideológico em que tenta se posicionar nacionalmente.
E a pergunta começou a ecoar nos bastidores:
Era estratégia… ou ansiedade eleitoral?
A direita dividida interessa a quem
Se o objetivo real fosse construir um projeto forte para derrotar o PT em 2026, talvez o mais inteligente fosse guardar o ego no bolso e trabalhar uma composição sólida entre PL e Novo.
A matemática política é simples.
Quanto mais a Direita se divide, mais difícil a batalha fica.
O fantasma da cláusula de barreira
Nos corredores políticos, muita gente passou a enxergar risco real para o próprio Partido Novo.
Uma divisão mal calculada pode acabar empurrando novamente a legenda para dificuldades eleitorais — inclusive colocando em debate a própria sobrevivência partidária diante da cláusula de barreira.
Na tentativa de crescer sozinho, o partido pode acabar diminuindo ainda mais.
Oportunismo ou desespero
O episódio deixou no ar uma sensação difícil de ignorar.
Ao atacar Flávio Bolsonaro, Romeu Zema não pareceu ampliar espaço político. Pelo contrário: para muitos, deu um verdadeiro tiro no pé.
Principalmente porque parte importante do eleitor conservador não costuma olhar com simpatia para movimentos interpretados como traição política.
João Doria conhece bem esse roteiro.
A política não esquece
No Brasil, alianças políticas podem mudar. Isso faz parte do jogo democrático.
Mas existe algo que o eleitor costuma observar com atenção: coerência.
E quando alguém cresce utilizando determinada força política e depois resolve atacá-la publicamente, inevitavelmente surgem comparações.
Daí nasce o “ZÓRIA”.
A mensagem que fica
Entre tantas movimentações, o eleitor brasileiro merece ser respeitado.
Porque, no fim, política séria exige coerência.
E coerência não costuma sobreviver muito tempo quando o oportunismo começa a falar mais alto
(Rodrigo Simões; Jornalista • Administrador de Empresas; Pós-graduado em Gerente de Cidades – FAAP; 2× Vereador por Ribeirão Preto • Presidente da Câmara (2017)~Ex-Presidente da FUNTEC~Colunista – BrasilAgro; Apresentador do Podcast Clube do Povo; 29/5/26)

